Peixe-boi-marinho “participa” de passeio de jangada em São Miguel dos Milagres; assista!

Animal resolveu se agarrar à embarcação durante passeio pelas piscinas naturais da região. Espécie está ameaçada de extinção no Brasil

09/03/2026
Segundo estimativas, existem 1,1 mil peixes-bois-marinhos na área compreendida de Alagoas até o Piauí. Foto: Thaís Miranda / TikTok @thaiscmiranda07 / Reprodução

Um passeio pelas águas translúcidas das piscinas naturais de São Miguel dos Milagres (AL), por si só, já é um momento mágico. Mas Thaís Miranda, que visitava o local no final de dezembro de 2025, ganhou um “bônus” mais do que especial para a jornada. Um peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) que passava por ali resolveu se agarrar à jangada em que a jovem estava, protagonizando uma cena inesquecível.

Ela, claro, não deixou de registrar o momento único, e a cena já acumula mais de 160 mil visualizações em seu perfil no TikTok. Confira:

 

@thaiscmiranda07 Passeio de jangada pelas piscinas naturais de São Miguel dos Milagres, mas o que eu não sabia é que ganharia de presente a companhia de um exemplar de peixe-boi de vida livre O ICMBio atua na região com ações de monitoramento e proteção dos habitats naturais, garantindo a preservação dos peixes-boi. Além disso, existem associações, como o Projeto Peixe-Boi, que desenvolvem iniciativas de conscientização, educação ambiental e até mesmo resgate e reabilitação dos animais, promovendo o equilíbrio entre o desenvolvimento turístico e a conservação da fauna local. #peixeboi #jangadapeixeboi #peixeboialagoas #saomigueldosmilagresalagoas ♬ som original – Trechos Brasil Oficial

Ao fazer o passeio, Thaís destacou que “não sabia que ganharia de presente a companhia de um exemplar de peixe-boi de vida livre”, conforme destacou em sua publicação. O post, aliás, acumula mais de 500 comentários, tais quais o de Ingrid Oliveira, que ressaltou: “Não tem bicho aquático mais fofo e amável que o peixe-boi”.

Um símbolo da natureza local ameaçado de extinção

Apesar da surpresa, a presença do peixe-boi-marinho é um elemento real da natureza dessa região — ainda que ameaçado de extinção no Brasil, especialmente pela caça, captura acidental em redes de pesca, perda de habitats e ocupação costeira desordenada.

Foto: Thaís Miranda / TikTok @thaiscmiranda07 / Reprodução

Segundo estimativas, existem aproximadamente 130 mil animais da espécie no mundo todo, embora o número caia para cerca de 1,1 mil indivíduos na área compreendida de Alagoas até o Piauí, conforme dados da Fundação Mamíferos Aquáticos, da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal do Rio Grande.

 

O número coloca o peixe-boi-marinho entre um dos mamíferos aquáticos mais ameaçados de extinção em território nacional. Não à toa, São Miguel dos Milagres faz parte da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foto: Associação Peixe-Boi / Divulgação

O registro feito por Thaís reforça a importância do trabalho de preservação na região, a exemplo, também, da Associação Peixe-Boi, uma organização comunitária sem fins lucrativos formada por moradores de Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres, no litoral norte de Alagoas, que atua na conservação do peixe-boi-marinho por meio do turismo ecológico de base comunitária.

 

A entidade organiza passeios controlados de observação no Rio Tatuamunha, como o feito por Thaís, seguindo normas ambientais para proteger a espécie e seu habitat, ao mesmo tempo em que gera renda para a comunidade e promove educação ambiental e valorização cultural na região.

Como ele é

Embora possam chegar aos 4 metros de comprimento e pesar até 1.000 kg, os peixes-bois-marinhos são considerados criaturas dóceis e cativantes, de cara arredondada, olhos pequenos e o tradicional corpo roliço.

Foto: Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho / Divulgação

Segundo o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, que também atua em frentes como conservação e pesquisa para evitar a extinção do animal, o nome “peixe-boi” se deu pela alimentação da espécie, que consome, principalmente, uma planta chamada capim-agulha.

 

Esse herbívoro de pele rugosa (cinza ou marrom-acinzentada) também se alimenta de algas marinhas e folhas de mangue — quando adulto, é capaz de consumir até 60 kg de plantas aquáticas por dia.

 


Os pelos no focinho, chamados de vibrissas, são sensíveis. As narinas ficam na parte superior e, apesar de não ter orelhas, pequenos orifícios auditivos atrás dos olhos garantem boa audição. Para nadar, o animal usa a nadadeira caudal para impulsão e as peitorais, com unhas, para direção — apesar do peso, eles são bastante ágeis na água.


A gestação do peixe-boi-marinho dura cerca de 12 meses e, como a amamentação pode se estender por até dois anos, o intervalo entre partos é de três a quatro anos. A espécie, aliás, se comunica por vocalizações, essenciais para o vínculo entre mãe e filhote.

 

Uma curiosidade é que, quando em atividade, os peixes-bois-marinhos podem ficar de 1 a 5 minutos debaixo d’água, sem respirar — depois, precisam subir à superfície para recuperar o fôlego. Já quando em repouso, eles podem permanecer até 20 minutos submersos.

 

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