Visita inesperada: Tamara Klink é surpreendida por urso-polar em seu barco no Ártico

Sozinha na embarcação, velejadora brasileira viveu momento de pânico e adrenalina antes de espantar o animal

Por: Nicole Leslie -
22/08/2025
Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

A velejadora Tamara Klink passou por apuros nesta quinta-feira (21), ao perceber que um urso-polar subiu no barco onde ela estava sozinha. Apesar do perigo, o final foi feliz: nem ela nem o animal saíram com ferimentos, e ainda serviu como um grande aprendizado à jovem navegadora de 28 anos.

Conforme ela relatou em suas redes sociais nessa sexta-feira (22), o susto começou às 2h30 da madrugada desta quinta, quando foi acordada pelo veleiro Turnstone com um alerta: “Sardinha 2! Sardinha 2! Tem um urso se aproximando do seu barco”, anunciaram pelo rádio VHF.

Urso-polar subiu com ajuda de um degrau próximo à água que o barco Sardinha tem. Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

Tamara acordou no susto e procurou o animal selvagem pela janela, mas não o viu. O urso-polar já estava no próprio barco, num degrau que dá acesso ao veleiro. Ela, que sempre achou a plataforma muito prática, se deparou com um novo problema: o carnívoro também achava o mesmo.

É perfeita para mim e para os ursos-polares: uma perfeita escada de piscina para eles subirem depois de uma bela natação– brincou Tamara

Em meio a adrenalina, a velejadora disse ter pensado em opções para sair viva da situação, mas não conseguiu confiar em nenhuma delas. O último caso era usar a arma que carrega a bordo — opção que menos queria. A alternativa, além de não a alegrar, deixaria um corpo enorme no barco, que seria outro problema para o pós.


Klink pensou em fazer barulhos por conta própria, mas logo imaginou que o urso não fosse nem ligar. Depois pensou em fotografá-lo, mas lembrou que o olfato desse animal é tão apurado, que ele poderia sentir o cheiro dela e querer se aproximar — o que, definitivamente, não seria uma boa opção.

 

Ela então conversou com a tripulação dos dois barcos próximos pelo rádio e encontrou o melhor caminho:  ligar o motor do barco, que não a colocaria em risco, tampouco o urso-polar. Felizmente, a solução deu certo.

Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

No relato que compartilhou nas redes, Tamara disse que naquele momento o urso pareceu ter se assustado, deixado o barco dela e nadado em direção a outro vizinho. Aí sim ela conseguiu registrar o animal.

Deu tudo certo!– exclamou a velejadora, aliviada

O único prejuízo do urso-polar foram alguns arranhões que as garras afiadas deixaram em algumas boias de segurança, mas nada muito grave.

Estrutura de tecido que guardava boias foi rasgado pelo urso-polar. Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

O ocorrido é um lembrete de que, mesmo os mais experientes em navegação, ainda estão sujeitos a surpresas — e muita adrenalina — a bordo. Águas agitadas, tempestades ou ataques de animais selvagens podem acontecer quando se decide navegar para destinos longínquos.

Espero que não aconteça de novo. Agora vou ficar um pouco mais atenta e pelo menos já sei que alguns ursos se assustam com o barulho do motor– confessou

Tremenda coincidência (ou premonição?)

Não bastasse o susto de receber um urso-polar no próprio barco, Tamara havia compartilhado no Instagram poucos antes dias o medo que tem do animal. A velejadora que partiu da Groenlândia em julho de 2023 rumo a Nunavut, no Canadá, procurou abrigo em terra firme no último dia 13, a fim de driblar ventos fortes. Mas antes fiscalizou a região por imagens de drone e foi surpreendida.

Urso-polar avistado por Tamara pelo drone. Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

“Enquanto me aproximava do abrigo, vi um ponto branco correndo na montanha verde. A Sardinha avançava e o ponto também. Na teoria, eu queria muito ver um urso. Na prática, eu morro de medo”, contou.

Urso-polar avistado por Tamara pelo drone. Foto: Instagram @tamaraklink / Reprodução

Na ocasião, ela não só decidiu não se arriscar indo ao local, como dormiu no Sardinha cercada de utensílios de segurança, como panela, fogo de emergência e fuzil. Ao menos o susto que viria dias depois serviu de aprendizado.

A desbravadora do Ártico

Não é de hoje que Tamara Klink enfrenta adversidades a bordo do seu veleiro Sardinha. Aos 26 anos, a navegadora completou a travessia do Círculo Polar Ártico absolutamente sozinha, conquistando o título de a primeira brasileira — e a mais jovem navegadora do país — a concluir o feito. Ela ainda alcançou, na mesma viagem, mais um marco: o primeiro registro feminino de uma invernagem em solitário no local.

Foto: Tamara Klink / Divulgação

Sua mais recente façanha aconteceu no ano passado, quando desbravou, também sozinha, o inverno congelante do Ártico. Foram três meses sem ver o sol, quatro sem ver humanos e um semestre inteira presa no gelo, com temperaturas na casa dos -40°C. Tudo isso com um propósito: mudar o imaginário do que uma mulher é capaz — e realmente tem navegado muito para isso.

Discursos protetores muitas vezes dificultam, limitam, criam empecilhos para que as mulheres naveguem. Não há nada no corpo de uma mulher que a impeça de velejar, de navegar– contou à época em entrevista à NÁUTICA

 

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