Cada vez menos apavorantes: estudo sugere que águas ácidas do futuro afetem dentes de tubarões
As mordidas cheias de dentes afiados dos tubarões podem não ser eternas. Um novo estudo indica que, no futuro, esses predadores podem perder parte do seu temido poder de ataque graças à acidificação das águas, que tornaria as arcadas dentárias desses animais cada vez mais frágeis.
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Publicado em 26 de agosto de 2025 na revista científica Frontiers in Marine Science, o trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf, na Alemanha, em parceria com institutos locais. O foco foi avaliar os efeitos da acidificação das águas sobre os dentes de tubarões-réquiem.


Para isso, a pesquisa coletou dentes caídos naturalmente que pertenciam ao tubarão-de-pontas-pretas-do-recife (Carcharhinus melanopterus). Durante o teste, foi realizada uma simulação de como essas estruturas reagiriam em um oceano mais ácido, como o previsto para o ano 2300 — e o que os cientistas encontraram é motivo de alerta.
A fim de testar esse cenário, os pesquisadores montaram tanques em laboratório com essa acidez prevista e compararam os dentes mergulhados ali com outros mantidos em água de pH normal. O resultado veio rápido: em apenas oito semanas, as estruturas expostas à água mais ácida apresentavam sinais de desgaste. As raízes, as serrilhas e até a coroa mostraram corrosão significativa.


As análises em microscópio revelaram rachaduras no esmalte e pequenos orifícios na dentina, o que deixa a estrutura mais frágil e vulnerável a quebras. Até mesmo os detalhes finos das serrilhas — fundamentais para cortar e segurar as presas — desapareceram parcialmente.
Outro efeito notado foi o aumento da circunferência dos dentes incubados no pH mais ácido. Segundo os autores, no entanto, esse “crescimento” não significa que o dente ficou maior ou mais robusto. Na prática, foi resultado de irregularidades e deformações nas bordas, fruto da corrosão.
Oceanos cada vez mais ácidos
O estudo lembra que a acidificação dos oceanos é também consequência das atividades humanas que aumentam a emissão de gás carbônico (CO₂). Dissolvido na água, esse excesso de carbono reduz o pH do mar. Hoje, ele gira em torno de 8,1, mas projeções indicam que pode chegar a 7,3 até 2300 — quase 10 vezes mais ácidos do que atualmente.


Vale destacar que os tubarões conseguem regenerar os dentes continuamente. Porém, mesmo com essa habilidade a seu favor, o aumento da acidificação pode exigir substituições mais frequentes, o que dificultaria a mineralização e faria com que o animal gastasse mais energia.
A conclusão dos pesquisadores é que, diante de um oceano mais ácido, até estruturas altamente resistentes como os dentes de tubarão podem se degradar. Essa fragilidade pode comprometer a eficiência predatória, o equilíbrio energético e, a longo prazo, a sobrevivência de espécies que hoje estão no topo da cadeia alimentar marinha.
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