Tubarões no Rio de Janeiro: diferentes espécies do animal foram vistas neste mês
Uma série de aparições de tubarões no litoral fluminense, nas últimas semanas, fez o governo do Rio de Janeiro alertar os banhistas. O recado deixa claro que o mar é o habitat desses animais e dá dicas do que fazer caso você se depare com o peixe.
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Isso porque, apenas neste mês de maio, três ocorrências de aparição de diferentes espécies de tubarão foram registradas.
A primeira ocorreu em Angra dos Reis, no dia 15, com dezenas de tubarões galha-preta dando as caras na Baía da Ilha Grande. De acordo com pesquisadores, a espécie pode passar de dois metros e meio de comprimento e pesar até 70 kg.


Já no dia 18, alunos de uma escola de surfe avistaram na Barra da Tijuca, na altura do Posto 5, o que era possivelmente um tubarão-martelo. Segundo o biólogo Marcelo Szpilman afirmou, em entrevista ao portal G1, essa espécie é comum no litoral do Rio de Janeiro — que não deixou de assustar quem estava na água.
À primeira vista, eu não entendi muito, só vi meus alunos saindo bem rápido. Assim que um deles chegou a mim, ele falou: ‘tubarão! Tubarão!’– Juan Duarte, professor de surfe
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No último dia 20 foi a vez de um tubarão-mako — conhecido como o mais rápido do mundo — ser flagrado nadando pertinho de um moto aquática no Posto 1. O homem que estava no jet filmou tudo — inclusive, o comportamento passivo do animal.
Eu piloto local aqui na Barra há mais de 4 anos e nunca tinha visto, primeira vez. Todo mundo abismado aqui– disse Breno Affonso, autor do vídeo
De acordo com especialistas, o crescimento de flagras de tubarões no Rio de Janeiro não é preocupante. Até o momento, nenhum desses ataques resultou em feridos e, segundo Szpilman, que também é presidente do AquaRio, esses animais são “um bom sinal”.


De acordo com o especialista, os tubarões são residentes da região e não representam riscos para os banhistas. Ele aponta que a coloração mais clara da água — ou seja, de melhor visibilidade — , típica dessa época do ano, facilita a observação desses animais.
Eles sempre estiveram por ali. A diferença é que hoje há mais registros e vídeos circulando– biólogo Marcelo Szpilman, ao G1
O biólogo ainda destaca que a aparição na Barra, provavelmente, se deu pela presença dos cardumes de outros peixes que são presa dos tubarões. Já no caso das gralhas-pretas, a busca por águas mais quentes durante os meses de outono e inverno é uma das possíveis explicações, segundo o Instituto Mar Urbano.
A presença desses tubarões mostra que o ecossistema da região está saudável– tranquiliza o presidente da AquaRio


Por conta da sequência de aparições de tubarões, o Governo do Rio de Janeiro divulgou instruções de segurança aos banhistas que frequentam o litoral fluminense.
Um dos pontos reforçados pelas autoridades é o significado das bandeiras nas praias: fique de olho para a bandeira de cor roxa, que alerta a possível presença de tubarões ou outros animais marinhos.
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Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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