“À prova do futuro”: conheça o superiate Azzurra 48
O mercado náutico está em crescente expansão, por isso se destacar em meio à tantas opções se faz cada vez mais difícil. Nesses momentos, uma “collab” não é má ideia. Assim nasceu o Azzurra 48, um superiate pensado pelo renomado designer italiano Mauro Giamboi em parceria com a holandesa Van Oossanen Naval Architects, que atua no setor desde 1992.
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O modelo de 48 metros (157 pés) entra para a linha Azzurra de superiates semi-customizados da Giamboi Designs, que já conta com outros dois modelos menores: o Azzurra 40, de 40,2 metros (132 pés) e o Azzurra 36, de 36 metros (118 pés).
Em meio a projetos cada vez mais futurísticos, a ideia é que o design do Azzurra 48 faça deste um barco atemporal, “à prova do futuro” — sem deixar de atender às demandas dos proprietários em termos de aparência e tecnologia.


Para isso, a embarcação combina o estilo clássico de raízes italianas de Giamboi com a engenharia de ponta holandesa, impressa, inclusive, no sistema Fast Displacement Hull Form (FDHF), que visa melhorar a eficiência e o desempenho das embarcações por meio da otimização do formato do casco, o que promete redução no consumo de combustível e melhor eficiência.


“O Azzurra 48 exemplifica nossa visão de um superiate semi-customizado, onde volume expansivo, estilo italiano refinado e a tecnologia FDHF da Van Oossanen convergem para oferecer desempenho, luxo e adaptabilidade além das expectativas”, explicou Mauro Giamboi.
Destaques do Azzurra 48
Com pouco menos de 500 toneladas brutas (GT), o Azzurra 48 é versátil, podendo ser aproveitado tanto para relaxar em passeios curtos, quanto para explorar destinos remotos em viagens mais longas — com um casco, inclusive, preparado para enfrentar condições de gelo.


Seu perfil elegante e atemporal fica visível nas linhas fluidas no convés, na proa reta e no convés de popa aberto, enquanto seus traços modernos podem ser observados nos terraços abertos — espaços de estar ao ar livre que se conectam plenamente às áreas internas.


Nesse sentido, destaca-se o deque alongado na popa, que dispõe de uma luxuosa piscina infinita com fundo de vidro, envolta em espreguiçadeiras. Por lá, plataformas dobráveis garantem ainda mais espaço à beira-mar. O salão principal, equipado com sofás curvos e uma mesa de jantar, é acessado por imponentes portas de vidro — detalhes que criam uma atmosfera moderna e relaxante.


As acomodações comportam até 18 pessoas em cabines conversíveis entre camas de solteiro e de casal. Para que todos se sintam como em casa, a tripulação conta com rotas exclusivas dentro do iate, inclusive com um elevador à disposição.
O proprietário pode curtir vistas esplendorosas diretamente de sua suíte master, localizada no convés superior. O espaço foi projetado como um “refúgio privativo”, equipado com uma grande varanda com piscina de imersão. As mordomias, contudo, se estendem a quem mais estiver a bordo, a exemplo de uma área de bem-estar no convés inferior, com sauna a vapor e suíte de massagem.


Em termos de potência, o proprietário pode escolher entre dois motores Caterpillar C32 ACERT (IMO Tier III), dois motores MTU 12V 2000 M96L, ou ainda por uma configuração híbrida, que fornece 2.200 kW por meio de geradores de bordo. O superiate Azzurra 48 deve atingir uma velocidade máxima de 16 nós e um alcance de 4.250 milhas náuticas a 11 nós.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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