Na Espanha, praia de areia preta já abrigou espiões da Guerra Fria e hoje é point de turistas

Playa de Puerto Naos contrasta escuridão da areia com azul do mar e simpáticos prédios coloridos, além de ostentar o selo Bandeira Azul

28/05/2024
Foto: Rufus46 / Wikimedia Commons / Reprodução

Quem olha para a Playa de Puerto Naos, na Espanha, e se encanta por sua charmosa areia preta cercada de prédios coloridos e um límpido mar azul, não imagina que o local carrega uma história muito mais curiosa que a sua coloração. Por lá, um vulcão dita sua existência e até espiões americanos já se estabeleceram durante a Guerra Fria.

A história da Playa de Puerto Naos se estende por muito mais do que sua pequena área de 120 metros (segundo as autoridades das Ilhas Canárias), e alcança tanto a história da humanidade, quanto questões curiosas da natureza.

 

Localizada na ilha de La Palma, parte da província de Santa Cruz de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, a praia carrega consigo elementos que a fazem, de fato, especial.

Foto: Rufus46 / Wikimedia Commons / Reprodução

Cercada de prédios coloridos e banhada por uma água que dá a ela o título de praia “Bandeira Azul“, a Playa de Puerto Naos é um daqueles pontos turísticos certeiros, para aproveitar sem perrengue: além de ser acessível a cadeirantes, o local dispõe de chuveiros, vestiários, guarda-sóis e espreguiçadeiras para aluguel, bares, restaurantes e até lojinhas.

Foto: Black_Ninja / Flickr / Reprodução

A praia ainda pode ser acessada por meio de transporte público e carros (há estacionamento). A única “questão” é que Puerto Naos tem horário de funcionamento: fica aberta aos turistas entre 11h e 18h, e é preciso obter um QR code com antecedência para ter sua entrada autorizada.

O que se esconde por trás da praia de areia preta

Apesar de chamar atenção tanto pela beleza de seu mar azul, dos simpáticos prédios coloridos e por toda comodidade oferecida aos turistas, é claro que a Playa de Puerto Naos ainda se destaca em maior grau pela coloração escura de suas areias.

 

Essa maravilha da natureza é resultado, justamente, de ações naturais. Isso porque todo seu terreno foi formado em torno ou como resultado de erupções, que acumularam sedimentos devido à erosão de rochas pela água de rios ou mares, formando um depósito natural de minerais.

Foto: antgirl / Flickr / Reprodução

Por isso, nesse tipo de terreno é possível encontrar desde pedras preciosas como topázio, rubi, safiras e diamantes, até elementos raros, como tungstênio e zircônio — a depender das origens do local e do tipo de formação geológicas encontradas.

 

No caso de Puerto Naos, a praia de areia preta é resultado da erosão do basalto que compunha o magma expelido pelos vulcões das Canárias, segundo as autoridades de turismo do arquipélago. Uma vez solidificado, ele eventualmente se “quebrou” até se tornar a costa escura que hoje chama atenção ao primeiro olhar. Há, inclusive, outras praias de areias escuras nas Ilhas Canárias, como Charco Verde e Playa de Martiánez.

Espiões na praia de areia preta

Durante a Guerra Fria, por volta de 1962, os Estados Unidos precisavam de uma solução para o avanço russo na construção de submarinos. Para isso, o país decidiu estabelecer bases “espiãs” na costa europeia e, uma delas ficou, justamente, na Playa de Puerto Naos, que estava próxima ao aeroporto de Buenavista, em Breña Alta.

 

Depois de pronta a construção da base, por volta de 1963, oficiais dos EUA começaram a contratar moradores locais para trabalharem de forma sigilosa em seu “projeto” que, de fora, estudava e monitorava baleias por hidrofonia mas, por dentro, tentava controlar a navegação de submarinos no Oceano Atlântico.

 

Cerca de cinco anos depois, em 1968, um submarino nuclear americano, batizado de USS Scorpion, desapareceu com 99 homens a bordo, dando início a um dos episódios mais marcantes da praia. Uma busca incessante pelos desaparecidos seguiu por 15 dias, durante 24h, até a embarcação ser localizada.


Segundo a imprensa espanhola, aviões das Forças Armadas dos EUA jogavam cargas sobre o oceano que explodiam nas águas, produzindo eco recebido pela base e, assim, eventualmente localizando o submarino. O final, contudo, não foi feliz: a embarcação afundou no Atlântico tirando as vidas dos tripulantes, e o “caso Scorpion” se tornou polêmico por conta das famílias afetadas e da imprensa.

 

Tudo isso, contudo, são águas passadas. A base perdeu força nos anos 70 devido ao desenvolvimento do monitoramento via satélite e, consequentemente, no fim dos anos 80, seu terreno foi devolvido às autoridades de La Palma.

 

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