Pescaria usual vira descoberta de naufrágio centenário nos EUA

03/06/2025

O que era para ser mais uma pescaria comum acabou virando um dia histórico para Christopher Thuss. O pescador navegava pelas águas do Lago Michigan, na costa de Manitowoc, em Wisconsin, nos Estados Unidos, quando encontrou um naufrágio de 102 anos. Sua descoberta lança luz a um legado familiar e dá vida a um novo marco submerso.

A apenas 2,7 metros da superfície, a descoberta, divulgada pela Sociedade Histórica de Wisconsin, não fez sentido para Thuss logo de cara. À emissora americana WGBA-TV, o pescador revelou que “no começo, não sabia exatamente o que estava vendo”.

Virei naquela direção e o navio inteiro estava ali– destacou Christopher Thuss ao veículo

As coisas mudaram e ganharam um contexto histórico muito rico quando o pescador procurou a arqueóloga marítima Tamara Thomsen para relatar o achado do naufrágio.

Vigia parcialmente enterrada. Foto: WHS, Programa de Preservação Marítima e Arqueologia / Divulgação

A especialista, em parceria com o presidente da Associação de Arqueologia Subaquática de Wisconsin, Brendon Baillod, identificou o naufrágio como “JC Ames”. À agência Associated Press, Thomsen revelou que o navio estava enterrado na areia no fundo do lago há décadas e que as tempestades de inverno podem o ter revelado.

Achado histórico

“Um dos maiores e mais potentes rebocadores de lagos”. Assim o livro Green Bay Workhorses: The Nau Tug Line (1990, sem edição no Brasil) descreve o JC Ames.

O forro do teto do navio. Foto: WHS, Programa de Preservação Marítima e Arqueologia / Divulgação

Ainda de acordo com a obra, o barco era capaz de desenvolver 670 cavalos de potência, “com seu motor composto de proa e popa”. Não à toa, relatos sugerem que a construção do navio, em 1881, teria tido um custo de US$ 50 mil na época — mais de um milhão de dólares em valores atuais.

O investimento se deu visando o comércio de madeira, através da companhia Rand & Burger, de Manitowoc. Mas a embarcação também atuou no transporte de barcaças ferroviárias entre Peshtigo (em Wisconsin) e Chicago (em Illinois), conectando diferentes redes logísticas pelo Lago Michigan.


Anos depois de sua construção, o barco passou por colisões, sofreu um desmonte e chegou a ser incendiado até ser oficialmente descartado no Lago Michigan, em 1923, ano de sua aposentadoria.

Legado familiar

Segundo Thomsen, a ausência de mexilhões quagga (Dreissena bugensis) presos ao barco indica uma exposição recente — ou seja, Christopher estava no lugar certo, na hora certa.

Acoplador do eixo propulsor de JC Ames. Foto: WHS, Programa de Preservação Marítima e Arqueologia / Divulgação

Esse feeling remete ao legado histórico da família de Thuss. Isso porque sua avó adotiva, Suzze Johnson, também tem um amplo histórico na descoberta de naufrágios, incluindo três no mesmo Lago Michigan, em 2015.

 

Dado pelo destino ou não, o achado agora promete se tornar o ponto de encontro de mergulhadores, uma vez que deve ser protegido por leis estaduais e federais, chegando à inclusão no Registro Nacional de Lugares Históricos.

Esse tipo de descoberta é sempre muito emocionante, porque permite que um pedaço da história perdida ressurja– destaca Thomsen

 

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