V Salão Náutico Marina Itajaí começa hoje em Santa Catarina. Não perca!

Por: Redação -
07/07/2022

Começa nesta quinta (7), em Santa Catarina, o maior evento náutico do Sul do país. O V Salão Náutico Marina Itajaí será realizado até o domingo, 10 de julho, com a presença de estaleiros nacionais e internacionais, entre eles, os maiores fabricantes de iates de luxo do mundo. A expectativa, segundo a organização do evento, é gerar mais de R$ 60 milhões em negócios durante os quatro dias da feira, além de contatos comerciais.

“Durante as primeiras quatro edições do Salão Náutico Marina Itajaí, ao todo, foram gerados mais de R$ 200 milhões de negócios e um público de cerca de 40 mil visitantes. Isso demonstra a força da náutica contribuindo para o desenvolvimento da economia local e nacional. Após dois anos que não foi possível a viabilização do evento, por conta das restrições necessárias com a pandemia, retomamos a feira e temos certeza que será um sucesso”, afirma Carlos Gayoso de Oliveira, diretor da Marina Itajaí e realizador do evento.

Entre as marcas de barcos, estão confirmadas: Azimut Yachts, Ventura Experience, Fibrafort, NHD Boats, NX Boats, Intermarine, Real Powerboats, Ferretti Yachts/Yachtmax, Nauticlass (Armatti Yachts, Fishing Raptor e Mastercraft), Pelicano, DM Yachts, Master Marine, Montreal, DDB Yachts e Iate Marine.

Além das novidades em embarcações do mercado náutico nacional e internacional, o V Salão Náutico Marina Itajaí terá uma diversidade de outras atrações já confirmadas tanto para quem é da náutica, para os apaixonados pelo setor ou como opção de lazer para a família.

Equipamentos e tecnologias para barcos de lazer, itens para reparo e manutenção, decoração náutica, cotas de compartilhamento e seguros são algumas das opções. Além disso, para garantir momentos de diversão e apresentar o estilo de vida náutico, haverá opções gastronômicas variadas. Mostra de produtos de luxo como carros, aviação e mercado imobiliário também estão confirmados.

Santa Catarina é responsável por 90% das exportações de barcos brasileiros

Em 2021, Santa Catarina se consolidou como maior polo náutico brasileiro e foi responsável por 90% das exportações de barcos brasileiros. No total, o país exportou mais de 16,6 milhões de dólares de janeiro a dezembro do ano passado. Este ano, até o mês de maio, foram exportados 7,8 milhões de dólares, o que representa um crescimento de quase 50%, se comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia.

“Os principais estaleiros do país estão sediados em Itajaí e vários fatores contribuíram para a cidade se tornar referência no setor. Mão de obra qualificada e incentivos fiscais, estão entre os fatores que atraíram estaleiros de outros estados e até de outros países a instalarem seus parques fabris aqui. Outro fator é a facilidade de escoamento da produção. No caso dos estaleiros itajaienses, eles têm fácil acesso aos portos de Itajaí, Navegantes e Itapoá”, comenta Jonas Pelegrini, CEO da BR Partners, empresa especializada em exportações de barcos.

Entre os principais países de destino dos barcos catarinenses, os Estados Unidos estão no topo da lista, sendo responsável por quase 60% das exportações feitas em 2021. No total, mais de 9,8 milhões de barcos foram vendidos para os americanos. Na sequência, três países também aparecem como principais compradores: Paraguai, Austrália e França.

AGENDE-SE

O quê: V Salão Náutico Marina Itajaí

Quando:

Dia 7 de julho (quinta-feira) das 16h às 20h

Dia 8 e 9 de julho (sexta-feira e sábado) das 11h às 21h

Dia 10 de julho (domingo) das 11h às 20h

Onde: Marina Itajaí – Av. Carlos Eli Castro, 100, Centro – Itajaí – Santa Catarina.

Mais informações e ingressos: https://bit.ly/salaonautico2022

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Veleiro de luxo navega no Rio Nilo como nos tempos dos faraós do Egito

    Agência oferece passeio em dahabiyas, tradicional embarcação que remonta a experiência de navegar pelo Egito Antigo

    Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália

    Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.