Palestrantes destacam educação ambiental e políticas públicas para fortalecer o turismo gastronômico

Segundo dia da 2ª edição do Fórum Náutico Internacional da ANB em Salvador teve painel sobre pesca e aquicultura

Por: Redação -
17/09/2026
Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

“O Brasil tem quase 9.000 km de costa e três biomas, imagine a diversidade de saberes e fazeres que temos para mostrar, mas ainda precisamos de formação e a gastronomia, junto com o setor náutico, pode ser o motor de crescimento. Precisamos interagir com as pessoas dos ecossistemas para respeitar a história e as culturas alimentares e para isso a educação faz toda a diferença”, afirmou a professora de gastronomia Fabiana Mortimer Amaral, na abertura do 5º painel do 2º Fórum Náutico Internacional da ANB, em Salvador. Ela, que foi a mediadora da conversa sobre o tema Pesca e Aquicultura: Da Produção à Gastronomia, também salientou que o setor é parte vital da economia azul, unindo tradição e inovação.

Também participou do painel o diretor da BAHIA PESCA, George da Hora Jr., que apresentou números do setor. Segundo ele, a Bahia está na 9ª posição no cultivo de tilápia no país, enquanto o Brasil ocupa a 4ª posição no ranking mundial. Hoje esta é uma das culturas mais importantes para a nossa gastronomia, registrando crescimento de 148% nos últimos dez anos, com uma produção que já ultrapassou um milhão de toneladas.

O pescado é transformado na gastronomia, mas antes de chegar à mesa, precisa de rastreio e manuseio adequado. Isso é responsabilidade social, ambiental e renda no bolso do produtor-frisou George

Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

À frente do restaurante Preta, localizado na Ilha dos Frades, a chef Angeluci Figueiredo trouxe a visão da ponta. “A natureza faz você ter paciência. Tudo vai de barco e depende da maré”, contou. Após perder 500 kg de lagosta estocada no período do defeso, aprendeu: “A gente tem que entender que a natureza não é uma prateleira de mercado. Precisamos ter consciência. Restaurante deve ter um cardápio que respeite os ciclos da natureza e os clientes também precisam entender isso”.

Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

Ela contou, ainda, que instalar um restaurante em uma ilha também passa pela preservação ambiental e o cuidado com o tratamento de resíduos. No Preta, por exemplo, não são usados canudos e guardanapos de papel e até mesmo o óleo depois de utilizado é embalado e levado para reciclagem e produção de sabão.


Fechando o painel, o consultor português Nuno Antunes Nobre (ONU/UE) alertou para os riscos: “A nível global pescamos muito mais do que deveríamos. É preciso respeitar os períodos de defeso”. Ele também defendeu políticas públicas que não escanteiem a pesca artesanal, um maior cuidado com o bem-estar dos peixes na aquicultura, além de envolver as comunidades em projetos de educação ambiental.

Foto: Márcia Luz / Revista Náutica

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