Design de iate chinês foge do convencional e chama atenção; conheça o Allegro Flybridge 98
Não é preciso ser um grande observador para notar que os carros de fabricantes chinesas estão cada vez mais presentes nas ruas. Aliás, dados do setor indicam que eles podem representar até um terço do mercado automotivo mundial até 2030. Mas será que um cenário semelhante deve ser replicado nas águas? A chinesa Allegro Yacht parece estar no caminho.
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Já há duas décadas atuando nas frentes de projeto, fabricação, vendas e serviço especializado de embarcações, a marca de Fuzhou, capital da província de Fuquiém, acaba de lançar um projeto, no mínimo, atrativo.


Trata-se do Allegro Flybridge 98, um iate de 29,50 metros que chega com um design que foge dos padrões, se aproveitando de um recurso bastante visado no setor: o flybridge.


E se a falta de popularidade do estaleiro no ocidente for um argumento para nem ao menos conhecer o modelo, vale destacar que a jornada da Allegro “começou com a entrada bem-sucedida no altamente competitivo mercado europeu”, como destaca o estaleiro. Além disso, a marca chinesa acumula premiações:
- Lancha de competição europeia do ano, em 2012 — a primeira vez que um construtor de iates chinês recebeu esse reconhecimento na Europa;
- Certificação do sistema de qualidade ISO (Organização Internacional de Normalização), em 2012;
- Prêmio PME Inovadora — reconhecida como líder em pesquisa, desenvolvimento e inovação na indústria náutica;
- Prêmio para Empresas de Alta e Nova Tecnologia;
- Patentes de design e tecnologia concedidas para as séries Flybridge e Raider;
- Prêmio Empresarial — destaque para o investimento da Allegro em P&D, avanços tecnológicos e inovação de produtos em 2022.
Dito isso, vamos ao barco.
Conheça o Allegro Flybridge 98
Com quase 30 metros de comprimento, o iate desenhado pela também chinesa SuperTomato Design promete oferecer “um equilíbrio perfeito entre potência, sofisticação e conforto”. Não à toa, uma das inspirações da dupla chinesa foi o design das embarcações italianas, amplamente consolidadas no setor.


Ao todo, até 12 convidados (mais a tripulação, sem número divulgado de cabines, uma vez que o layout é personalizado) podem aproveitar os recursos do iate chinês — que não são poucos —, a começar pela vista privilegiada do mar.


O salão principal é envolto em grandes janelas e portas de vidro, responsáveis por levar ao interior da embarcação uma ampla entrada de luz natural. À noite, por outro lado, elas podem ser fechadas para dar vez à iluminação artificial, que forma no ambiente um tipo de céu estrelado em azul.


Seja qual for o horário, quem escolher essa área para relaxar terá à disposição dois sofás curvos, em formato orgânico, onde o estofado se encaixa em uma estrutura metálica bastante moderna. Posicionados um à frente do outro, ambos contam com o apoio de uma mesa.


A área, bastante espaçosa, tem ao fundo uma TV elevatória de 65 polegadas que, quando aberta, revela uma espécie de “sala particular”, onde estão acomodados um karaokê, sistema de som, bar privativo e uma mesa com quatro cadeiras.




A cozinha, completa, apresenta uma ampla bancada em U. Armários embutidos estão espalhados por todo esse ambiente, dando aos hóspedes a possibilidade de aproveitar sem apertos, tal qual em uma verdadeira casa flutuante.




No flybridge, por sua vez, a marca chinesa não economizou no espaço. Por ali se desenha um salão amplo, com direito a um bar comprido e sofás que acomodam, no mínimo, as 12 pessoas a bordo de uma vez — sem contar as banquetas do bar. Há ainda, claro, uma grande mesa de apoio.




Na proa há mais espaço para o relaxamento. Os hóspedes podem aproveitar a vista desobstruída numa jacuzzi instalada ao centro de dois solários, além de mais dois sofás, cada um com sua mesinha de apoio.


Já na popa, o beach club dispõe de deck feito em teca, acesso direto ao mar e plataforma elevatória opcional. O espaço ainda acomoda uma grande mesa, de onde é possível reunir todos os visitantes para uma refeição com direto a uma vista impecável da paisagem.


Para empurrar tudo isso, o Allegro Flybridge 98 contará com duas opções de motorização: uma dupla de 1136 hp ou de 1400 hp.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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