Inédito: veículo subaquático fotografa minério valioso a quase 6 mil metros de profundidade

AUV Orpheus Ocean, dispositivo utilizado na missão, pode alcançar até 11 mil metros no fundo do oceano

22/07/2025
Nódulos de manganês recém-descobertos fotografados no fundo do mar a 5.645 metros, usando o veículo subaquático autônomo Orpheus. Foto: NOAA/ Divulgação

A tecnologia está nos levando para lugares que, sozinhos, nunca conseguiríamos. Em feito inédito, um veículo subaquático autônomo (AUV) fotografou nódulos de manganês — minério crucial para a transição energética global — numa área nunca antes vista pela ciência: no fundo do oceano, a 5. 645 metros de profundidade.

O registro aconteceu próximo à Fossa das Marianas — o ponto mais profundo da Terra — ao leste da Comunidade das Ilhas Marianas do Norte. A descoberta é resultado de uma super expedição liderada pelo Instituto Cooperativo de Exploração Oceânica (OECI), com o apoio da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e outras agências ambientais dos Estados Unidos.

Nódulos de manganês. Foto: Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Reprodução

A missão visava mapear e entender melhor as áreas remotas das profundezas, se concentrando justamente em ambientes e características geológicas que poderiam conter os nódulos de manganês. Esse pequeno minério — que mede entre 1 e 10 centímetros — encontrado no fundo do oceano possui propriedades geoquímicas únicas, sendo alvo de interesse para cientistas marinhos e gestores de recursos.


Realizada a bordo do Exploration Vessel Nautilus (da Ocean Exploration Trust – OET), a expedição permitiu as primeiras observações diretas desses locais remotos, validando previsões de especialistas envolvidos no estudo. Andy Gartman, líder do Projeto de Recursos Minerais Globais do Fundo do Mar da United States Geological Survey (USGS), comentou sobre a descoberta.

A planície abissal visitada nesta missão é uma das áreas menos conhecidas da Terra. Os dados e imagens compilados nos ajudam a refinar mapas de prospectividade do fundo do mar– destacou o pesquisador

Adam Soule, professor de oceanografia da Escola de Pós-Graduação em Oceanografia da Universidade de Rhode Island e diretor executivo da OECI, destacou a importância da coleta de dados que permitam a compreensão da distribuição de depósitos minerais em águas profundas.

A maior necessidade atual são os dados de base, que exigem ferramentas altamente especializadas– enfatiza Soule

Tecnologia inédita

Desenvolvido entre 2018 e 2024 pela Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, o AUV Orpheus, operado pela Orpheus Ocean, veio para contribuir — e muito — com a missão científica de mapear o fundo do oceano.

AUV Orpheus. Foto: Instagram @orpheusocean/ Reprodução

O novo veículo subaquático autônomo foi projetado para alcançar as maiores profundidades, chegando a 11 mil metros. Em missões, o dispositivo opera próximo ao fundo do mar — ou até mesmo nele — e realiza levantamentos de sensores de alta resolução.

 

O sistema ainda conta com coleta de amostras de água do fundo do mar em áreas de interesse com cerca de 1km². Logo, essa tecnologia é crucial para explorar e caracterizar ambientes bentônicos (regiões do fundo de qualquer corpo d’água), devido a sua capacidade de usar cargas úteis personalizáveis e prática autônoma.

 

Para isso, a Orpheus Ocean prioriza a colaboração com governos, instituições de pesquisa e outros grupos dedicados ao avanço da ciência e conservação. É isso o que defende Aurora Elmore, gerente do programa de Exploração Oceânica da NOAA.

Para administrar de forma responsável o fundo do mar e seus recursos, precisamos alavancar parcerias público-privadas e tecnologias emergentes para coletar informações básicas críticas– afirma a gerente.

 

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