“Palácio flutuante”: iate de 138 metros tem lounge submarino e piscina com fundo de vidro

30/10/2024

Nem super, nem mega, nem hiper. O mercado náutico acaba de ganhar um dos seus mais audaciosos conceitos: o gigaiate Inspire, de atordoantes 454 pés (cerca de 138 metros de comprimento). A embarcação foi projetada pela Sinot Yacht Architecture & Design, e anunciada no Monaco Yacht Show.

O apelido de “giga” não é à toa, visto que apenas iates maiores que 90 metros de comprimento possuem essa alcunha. Assim como seu tamanho, a mistura alucinante de luxo e inovação do barco traz recursos audaciosos, como um “lounge submarino”, uma piscina paradisíaca e um teatro em alto-mar. Mas vamos por partes.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Começando pelo casco em tom azul-esverdeado, que parece até refletir o céu e o mar. Isso porque o exterior foi projetado, justamente, para se misturar com o entorno, característica que fica evidente com o envidraçamento do chão ao teto e as múltiplas escotilhas.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Ainda na linha de ligar os hóspedes ao exterior da embarcação, o gigaiate Inspire foca em lounges ao ar livre e deques externos sombreados. As janelas amplas também ajudam a “confundir” entre o que é espaço interno e externo no barco.

Um palácio flutuante

Tamanho espaço possibilita que o layout ofereça praticamente um clube, só que dentro do Inspire. Por lá estão espaços sociais e privados que, no total, acomodam confortavelmente 22 hóspedes e 52 membros da tripulação, em seis deques.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação
Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

O proprietário ganha um deque todo para chamar de seu, com quase 250 m² de convivência privada, no topo do Inspire. Este retiro luxuoso inclui uma suíte principal espaçosa, dois camarins, lounge com parede de vidro, jardim de inverno e um terraço ao ar livre.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação
Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Ainda há duas suítes de luxo localizadas no deque principal, na lateral boreste da embarcação — que, mais uma vez, traz o que está do lado de fora quase que para dentro do barco. Cada suíte apresenta uma escotilha gigante, que pode ser estendida para se transformar numa varanda próxima da água.

Lounge submarino, teatro particular e bem-estar

Aqui começa o espetáculo. Melhor do que um longe no topo do gigaiate, só um salão de observação submerso a cinco metros da superfície do mar. Chamado de Nemo, este espaço que passa a sensação do hóspede estar dentro de um aquário gigante oferece uma imersão singular na vida subaquática.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação
Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Entretanto, este não é o único lugar que oferece uma experiência fora do comum. A “piscina do buraco azul” — como a própria Sinot nomeou — tem formações rochosas artificiais a sua volta e um fundo totalmente de vidro. É como se fosse um pedacinho particular do Caribe.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação
Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Como se não bastasse o espetáculo que é o gigaiate Inspire, todos que nele estão podem assistir a um show enquanto o barco navega, graças a um teatro. O espaço, que pode acomodar até 40 convidados, foi projetado para também ser um ponto de encontro, troca de ideias e socialização.

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Por fim, todo o luxo do barco é também sinônimo de conforto. O Inspire ostenta um centro de bem-estar completíssimo, com academia, sauna, hammam, salas de massagem e tratamento. Tudo isso navegando a uma velocidade de 16,5 nós (aproximadamente 30 km/h).

Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação
Foto: Sinot Yacht Architecture & Design/ Divulgação

Já que este gigante de 454 pés ainda é um conceito, o gigaiate Inspire espera um comprador. Quando será que veremos este palácio flutuante sair do papel e navegar pelos mares?

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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