Teste Sessa F42: Com elegância italiana, lancha combina beleza, performance e tecnologia de ponta

20/08/2022

Fabricante de algumas das embarcações que mais despertam entusiasmo em nossas águas atualmente, a catarinense Intech Boating, que estará presente em mais uma edição do São Paulo Boat Show, há dez anos iniciou a produção no Brasil das lanchas da marca italiana Sessa Marine. Vamos ao teste da Sessa F42!

A tecnologia, o design inovador e o conhecimento transferidos pelo estaleiro italiano, aliados ao conhecimento do mercado brasileiro pela Intech Boating— sob o comando do empresário José Antonio Galizio Neto —, resultaram em um grande sucesso. Hoje já são mais de 300 embarcações navegando em mares brasileiros — 53 unidades apenas da Sessa F42, que NÁUTICA testou nas águas de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo. São barcos refinados, de linhas elegantes e acabamento impecável, produzidas pela tecnologia de laminação por infusão em molde aberto.

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Construída no Brasil, a Sessa F42 tem muitos pontos altos, além do espaço extra acima dela (são 26 m² de área de conivência), que realmente faz a diferença. Os projetistas acertaram na receita, dentro da proposta da Sessa Marine de construir barcos que combinam beleza (com o uso de material vindo da Itália), performance e tecnologia de ponta, como propulsão IPS de 500 a 650 (com dois motores de 380 a 480 hp cada, da Volvo Penta), joystick (sistema de comando que permite manobrar lanchas com a ponta dos dedos) e plataforma submersível.

Essa lancha tem dois camarotes (sendo uma suíte, na proa) e dois banheiros, além de recursos que o estaleiro acrescentou para conquistar os brasileiros, como a plataforma de popa maior (e com churrasqueira integrada) e uma mesa grande no cockpit, coisas que a original italiana não tem.

O estaleiro acertou na receita, dentro de sua proposta de construir barcos que combinam beleza, performance e tecnologia de ponta.

O sucesso com a linha mais elegante e sofisticada da Sessa Marine (um nome que diz muito) fez a Intech Boating investir na diversificação, passando a construir também os modelos da linha esportiva da marca italiana, a Key Largo. Atualmente, o estaleiro catarinense oferece cinco lanchas de lazer da Sessa Marine, entre 36 e 42 pés (a F42 é a primeira com flybridge), e duas da Key Largo, além da IB 360, um grande sucesso de sua marca própria, a Intech Professional Boats, que tem foco no desenvolvimento e fabricação de embarcações de serviço.

Projetada para levar até 14 pessoas a bordo, sendo que quatro podem dormir na cabine (com bastante conforto, diga-se de passagem), a Sessa F42 é uma lancha com flybridge para quem dá prioridade ao conforto, mas sem abrir mão do desempenho. Evolução da premiada F40, tem 13,20 metros de comprimento por 4 metros de boca.

Clean, o salão do F42 tem 1,92 metro de altura e é muito bem iluminado por grandes janelas. Tem sofá em L, mesa dobrávbel e TV embutida. A cozinha, num nível abaixo, tem 2,5 m de pé-direito. Completa, nada fica a dever à de uma casa de praia.

O salão, muito bem iluminado por grandes janelas e com 1,92 m de altura, tem uma TV embutida com levantamento elétrico, sofá em L, piso de madeira e uma boa mesa dobrável de teca com rebaixamento, além vários armários e do quadro de força. Eventualmente, pode ser transformado em um terceiro quarto, para acomodar uma visita ou um tripulante.

O posto de comando tem formato tradicional, com volante escamoteável, banco duplo, painel híbrido com recursos digital e analógico, eletrônico com tela de 12 ou 16 polegadas. Todos os botões, o joystick e os manetes estão à mão. Entre outros itens de conforto, há porta-copos, entrada do ar refrigerado ao lado e uma tomada 12 volts, mas falta uma saída USB para o celular e um nicho para guardar objetos de uso pessoal (o popular porta-trecos).

O flybridge, segundo o estaleiro, é o maior da categoria, com uma muito bem aproveitada área de 26 m²

O para-brisa, de folha única, tem dois limpadores independentes, com braços duplos, o que é útil nos dias de ventos mais fortes, e a visibilidade é boa, embora a fibra do flybridge termine um pouco mais baixo que o ideal. Além disso, as janelas laterais podem ser abertas, o que ajuda demais na ventilação natural e facilita a comunicação durante as manobras de atracação, além de ser muito bem-vindo em dias chuvosos.

Se chama a atenção por fora, com suas linhas limpas, por dentro a F42 dá outro grande espetáculo, com duas refinadas suítes.

Na praça de popa, o estaleiro oferece duas opções de arranjo: com um sofá em L, com uma perna a boreste, ou com um banco central em linha reta, ambas com uma mesa dobrável de teca à frente, com lugares para seis pessoas.

