Parque arqueológico da Itália guarda resquícios de cidade romana submersa
A Itália, lar do antigo Império Romano, guarda resquícios preciosos desse período da história, mas nenhum como o Parque Arqueológico Subaquático de Baia, a 25 km de Nápoles, uma área marinha protegida no sul do país.
Após anos submersa, ruínas de antiga cidade grega ressurgem na Turquia
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Cidade turística por séculos, Baia atendia aos caprichos recreativos dos ricos e poderosos da elite romana, de 100 a.C. a 476 d.C.
Localizada sobre aberturas vulcânicas naturais, a cidade era famosa por suas fontes termais medicinais e clima ameno que atraíram algumas das figuras mais poderosas da antiguidade, como Nero, Cícero, Júlio César e Marco Antônio.


Vários deles construíram luxuosas casas de veraneio com direito a termas e piscinas com mosaicos de azulejos, como o imperador Adriano, que morreu ali em 138 d.C.
“Temos vestígios de enormes salas luxuosas que devem ter recebido festas contínuas”, disse o arqueólogo Enrico Gallochio. “Você pode imaginar que, durante as férias de verão, este era um lugar de autoindulgência, onde a nobreza romana podia enlouquecer.”
Mais de 2 mil anos atrás, Baia era um balneário festivo, onde os romanos podiam satisfazer seus desejos mais selvagens. Um de seus moradores teria criado um santuário dedicado às ninfas, uma gruta privativa cercada de estátuas de mármore, voltado aos prazeres mundanos.


Localizada nas encostas do Campi Flegrei, a “terra em chamas” grega que abriga o grande vulcão que passou pelo fenômeno do bradissismo — lento movimento da crosta terrestre que faz com que o solo se mova para cima ou para baixo.
Graças a esse fenômeno, grande parte de Baia foi perdida para o mar ao longo dos séculos, submergindo todas as edificações ali construídas, lugares de grande importância na época romana, quando Pozzuoli era a cidade comercial mais famosa; Baia, destino de veraneio, e Miseno, a sede da frota militar.
O que hoje é o Parque Arqueológico Subaquático de Baia foi visto pela primeira vez na década de 1940, quando um piloto da força aérea italiana que sobrevoava o local tirou fotos aéreas da cidade em ruínas, onde estradas, paredes e colunas de mármore ainda podiam ser identificadas.


As escavações só começaram nos 1960, quando autoridades italianas enviaram um submarino para analisar os fragmentos da cidade que permaneciam debaixo d’água.
E o que eles descobriram foi fascinante. Desde a época romana, a pressão subterrânea fez com que as terras que rodeavam Baia emergissem e afundassem constantemente, empurrando as ruínas antigas para cima, em direção à superfície do mar, antes de engoli-las lentamente mais uma vez.
Somente em 2002, o sítio arqueológico subaquático foi formalmente classificado como área de proteção e aberto ao público. Desde então, a tecnologia 3D e outros avanços da arqueologia submarina permitiram olhar a fundo para esse capítulo da antiguidade.


Mergulhadores, historiadores e fotógrafos conseguiram registrar diferentes estruturas submersas, incluindo o famoso Templo de Vênus — uma sauna, na verdade —, descobertas que sugerem as diversões na Roma antiga.
Devido à ondulação da crosta terrestre, as ruínas se encontram, na verdade, em águas relativamente rasas, com uma profundidade média de 6 metros, permitindo que os visitantes vejam algumas das estruturas submersas a bordo de um barco “panorâmico” com fundo de vidro, mergulho com snorkel ou submarino em torno da cidade imersa no mar Tirreno.
Área marinha protegida desde 2002, na cidade subaquática de 1.768 m² é possível mergulhar entre os antigos pilares do Porto Giulio, entre as esplêndidas muralhas da Villa dei Pisoni, entre os restos do palácio imperial do imperador Cláudio, onde há uma estrada pavimentada de quase 200 m, explorar a Villa do Protiro com seu grande piso de mosaico geométrico preto e branco, testemunhar a atividade vulcânica, uma espécie de jacuzzi natural com bolhas de gás escapando continuamente na Secca delle fumose, visitar o tanque de peixes, ver os mosaicos ainda intactos, todos cercados por nuvens de peixes.


Além de muitas estátuas como as de Cláudia Otávia (filha do imperador Cláudio) e Ulisses, que sinalizam a entrada das grutas submarinas, com seus braços estendidos cobertos de crustáceos.
Há também muito para ver na superfície. Muitas das esculturas submersas são, na realidade, réplicas. Os originais podem ser encontrados no topo da colina, no Castelo de Baia, onde a Superintendência Arqueológica da Campânia administra um museu com as relíquias recuperadas do mar.
Muitas ruínas estão localizadas nas proximidades do Parque Arqueológico das Termas de Baia, parte da cidade antiga que ainda se mantém acima do nível do mar.


É possível observar nessa área restos de terraços feitos com mosaicos e construções semelhantes a cúpulas, que constituem o Templo de Mercúrio, com uma piscina; o Templo de Vênus, em forma octogonal, com oito grandes janelas em arco e varanda com vista para a piscina; e o Templo de Diana, que foi usado para banhos termais.
Perto do parque, encontra-se a moderna Baia, à sombra de sua antiga grandiosidade. Atualmente, a costa, que era salpicada de mansões e casas de banho, possui uma pequena marina, um hotel e um punhado de restaurantes de frutos do mar, todos localizados em uma estrada estreita que segue para o nordeste, em direção a Nápoles.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




