Apenas 0,001% do oceano profundo foi estudado, aponta pesquisa internacional

Estudo também indica "tendência problemática" nas pesquisas e alerta para impactos nos dados coletados

Por: Nicole Leslie -
02/06/2025
Foto: Envato / Trautonix

Embora 70% do planeta seja água, a maior parte dela ainda não foi estudada — ou sequer vista — pelo ser humano e segue envolta em mistério. Uma nova pesquisa analisou os mergulhos em águas profundas já realizados e concluiu que apenas 0,001% do oceano profundo já foi estudado — uma fração surpreendentemente pequena.

Para se ter uma ideia, se essa área já investigada estivesse em terra firme, corresponderia a apenas 1.489 km², uma região menor do que a cidade de Houston, no Texas. O restante permanece praticamente inexplorado, fora do alcance das câmeras e sensores que desvendam os segredos das profundezas.

Pesquisa aponta que apenas 0,001% do oceano profundo foi estudado. Imagem representa manchas de onde houve estudos científicos. Foto: Science Advances / Reprodução

Além da escassez de dados, o estudo publicado na revista científica Science Advances identificou outro problema, definido como uma “tendência problemática”: a concentração geográfica das pesquisas.

 

De aproximadamente 44 mil mergulhos científicos registrados em águas profundas, 97% foram realizados por apenas cinco países: Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia, França e Alemanha. Isso influencia diretamente as regiões do oceano mais bem documentadas, enquanto outras seguem invisíveis.

97% dos mergulhos científicos em águas profundas foram realizados em regiões de apenas 5 países. Gráfico mostra incidência de pesquisas por década. Foto: Science Advances / Reprodução

A preferência por investigar as Zonas Econômicas Exclusivas (ZEEs) — áreas do mar sob controle de um país — se intensificou a partir da década de 1980 e mudou radicalmente o foco da ciência.

 

A pesquisa aponta que na década de 1960, 51,2% dos mergulhos aconteciam em alto-mar; já nos anos 2010, essa fatia caiu para apenas 14,9%. O resultado são dados que, embora valiosos, não refletem com precisão a complexidade do oceano profundo a nível global.

Incidência de pesquisas em alto mar diminuiu, ao passo que estudos em regiões mais próximas a alguns países foram intensificados. Foto: Science Advances / Reprodução

Os autores do estudo alertam que, para que a ciência tenha uma visão mais realista e abrangente do fundo do mar, é necessário — e urgente — repensar a forma como as explorações são conduzidas.

 

O artigo ainda estima que mesmo que mil plataformas tecnológicas estivessem em operação constante, cobrindo 3 km² por ano, levaríamos mais de 100 mil anos para mapear todo o oceano profundo.


Ainda assim, há esperança. Os cientistas apostam que a evolução tecnológica com ferramentas mais leves, acessíveis, autônomas e fáceis de operar vai democratizar o acesso ao fundo do mar.

 

A expectativa é de que isso leve a uma distribuição mais equitativa dos esforços de pesquisa e a uma coleta de dados mais representativa do que realmente existe nas profundezas do planeta.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Ventura lança linha de pesca: barco de estreia estará no Rio Boat Show 2026

    Modelo ao estilo “semichato” é uma das grandes novidades do estaleiro, que apresentará ainda outras 8 embarcações no evento

    Aos 72 anos, velejador completa volta ao mundo sozinho em barco de 5 metros feito em casa

    O australiano Eric Marsh é o participante mais velho da Mini Globe Race, regata que teve parada em Recife, no Brasil, em fevereiro

    De Noronha para o mundo: Projeto Golfinho Rotador vence prêmio internacional de turismo sustentável

    Iniciativa de conservação que soma mais de 35 anos recebeu a honraria no ITB Earth Award, uma das premiações mais prestigiadas do setor

    Sentir para criar: barco que será lançado no Rio Boat Show foi desenvolvido por pessoa cega

    Pedro Bittencourt, dono do estaleiro Pointter Mar, embora totalmente cego, participou de cada etapa da contrução da nova Pointter 155 Easy Ride. Salão será de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória

    Maior navio elétrico do mundo está próximo de operar na América do Sul

    China Zorrilla custou cerca de US$ 200 milhões e ligará Argentina ao Uruguai ainda no primeiro semestre de 2026