A bombordo, sob a escada de acesso ao flybridge, há um móvel com pia, porta-copos, porta-garrafas e (opcionalmente) uma geladeira. Sem contar os instrumentos da esfera operacional, como chave de bateria, tomada de cais etc. A altura da amurada, bem alta, associada ao guarda-mancebo que se prolonga até essa área, transmite uma de sensação de proteção e segurança. Tudo isso, somado ao conforto dos sofás, com seus assentos e encostos densos e aconchegantes, transformam a aventura de estar a bordo em uma experiência muito agradável.

Com decoração sóbria e elegante, a suíte principal, com 1,90 m de altura, fica na proa

Entre o salão e a praça de popa há uma porta de vidro e inox, de quatro folhas, que abre inteira, integrando totalmente os dois ambientes. Mas, nos dias mais quentes, talvez valha a pena mantê-la fechada e se recolher no salão, pois a Sessa F42 vem equipada (de série) com três aparelhos de ar-condicionado de 16 mil BTUs cada um.

A suíte de meia-nau, com duas camas de solteiro, tem 2,08m de altura na entrada

Por sua vez, a plataforma de popa de série, mede 1,42 m de comprimento (do qual 1,15 m submersível, por acionamento elétrico por botão ou controle remoto) por 3,55 m de largura. Ou seja, é grande, sem ser exagerada, mantendo o equilíbrio do projeto, sem desvio do centro de gravidade. A escada, em forma de robô, se arma automaticamente, quando a plataforma mergulha na água, mas falta um pega-mão. E ainda há uma escada de quatro degraus embutida no piso da plataforma, para ser usada quando não estiver acionado o modo submersível.

Para cobrir toda essa área — em que se destaca o indispensável espaço gourmet, com pia, tábua, pega-mão, armários e churrasqueira que, (opcionalmente) pode ser elétrica ou carvão — é só acionar o stobag, ou toldo elétrico.

O posto de comando tem volante escamoteável, banco duplo e eletrônico com tela de 12 ou 16 polegadas

A F42 faz parte da linha mais elegante e sofisticada da Intech Boating. É a sua primeira lancha fly.

Já a área de proa da Sessa F42 fica dentro do que se poderia esperar de uma lancha deste porte, com 4 metros de boca, de classe internacional. A passagem da praça de popa para a lateral é um pouco estreita para que quer acessar a área de proa. Lá na frente, há um solário com mais de 2 m de comprimento que, com a colocação de um tampão sobre a gaiuta, pode acomodar três pessoas, sem aperto. O encosto é reclinável e há pega-mãos fixos nos dois bordos, além porto-copos e saídas de som. Quem preferir, pode usar o solário como banco, em vez de se deitar para tomar banho de sol, uma vez que ele fica em uma posição mais elevada que o convencional, permitindo que ocupantes consigam ficar sentados em seu beiral.

O guarda-mancebo, um pouco lançado para fora, amplia a passagem lateral (de 30 cm) entre a proa e a popa, enquanto na área operacional os cunhos estão bem dimensionados e instalados, assim como o guincho de âncora, com trava, e a caixa de corrente.

A porta entre o cockpit e o salão abre inteira, integrando os ambientes

Na cabine, com 1,96 m de altura na entrada, dormem quatro pessoas, em duas suítes. A cozinha também fica no piso inferior, mas interligada ao cockpit, sem fechamento, e com pé-direito de mais de 2,5 m. Completa, tem móveis com acabamento em laca, bancada em Corian com pia de aço inox e misturador com água quente e fria, fogão cooktop vitrocerâmico (as bocas ficam numa placa de vidro e cerâmica), exaustor, geladeira de 125 litros, freezer de 40 litros, micro-ondas e lixeira. Uma janela com uma gaiuta no centro ilumina e ventila essa área naturalmente, bem acima do fogão, dissipando os odores da comida. Sem contar a luz que entra por cima, diretamente do para-brisa.

Mas o destaque dentro da cabine vai mesmo para as duas suítes, de acabamento refinado, uma de casal, na proa, com 1,90 m de pé-direito e cama de 2 m x 1,50 m, e outra, na meia-nau, a boreste, com 2,08 m de altura na entrada e duas camas de solteiros, além de um banheiro privativo conversível em WC de uso comum (ou vice-versa). E tudo é muito criativo, moderno e sofisticado, como era de se esperar de barco com DNA italiano.

Na proa, o solário pode acomodar até três pessoas, com a colocação de uma almofada sobre a gaiuta

O flybridge, segundo o estaleiro, é o maior da categoria, com 26 m² de área de convivência (6,50 m x 4,00 m). Vem com um sofá em L para seis pessoas na popa, solário na proa, sistema de som com vários alto-falantes distribuídos pela área social, mesa dobrável de teca e um móvel com grill com pia, geladeira de gaveta de 65 litros (opcional), guarda-trecos e lixeira.

No posto de comando, a boreste, com volante escamoteável, banco duplo e assento largo, tudo é muito bem visualizado e fácil de acionar: painel de instrumentos, manetes, joystick, botões, rádio etc. Porém, o painel poderia ficar um pouquinho menos inclinado, e mais voltado para o piloto, diminuindo o risco de reflexo. A bombordo, há um sofá que, com o encosto rebatível, se transforma em uma confortável chaise longue, ou divã. Na frente, há um belo defletor de vento, no lugar do para-brisa, enquanto a capota, quando levantada, cobre toda a área do fly. Em resumo, uma área muito bem aproveitada. Nem parece que a lancha tem apenas 42 pés.

