Ameaçadas de extinção, baleias-francas são monitoradas via satélite pela 1ª vez no Brasil

Iniciativa visa entender padrões de migração para ajudar a conservar a espécie. Saiba como acompanhar a movimentação dos animais

20/10/2024
Foto: Marcelo Gah / ProFRANCA / Reprodução

De junho a novembro, as baleias saem da Antártica rumo ao Brasil à procura de águas quentinhas para se reproduzirem. Entre elas estão as baleias-franca (Eubalaena australis), que encontram refúgio, principalmente, no litoral de Santa Catarina. E é justamente por lá que, agora, a espécie ganhou a ajuda da tecnologia para driblar a ameaça de extinção.

Um projeto conduzido por pesquisadores do projeto ProFranca, do Instituto Aqualie e do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul vai monitorar baleias-franca em tempo real, através do uso de satélites. O objetivo é conservar a espécie, que tem sua população atualmente ameaçada, através do entendimento de seus padrões de migração.

Foto: Rafael Soriani / ProFRANCA / Reprodução

Essa será a primeira vez que um trabalho como esse será feito no Brasil. Ao todo, oito baleias que estavam em Imbituba — conhecido como um berçário natural da espécie –, no sul de Santa Catarina, receberam os transmissores.

 

Através dos satélites, pesquisadores conseguirão identificar o caminho feito pelas baleias-francas entre a Antártica e Imbituba, conseguindo, assim, traçar meios de proteger esse corredor e preservar a espécie.

 

Por meio do site oficial do projeto ProFranca, é possível acompanhar o caminho feito pelos animais, batizados de Moçamba, Guarda, Garopa, Ibira, Itapira, Galheta, Jagua e Rincão. A baleia Ibira, inclusive, é conhecida desde 2004, ano em que nasceu. Em 2012 foi registrada com um filhote e, desde então, já teve pelo menos outros dois filhotes em Santa Catarina.

Foto: ProFRANCA / Reprodução

Satélites são alocados nas baleias-francas como “brincos”

Os satélites que vão monitorar as baleias-francas são alocados no animal através de um processo conhecido como telemetria, que implica em instalar o dispositivo no dorso das baleias, como se fossem “brincos”, através de uma espécie de “arpão” com ar comprimido.

Foto: THP-Creative / Envato

O transmissor fica aparente no dorso do animal, assim, sempre que a baleia for à superfície para respirar, o dispositivo vai emitir um sinal para os satélites, com sua localização em tempo real.

 

O processo não oferece riscos ao animal, mas pode gerar uma reação ao disparo. O biólogo Federico Sucunza, que faz esse trabalho há 15 anos, revelou ao G1 que “hoje em dia, a maior ameaça para a conservação das baleias a nível mundial é a colisão com embarcações”.


“Como a gente sabe que ela vai utilizar esses corredores em períodos específicos, a gente pode fazer proposições, tanto de velocidade quanto de evitar essas rotas para minimizar o impacto”, explicou o biólogo.

 

A expectativa é que os transmissores emitam o sinal por um ano, tempo suficiente para que os pesquisadores monitorem todo o ciclo migratório dessas baleias. Conforme os resultados, mais transmissores podem ser aplicados na próxima temporada migratória.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    1400 barcos em águas argentinas: saiba como foi a 49ª Festa Nacional do Surubim

    Tradicional evento argentino reuniu milhares de pessoas e embarcações em programação regada à pesca e cultura

    Nova técnica com pistola de ar comprimido pode revolucionar combate a coral invasor no Brasil

    Estudo mostra que novo método elimina tecido do coral-sol sem risco de regeneração. Tecnologia pode facilitar controle em marinas, cascos e áreas protegidas

    Teste Focker 370 GTX: uma lancha de respeito

    Com navegação rápida, cockpit inteligente e construção certificada, a lancha da Fibrafort mostra por que conquistou os brasileiros

    Qual é a sua desculpa? Jovem cruza rio de barco e encara 40 km para ir à academia

    Awá Pinho, de 18 anos, mora às margens do rio Tapajós (PA) e viralizou nas redes ao mostrar trajeto de quase 2h para ir treinar. Assista!

    1º navio da Marinha com nome feminino vai homenagear pioneira da enfermagem no Brasil

    O Navio de Assistência Hospitalar “Anna Nery” deve entrar em operação no 2º semestre e poderá realizar 500 atendimentos diários em comunidades ribeirinhas