Embarcação centenária encontrada durante obras da COP30, em Belém, será restaurada

Achado arqueológico terminou de ser removido nesta segunda-feira (27). Após restauro, barco será exposto ao público

28/01/2025
Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

Neste ano, a cidade de Belém, no Pará, será o palco da COP30, a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Durante as obras do evento, contudo, algo inesperado aconteceu: um barco centenário foi encontrado soterrado. Seu resgate terminou na última segunda-feira (27).

A embarcação do século 19 foi descoberta em agosto de 2024, no Parque Linear da Nova Doca, na Avenida Visconde de Souza Franco, e começou a ser retirada, de fato, em janeiro de 2025. O processo foi dividido em três etapas — todas já realizadas — , visando a conservação do achado arqueológico.

Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

Uma equipe técnica da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Pará foi acionada assim que a embarcação foi encontrada. Desse modo, a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) recebeu as devidas considerações técnicas sobre as ações de conservação, do resgate adequado e estudos posteriores do achado — além de futuras ações para disponibilizá-lo para visitações.

Barco centenário da COP30: o que se sabe

O barco encontrado nas obras da COP30 é considerado único, uma vez que ainda não se tinha notícias sobre achados do gênero na região — vale destacar que ele foi encontrado a partir de escavações arqueológicas em contextos de licenciamento para obras públicas no Centro Histórico de Belém.

Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

As pesquisas sobre a embarcação seguem sendo atualizadas, mas pesquisadores já conseguem afirmar que se trata de um barco de pelo menos 100 anos.

É, no mínimo, algo do século 19, porque só aqui, enterrada, essa embarcação tem mais de 110 anos– afirmou o arqueólogo Kelton Mendes, ao G1

O achado tem 22 metros de comprimento, 7 metros de largura e 2,25 metros de profundidade. Sua estrutura é composta por ferro, embora existam suspeitas de que pedaços de madeira podem também ter feito parte do barco.

Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

O local em que a embarcação foi encontrada, conhecido como antigo córrego das Almas, funcionava como um entreposto econômico e portuário — que depois foi transformado em um bairro comercial de forma abrupta.

 

O fato tem levado os estudiosos a acreditarem que o achado pode estar relacionado com o tráfego de mercadorias e pessoas. Pesquisas posteriores ainda devem indicar outras características, como se o barco funcionava a vapor ou se tinha operações mais modernas.


Para Kelton Mendes, que também atua com a empresa responsável pela obra do local, a embarcação deve conter informações que contribuam para reflexões acerca da história de Belém e sobre como a sociedade modernizou as relações com os rios, vistos, antes, como as únicas vias de deslocamento antes do aterramento da cidade.

Desenterrado, barco será exposto a visitantes

O Iphan, representado pela superintendente Cristina Vasconcelos e pelo arqueólogo Augusto Miranda, informou que, após o resgate da terceira e última parte — retirada na noite desta segunda-feira (27) — , a embarcação será restaurada e preservada para futura exibição.

Última parte da embarcação encontrada nas obras da COP30 foi retirada na noite desta segunda-feira (27). Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

“Atualmente, temos uma estrutura composta inteiramente de ferro, mas a equipe de arqueologia continuará investigando para descobrir: havia partes de madeira? Poderia ser um barco a vapor? Essas respostas ajudarão a contar nossa história daqui em diante”, destacou Cristina.

 

Estima-se que o processo de restauração dure cerca de 150 dias (cinco meses). A COP30 está marcada para acontecer de 10 a 21 de novembro deste ano.

 

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