Comentaristas do SailGP 2025 analisam desempenho do time brasileiro e destacam estilo da líder Martine Grael
Todd Harris e Lisa Darmanin acreditam que o Brasil está à frente do esperado para uma equipe estreante — e atribuem parte do resultado à postura da capitã


A performance da equipe Mubadala Brazil em sua primeira temporada no SailGP, em 2025, tem chamado a atenção dentro e fora da água. Durante mesa-redonda com comentaristas oficiais da competição realizada nesta segunda-feira (24), às vésperas da decisão em Abu Dhabi, o Brasil foi citado não apenas pelos resultados, mas pela postura enquanto equipe estreante.
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Segundo Lisa Darmanin, medalhista olímpica e analista técnica da liga, e Todd Harris, locutor esportivo premiado com o Emmy, o time liderado por Martine Grael demonstra uma maturidade competitiva além do esperado para uma primeira temporada.
Martine está bem em ser a única piloto mulher, mas ela não usa isso. Não é uma muleta, não é algo em que ela se apoia quando têm um dia ruim. Ela quer ser avaliada igualmente em todos os aspectos e não importa que ela seja mulher. Eu amo isso nela e amo a forma como ela veleja-destacou Harris à Revista Náutica


Mais do que igualdade, o que impressiona os comentaristas é a intensidade com que a capitã encara cada regata. Harris também observou que Martine leva cada competição “muito a sério” e que não disfarça a frustração quando não vence — característica que, segundo ele, revela um traço tipicamente brasileiro, de quem agarra o esporte com corpo, alma e intensidade.
Os brasileiros têm aquele amor pelo esporte, seja futebol ou vela, e carregam isso na manga-complementou
Sob o ponto de vista técnico, Darmanin contextualizou que a posição atual do Mubadala Brazil SailGP Team na tabela é o esperado para uma equipe que participa da primeira temporada. No entanto, frisou que o ranking — onde hoje o time brasileiro aparece na 11ª posição de 12 no total — não traduz o ritmo de evolução do grupo.
É apenas um ‘snapshot’, incapaz de refletir a jornada de desenvolvimento ou os momentos de excelência-afirmou Lisa à Revista Náutica
A medalhista olímpica também relembrou o acidente sofrido pelo time brasileiro na véspera da etapa na Alemanha, que fez com que a equipe não participasse daquela disputa. Darmanin elogiou a postura do time diante do desafio: “O que eles fizeram foi voltar e saíram disparando”.


Segundo a comentarista, conquistar duas vitórias na temporada de estreia é um forte indicativo de potencial, especialmente considerando que algumas equipes levaram várias temporadas para vencer pela primeira vez. No caso do time brasileiro, a primeira vitória em uma regata aconteceu em Nova York, nos Estados Unidos, e a segunda em Cádiz, na Espanha.


Já quando o assunto é ambição, ambos apontaram novamente para a postura de Grael, que segundo eles sempre se portou como campeã.
Ela não está contente em ficar na parte inferior da tabela de classificação e definitivamente queria estar no topo. É isso que fazem os grandes campeões: eles nunca estão felizes com o medíocre. Eles querem ser grandes. E você pode ver o fogo dentro dela-falou Lisa Darmanin


Para Harris, essa mentalidade deve se traduzir em resultados ainda mais expressivos nas próximas disputas — seja na etapa final ou mesmo na próxima temporada do SailGP, em 2026.
O Brasil está à frente do esperado para uma equipe de primeiro ano e acho que Martine vai ganhar mais do que apenas duas corridas neste ano-comentou Todd
O comentarista também revelou suas expectativas para o time brasileiro no SailGP 2026, que terá uma etapa no Rio de Janeiro. Ele admitiu ter expectativas altas e acredita que a equipe brasileira possa avançar significativamente, como as equipes da Alemanha e Itália fizeram neste ano.
A Grande Final do Mubadala Abu Dhabi Sail Grand Prix, que encerra a temporada 2025, pode marcar o início de um ciclo diferente para a equipe brasileira, ainda que não se traduza no pódio da classificação geral. Se até agora o Mubadala Brazil SailGP Team era visto como um projeto emergente, o tom dos comentaristas indica a transição para potencial protagonista a partir das próximas competições.
E, se depender de uma líder que recusa privilégios e exige igualdade, o time parece pronto para cruzar essa linha com determinação — e, como disseram os especialistas, com fogo nos olhos.
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