Barris no fundo do mar de LA escondem poluição química que persiste há mais de 50 anos
Estudo revela que parte dos barris contém resíduos alcalinos cujos efeitos ainda moldam o ambiente marinho


Que o fundo do mar guarda inúmeros mistérios não é novidade. Um deles começou a ser desvendado quando pesquisadores da Scripps Institution of Oceanography descobriram que barris de metal descartados na costa de Los Angeles, nos EUA, carregam resíduos alcalinos cáusticos — e não apenas tóxico pesticida DDT, como se acreditava até então.
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O estudo, publicado na revista científica PNAS Nexus em 9 de setembro, mostra que esses resíduos continuam ativos mesmo depois de 50 anos. Em vez de se dissipar, a carga química transformou o entorno dos barris, criando marcas visíveis no solo: os chamados “halos brancos”, resultado da reação entre os resíduos e a água do mar.


As amostras coletadas nos halos revelaram pH altíssimo, em torno de 12 — muito acima do nível natural do oceano. Esse ambiente extremo endureceu o sedimento em volta dos barris, formando crostas sólidas onde foi identificado o mineral brucita, típico de locais de pH elevado. Essas crostas dificultam até mesmo a coleta de amostras.
A alteração química também reduziu drasticamente a diversidade biológica do local. Nos sedimentos afetados sobrevivem apenas microrganismos especializados em condições extremas, semelhantes aos que vivem em fontes hidrotermais. A fauna do fundo marinho, por sua vez, também mostrou queda de biodiversidade nos arredores dos barris.


Riscos desconhecidos
Apesar dos avanços, os cientistas ainda não sabem exatamente quais compostos alcalinos estão presentes nos barris. Essa incerteza dificulta avaliar os riscos para organismos maiores e para o ecossistema como um todo.
Outra surpresa é a persistência do problema: esperava-se que resíduos básicos se dissolvessem rapidamente em contato com a água do mar, mas o estudo provou o contrário. Isso porque mesmo décadas depois do despejo, eles seguem alterando o ambiente.


As descobertas mudam a narrativa em torno da poluição no fundo do mar de Los Angeles, antes associada apenas ao pesticida tóxico DDT. Elas mostram que resíduos menos conhecidos, como os alcalinos, também deixam marcas a longo prazo.
Além disso, os halos brancos agora passam a se tornar indicadores visuais de onde há contaminação, como uma pista que pode facilitar o monitoramento de áreas críticas mesmo antes de análises químicas complexas.
As buscas continuam
O caso de Los Angeles não é o único exemplo de poluição deixada no fundo do mar. Em junho, teve início a chamada “Missão NODSSUM“, liderada pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) com apoio de instituições como o Ifremer e a ASNR. A iniciativa busca investigar, em larga escala, o impacto dos barris radioativos que foram deliberadamente afundados no Atlântico Norte durante o século 20.
Na época, a prática era legal e países como Reino Unido e França descartaram mais de 200 mil tambores com material tóxico nas águas profundas. Quase 80 anos depois, os pesquisadores começam a avaliar os efeitos desse legado silencioso.
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