Navegando a bordo da F42 você tem a impressão de estar em uma ilha de conforto. Nem parece que a lancha tem apenas 42 pés.

Na casa de máquinas, com qualidade de construção impecável e excelente revestimento termoacústico, tudo está no lugar certo, e etiquetado, dos filtros aos tanques de combustível; afinal, é um barco certificado internacionalmente. Como opcional de fábrica, é possível a instalação de um estabilizador Seakeeper.

Um único senão nesta parte do barco: a altura do teto (piso do convés) sobre os motores, o que dificulta o acesso a certas partes das máquinas. E que máquinas! A F42 é a primeira em sua classe preparada para receber motorização IPS 500, 600 ou 650, da Volvo Penta. No caso da unidade testada por NÁUTICA, IPS 650, com dois motores de 480 hp cada, com os quais a lancha alcançou uma performance digna de lancha quase esportiva, como se verá a seguir.

A TV, de levantamento elétrico, pode ficar embutida. O banheiro de meia-nau pode ser privativo ou de uso comum.

Navegação da Sessa F42

Aceleramos a Sessa F42 nas águas de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo, num dia bonito, de mar calmo, mas com alguma ondulação à medida em que a lancha se afastava da costa, e ventos com rajadas de até 16 nós. A bordo, cinco pessoas, 340 litros de água e 55% da capacidade do tanque de combustível, que é de 940 litros.

A lancha estava equipada com dois motores de 480 hp cada, do sistema IPS 650. Com essa motorização musculosa (a padrão é IPS 600), sobra potência, como ficou explícito no teste de aceleração: de zero a 20 nós em 9,8 segundos. Além disso, a velocidade máxima ficou em 36,6 nós, com muita facilidade, apesar do vento forte, com rajadas de até 16 nós. Por sua vez, o consumo ficou em níveis adequados, especialmente nas velocidades de cruzeiro rápido e cruzeiro econômico, que foram de 30 nós e 26,1 nós, respectivamente.

Para conquistar os brasileiros, o estaleiro instalou uma plataforma de popa maior, com móvel gourmet integrado

Em todos os momentos da navegação, a F42 foi muito ágil, com direção leve e precisa. O casco, com ângulo do V de popa de 13 graus (o que não é muito), trimado, com 35% de flaps, cortou muito bem as ondas. Já no top, em velocidade acima de 36 nós, a lancha começou a caturrar um pouco, o que foi corrigido imediatamente com flaps a 60%. No mais, o barco se mostrou sempre estável, mesmo nas curvas (com raio de giro longo), com uma adernada suave, o que se traduz em uma navegação segura e confortável.

Realizamos curvas, no vento e contra ele, com exposição à ondulação de pouco menos de um metro, em velocidade de cruzeiro e na máxima, sem qualquer surpresa ou susto, com tudo absolutamente certo a bordo.

Navegando, a F42 tem direção leve e precisa

É um casco que tem bom balanceamento entre estabilidade (com o pouco V na popa) e agilidade. É nossa recomendação que sejam usados flapes eficientes e um trim ideal entre 30% e 35% em cruzeiro econômico e rápido, para que o casco use toda a linha d’água disponível e a embarcação atinja seu melhor aproveitamento de navegação.

Em resumo, uma lancha que entregou o que se esperava dela, devido à propulsão IPS e ao casco projetado especialmente para essa motorização.

Saiba tudo sobre a Sessa F42

Pontos altos

  • Flybridge espaçoso e suítes grandes
  • Boas opções de motorização
  • Navegação confortável e firme

Pontos baixos

  • Altura na casa de máquinas
  • Espaço apertado para manutenção dos motores
  • Passagem estreita no acesso à passagem lateral
No teste, o barco se mostrou sempre estável, mesmo nas curvas, com raio de giro longo

Características técnicas

Comprimento máximo: 13,20 m
Boca (largura máxima) : 4 m
Peso com motores: 12 toneladas
Calado: 1,20 m
Capacidade (dia): 14 pessoas
Capacidade (noite): 5 pessoas
Pé-direito da cabine: 1,98 m
Motorização: 2 x Volvo IPS 600, de 440 hp cada
Tanque de combustível: 940 litros
Tanque de água: 340 litros
Tanque de águas negras: 95 litros

Detalhes da Navegação

Equipada com IPS 650 (dois motores de 480 hp cada), a Sessa F42 alcançou 36,6 nós de velocidade máxima, com muita facilidade (3.700 giros), apesar do vento forte.

Quanto custa a Sessa F42

A partir de R$ 4,5 milhões, com dois motores centro-rabeta Volvo Penta D6 440 hp. Preço pesquisado em agosto/2022. Para saber mais sobre o modelo testado, acesse o site oficial da Intech Boating.

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto:
 Gilberto Ungaretti e Denise de Almeida
Edição de vídeo: Luiz Becherini
Fotos: Victor Oliveira e Divulgação

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