Madeira rara e mármores premium: veja atributos de iate à venda por R$ 88,2 milhões
Berco Voyager foi entregue pela britânica Sunseeker a proprietário exigente em 2018 e segue amplamente conservado


São muitas as possibilidades quando R$ 88,2 milhões estão à disposição — uma delas, inclusive, é comprar um superiate. Embora uma regalia para poucos, o mercado transborda opções. Uma delas está sendo anunciada pela Maël Fiolet, da Camper & Nicholsons: trata-se do Berco Voyager, uma embarcação luxuosa e cheia de atributos entregue pela britânica Sunseeker, em 2018.
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Parte da série Sunseeker 131, o Berco chegou às mãos de um proprietário exigente e, não à toa, esbanja sofisticação em seus três andares luxuosos. Não bastassem os acabamentos primorosos do estaleiro de 1969, o afortunado fez questão de manter o requinte da embarcação ao longo dos anos e ainda atualizá-la.


Assim, passeando pelos seus 40,05 metros de comprimento (131,3 pés), os olhos mais apurados logo encontram detalhes em Wengué (rara madeira nobre africana) e mármores premium, como Mystery White (elegante pedra natural) e Carrara Gioia (mármore italiano). Combinados, os materiais dão ao interior do barco a classe que um superiate de 13,9 milhões de euros merece.




O conjunto ganha ares ainda mais sofisticados quando a beleza do que está do lado de fora vai ao seu encontro. Isso porque a embarcação foi pensada para receber luz natural em abundância, especialmente no salão principal. Por lá, grandes janelas do chão ao teto garantem que o Berco Voyager se funda à imensidão do mar.


A sensação não vem apenas pelo que se vê ao olhar para fora, mas também pela forma como a luz se comporta a bordo: reflete na marcenaria refinada, no mármore escolhido a dedo e nos estofados que ganham ainda mais conforto quando encontram com o dourado do sol.


Até 12 hóspedes podem aproveitar os recursos do superiate em cinco luxuosas cabines, entre elas, uma suíte máster com largura total da boca no convés principal (cerca de 8,9 metros). O espaço está equipado com TV 55 polegadas, closet, frigobar, penteadeira e banheiro revestido com o mármore italiano Statuario.


As demais ficam no convés inferior e abrigam duas cabines de casal e duas camas de solteiro conversíveis. Há ainda alojamentos para uma tripulação de até oito pessoas.


Se por dentro o Berco Voyager impressiona, por fora, claro, não é diferente. Um dos grandes destaques fica por conta da jacuzzi no convés superior, bem no ponto mais alto do barco. Além da vista privilegiada, o espaço ainda leva um bar totalmente equipado, toldo retrátil, espreguiçadeiras e uma mesa de jantar circular.




Mais abaixo, o deque superior na popa se beneficia de uma grande mesa de jantar feita em madeira do tipo teca, que comporta até 10 pessoas confortavelmente. Há ainda inúmeros espaços feitos para servir de áreas de estar, por isso não faltam espreguiçadeiras, poltronas, mesas ou luz solar.




Para que os passeios fiquem ainda mais interessantes, um sistema de áudio por zonas em todos os deques garante que não falte a música para criar o cenário cinematográfico ideal.
O Berco Voyager está equipado com dois motores MTU de 181 cavalos de potência. O barco navega a 18 nós em cruzeiro e atinge uma velocidade máxima de 24 nós. Para navegar no modelo é necessário desembolsar 13,9 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 88,2 milhões na cotação de setembro de 2025. Veja mais fotos:














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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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