Membro da família Real da Noruega disputa o Brasileiro ABVO de Veleiros de Oceano em Búzios
Nascido na Noruega e radicado no Rio de Janeiro desde os três meses de idade, Haakon Lorentzen seguiu a tradição da família Real da Noruega que é multicampeã da vela. Ele será mais uma atração do Campeonato Brasileiro de Veleiros de Oceano, a Búzios Sailing Week que acontece entre os dias 18 e 21, na Semana Santa, na cidade de Búzios, na Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro.
Haakon é neto do Rei Olav V da Noruega que ocupou o trono norueguês entre a década de 50 até 1991. Olav V foi um dos mais populares reis daquele país e fez sucesso no esporte ao conquistar em 1928 a medalha de Ouro em barco de seis metros nos Jogos Olímpicos de Amsterdã, na Holanda. Tio de Haakon, Harald V é o atual Rei da Noruega e participou de várias Olimpíadas com títulos na Kiel Week e One Ton Cup.
Filho da princesa Ragnhild, Haakon se apaixonou pela vela aos sete anos de idade quando começou a competir de Optmist e se inspirou na família para seguir caminho no esporte como hobbie e vai comandar o barco DUMA na disputa do título na categoria ORC no Brasileiro ABVO em Búzios.
“Meu avô foi Rei Olav V, meu tio é o atual Rei Harald V. Do lado paterno meu avô tinha um veleiro 12 metros clássico e meu pai (Erling) é dono do Saga (vencedor da Fastnet 1973 entre outros). Todos estes me incentivaram e inspiraram a velejar desde os meus sete anos de Optimist. Hoje em dia mantenho sim algum contato com a Noruega. A compra do Duma – Farr 11s Canting Keel (36 pés) foi principalmente para nos divertir com um barco moderno planador, e por ser Canting Keel e sem Backstay bom é fácil de velejar sozinho. No início tínhamos um rating um pouco desajustado e agora após pequeno ajuste recente, melhora das velas e do entrosamento da tripulação nas manobras, ficamos mais competitivos, especialmente em ventos fortes”, aponta Haakon que se diz animado para a Búzios Sailing Week: “Nossa expectativa é nos divertir na melhor raia do Brasil, e se tiver ventos fortes melhor ainda. Nunca deixamos de participar da Búzios Sailing Week”.
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Além da presença de membro da família Real Norueguesa, o Brasileiro ABVO – Búzios Sailing Week, terá os medalhistas Olímpicos, Lars Grael e Clínio de Freitas. Lars, Bronze em Atlanta 1996 com Kiko Pelicano e Bronze com Clínio em Seul 1988, vai reeditar a parceria medalhista na Coreia do Sul no barco de Niterói (RJ), o Mahalo, comandado por Ricardo Silveira e Colin Gomm.
O evento vem forte com pelo menos três barcos paulistas, o pentacampeão Rudá, de Santos (SP), Zorro e o Boto V, além de barcos do Espírito Santo, com o +Bravíssimo, do comandando Luciano Secchin e Phanton of the Opera com Renato Avelar. O Rio Grande do Sul virá com pelo menos dois barcos, o Crioula 29 e Loyality 06 de Alexandre Leal.
O Campeonato Brasileiro ABVO – Búzios Sailing Week, ainda tem inscrições abertas nas classes ORC (Offshore Racing Council) e IRC (International Rating Certificate). Elas podem ser feitas através do site da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a ABVO. Serão até cinco regatas para definir os campeões brasileiros de cada classe.
“Presença de medalhistas Olímpicos, membro da família Real Norueguesa, o Brasileiro ABVO – Búzios Sailing Week está se aproximando e mantendo a tradição como grande palco do evento da vela brasileira. Estamos empolgados para o evento”, destacou o comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, Adalberto Casaes, comandante do barco Maestrale que recentemente venceu a regata de Aniversário de 99 anos do Iate Clube do Rio de Janeiro.
“A comunidade da Vela Brasileira e até mundial reconhece que Búzios é um local muito especial para a prática do esporte, pois sempre traz bons ventos e mar azul. E por isso realizar o Campeonato Brasileiro onde estarão presentes os principais barcos e tripulações brasileiras é sinônimo que teremos um campeonato de altíssimo nível. Esperamos em torno dos 30 barcos representando os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e talvez Santa Catarina”, destacou Ricardo Baggio, o Kadu, Membro do Comitê Organizador.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




