Moon boat: conheça o barco em forma de lua pensado para enfrentar as águas do Golfo de Bengala
Famosa na costa de Bangladesh, a embarcação artesanal chama atenção pelo formado arqueado do casco, que lembra uma lua crescente


Na costa sudeste de Bangladesh, na região de Cox’s Bazar, um tipo de barco não passa despercebido: o moon boat (barco lunar, na tradução para o português). O nome é inspirado no formato arqueado do casco, que lembra uma lua crescente. Mais que um design atípico, essas embarcações são resultado da adaptação das comunidades locais às condições desafiadoras do Golfo de Bengala.
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Localizada na parte nordeste do oceano Índico, essa baía é considerada a maior do mundo, com cerca de 1600 km de largura e uma profundidade média de 2600 metros. Por lá, navegar é um desafio — especialmente perto da costa, onde a combinação de mar agitado, forte zona de arrebentação e alta incidência de ciclones torna as condições pouco favoráveis.


Foi justamente pensando em formas de driblar essas águas que nasceram os moon boats. A curvatura acentuada do casco permite que a embarcação consiga atravessar mais facilmente a faixa de arrebentação, marcada por ondas fortes e bancos de areia — criados, principalmente, pelo volume de sedimentos trazidos por rios como o Ganges e o Brahmaputra.


O trabalho, artesanal, tem origem associada às populações costeiras do sudeste de Bangladesh, com influência cultural do povo Rakhine, da vizinha região de Arakan (atual Mianmar). Para produzi-los, pescadores aproveitam materiais locais, como madeira, bambu e fibras naturais, e seguem técnicas transmitidas de geração em geração.


Ao longo dos anos, os moon boats passaram a ser incrementados também com motores simples — sem deixar de lado suas características tradicionais, consideradas parte do patrimônio cultural marítimo da região.
Atualmente, embora ainda sejam utilizados — principalmente nas praias de Cox’s Bazar —, a escala desses barcos vem diminuindo, em consequência da substituição por barcos mais modernos e pelo risco de desaparecimento do conhecimento de construção, transmitido, tradicionalmente, de forma oral.


Para evitar esse cenário, a organização sem fins lucrativos Watever liderou, em 2013, um projeto de documentação e reconstrução de um moon boat, registrando técnicas ancestrais e promovendo sua valorização como patrimônio naval. Assim, desde 2014, a instituição apresenta o barco na França para destacar o patrimônio cultural de Bangladesh.
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