Tradicional evento de vela carioca contou com 39 barcos. Confira os campeões
Com a presença de 39 barcos, foram definidos, neste domingo, os campeões da 53ª edição da Taça Rei Olav, evento realizado nas águas da Baía de Guanabara e ilhas próximas, no Rio de Janeiro e Niterói, com sede e organização no Iate Clube do Rio de Janeiro, na Urca.
O evento é um dos mais tradicionais do cenário carioca e nacional da vela oceânica, com supervisão da ABVO, Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, sendo os campeões definidos nas classes ORC, IRC e BRA RGS (A e B) com a disputa de três regatas, uma no sábado, dia 17, e mais duas neste domingo com disputas primeiro em regata Barla-Sota e na sequência com Regata de Percurso partindo do Morro da Viúva, passando pela Boa Viagem, em Niterói, depois a boia sul da Diretoria de Hidrografia e Navegação (Marinha do Brasil), e voltando ao Morro da Viúva.


Na classe ORC o barco Neptunus XIII foi o campeão somando uma vitória no sábado e dois segundos lugares no domingo ficando um ponto a frente do Sorsa III que venceu uma das regatas de domingo.
Na classe IRC, o barco Danadão comandado por Guilherme Raffare, conquistou o título somando um terceiro lugar e uma vitória no domingo. O barco ficou a frente do Manga Wiki e do Tangará II, do medalhista olímpico Lars Grael, que pela primeira vez competiu na classe. O barco de Lars venceu a segunda regata, mas ficou em sétimo na final.


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Melhores barcos de 2018 são premiados
A cerimônia de premiação da Taça Rei Olav contou com a presença de Haakon Lorentzen, que competiu em seu barco, o Duma (terminou em 5º na ORC). Haakon é neto do Rei Olav que dá nome a competição criada em 1967 em sua homenagem. Ele foi medalhista de Ouro em 1928 em Amsterdã, na Holanda, e disputou a regata em 1968 em uma visita ao Rio de Janeiro. Olav V foi Rei da Noruega de 1957 até 1991, um dos mais populares do país nórdico. Genro do Rei Olav, Erling Lorentzen, empresário norueguês radicado no Rio de Janeiro, se destacou no barco Saga, um dos mais competitivos e vencedores da competição.
A cerimônia, regada à cerveja, pizza e salgados e muita animação, teve a premiação da Copa Brasil 2018 da ABVO com o barco do ano para o Bravíssimo IV de Luciano Secchin, do Espírito Santo, vencedor na classe ORC. O Maestrale ficou em segundo lugar seguido pelo gaúcho Crioula 29.
Na classe IRC o título ficou com o barco de Santos, o Rudá, seguido por dois outros da cidade, o Asbav IV e o Asbar II. Na classe BRA-RGS o primeiro ficou com o Zeus seguido pelo Dorf e pelo Sargaço. Na classe Clássicos título para o Madrugada e quatro empatados em segundo lugar, o Aires III, Kamaiura, Vendetta e o Brazuca.
“Nós da ABVO agradecemos imensamente ao Iate Clube do Rio de Janeiro por nos ceder espaço da premiação da Taça Rei Olav para fazer a premiação da Copa Brasil de 2018, estamos muito felizes pela parceria”, disse Adalberto Casaes, comodoro da ABVO.
RELAÇÃO DOS CAMPEÕES TAÇA REI OLAV
ORC
1 Neptunus XIII 5,00
2 Sorsa III 6,00
3 Santa Fé V 9,00
4 Bicho Grilo 13,00
5 Duma 14,00
6 Maestrale 16,00
7 Miragem 22,00
8 Vesper / Fire & Forget 24,00
9 Avanti 26,00
10 Samurai Rio 33,00
IRC
1 Danadão 6,00
2 Manga Wiki 11,00
3 Tangará II 13,00
4 The Punisher 14,00
5 Klimax 17,00
6 Tahiti Nui 18,00
7 Esculacho 25,00
8 Lady Milla 25,00
9 Ah Moleque 25,00
10 Minna I 30,00
11 Saravah 32,00
12 Dacha 6 34,00
BRA RGS A
1 Cristalino 4,00
2 Mano’s Chopp 6,00
3 Loren C 9,00
4 No Brainer 12,00
BRA RGS B
1 Faca Amolada 8,00
2 Aquarius 9,00
3 DORF 11,00
4 Eurus 16,00
5 Pioneiro 23,00
6 Kha raka 24,00
7 Sirius 29,00
8 CL DURF 33,00
9 Carcara 33,00
10 Mergulhão 34,00
11 Sal da Terra 36,00
12 Marreco 39,00
13 Blue Moon 42,00
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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