Aventureira Tamara Klink se torna a primeira brasileira a atravessar sozinha o Círculo Polar Ártico

29/09/2023

Já pensou em como deve ser cruzar o Círculo Polar Ártico absolutamente sozinho? Pois Tamara Klink, de 26 anos, arquiteta e filha do navegante e escritor Amyr Klink, conseguiu realizar essa travessia e se tornar a primeira brasileira — e a mais jovem navegadora do país — a realizar o percurso sozinha.

Foram mais de dois meses cercada por icebergs e na companhia de peixes e pássaros. A arquiteta aventureira percorreu 2.500 milhas entre Camaret sur Mer, na França, e Aasiaat, na Groenlândia, a bordo do veleiro de aço Sardinha 2, com 10,5 metros de comprimento.

Foto: Instagram @tamaraklink/ Reprodução

Mais difícil do que navegar essa distância, foi planejar toda essa viagem. O orçamento tinha suas limitações e a travessia foi atrasada em cinco meses por conta de imprevistos, tornando a navegação diferente do planejado inicialmente.

 

Com isso, Tamara perdeu os períodos na Groenlândia em que o sol brilha durante 24 horas — entretanto, pegou também menos icebergs no caminho. Além disso, ela viajou sem acesso à internet, e a troca de e-mails por satélite era restrita à equipe técnica.

Para correr atrás do tempo perdido, decidi cortar muitas escalas do caminho, fazendo trechos bem mais longos de navegação — Tamara Klink

Segundo a aventureira, o caminho até o círculo polar é de alto risco. Havia icebergs grandes e pequenos não detectados no radar que surgiam de repente. Para sua segurança, ela recebia relatórios diários sobre a posição dos blocos de gelo.

Aqui há poucos locais para fazer reparos se houver um acidente ou se acontecer um problema no motor no meio do radar — relatou Tamara

Vale destacar que o planejamento para realizar a travessia até o Ártico começou ainda em 2022, e teve vários momentos em que Tamara pensou em desistir. Segundo ela, pelo menos uma vez por dia, escrevia em seu diário que estava com muito medo — sensação que aumentava quando ia ancorar.

Foto: Instagram @tamaraklink/ Reprodução

Mas no final de tudo, a longa e solitária viagem valeu a pena e Tamara concluiu sua terceira travessia. Antes, ela já tinha se tornado a mais jovem brasileira a atravessar o Oceano Atlântico sozinha.

É um exercício em que estou sempre encontrando novas energias, estímulos e, para uma mulher, isso é muito motivador — compartilhou Tamara Klink

Foto: Instagram @tamaraklink/ Reprodução

Encantada com a beleza da natureza diariamente — principalmente com o mar e seus icebergs — Tamara se orgulhou de sua trajetória. Por fim, a mais jovem brasileira a atravessar o Círculo Polar Ártico sozinha deseja “mudar o imaginário do que uma mulher é capaz”.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Martine Grael é anunciada pelo time dos Estados Unidos no SailGP

    Bicampeã olímpica substituirá Taylor Canfield no comando do F50 americano durante a etapa em Genebra neste final de semana

    Center consoles ganham espaço entre os barcos do São Paulo Boat Show

    Com comando centralizado e áreas livres ao redor do console, embarcações apostam na versatilidade para pesca, passeios e lazer

    Especialistas destacam vocação do Brasil para incremento da indústria naval

    Painel "Indústria Náutica e Naval: Geração de Emprego e Renda" foi apresentado nesta quinta-feira (17) no Fórum Internacional Náutico da ANB, em Salvador

    Série com ilha, barca e mistério náutico domina o Emmy 2026

    “O Segredo de Widow’s Bay”, da Apple TV, venceu 14 prêmios e reforçou o apelo de histórias ambientadas em comunidades costeiras isoladas

    Filme sobre Amyr Klink fica fora da disputa do Brasil no Oscar 2027

    “100 Dias”, de Carlos Saldanha, estava entre os seis finalistas para representar o país, mas o escolhido foi “Feito Pipa”, de Allan Deberton