Coquetel de lançamento marca inauguração oficial da nova Marinas do Atlântico, em Angra dos Reis

Evento reuniu autoridades e figuras importantes no universo náutico. Celebração ocorreu durante o 2ª dia de Salão de Usados NÁUTICA

21/11/2025
Foto: Rafael Simões/ Revista Náutica

A cidade de Angra dos Reis agora tem um novo polo náutico para chamar de seu! Em coquetel realizado na noite desta sexta-feira (21), foi oficializada a inauguração da novíssima Marinas do Atlântico, evento que contou com presença de autoridades e marcou uma nova fase na infraestrutura náutica do Rio de Janeiro.

A festa de lançamento da nova marina foi acompanhada por nomes como Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica; Thalita Vicentini, diretora do Boat Show Eventos/Grupo Náutica; Otto Aquino, diretor da Revista Náutica; Clovis Greca, idealizador e proprietário da Marinas do Atlântico e Rubens Rocha de Andrade, vice-prefeito de Angra dos Reis.

Foto: Rafael Simões/ Revista Náutica

Em seu discurso de inauguração, Clovis Greca agradeceu a todos os envolvidos no projeto e destacou a melhoria que a Marinas do Atlântico trouxe à região — principalmente para um lugar descrito como “deteriorado” anteriormente, conforme conta o idealizador da marina.

Gosto muito de restaurar, transformar e dar vida novamente a um local. Gosto muito mais mais de recuperar algo do que construir algo novo– declarou Greca

Clovis destaca a resiliência do projeto e o longo caminho percorrido do início até a inauguração da marina, que levou seis anos para ficar pronta: dois anos esperando a pandemia (o local foi comprado três meses antes), mais dois fazendo licenças e outros dois construindo.

Foto: Rafael Simões/ Revista Náutica

A nova Marinas do Atlântico carrega consigo os píeres da SF Marine, uma das empresas mais antigas do mundo nesse mercado. Estes são de concreto, pesando de 20 a 40 toneladas e que oferecem muita estabilidade e durabilidade.

Não fizemos só uma marina. Nós fizemos uma estrutura, uma coisa rara no Brasil– destacou o idealizador

“Acredito que esse seja apenas o primeiro dia de um grande futuro. Que tenhamos outros eventos que reúnam pessoas, que tragam gente de fora e que curtam com a gente para promover o setor náutico”, completou.

Autoridades presentes na inauguração da Marinas do Atlântico. Foto: Rafael Simões/ Revista Náutica

Rubens Rocha de Andrade (ou Rubinho), que também esteve no coquetel de lançamento da Marinas do Atlântico, contou estar feliz e realizado em ver o empreendimento finalmente funcionando. Ele também se disse grato por ter contribuído diretamente com Clóvis em situações referentes às licenças para a marina — que agora ganham forma e propósito.

Um espaço que há 6 anos estava abandonado, hoje se torna essa linda marina que tenho certeza que vai gerar muito emprego e renda para o nosso município-afirmou Rubinho

A cerimônia ocorreu durante o Salão de Usados NÁUTICA, primeira edição do salão de barcos seminovos, que vai até este domingo (23). Promovida pela Boat Show Eventos, o evento oferece ao público a oportunidade de comparar modelos, realizar test-drives e negociar diretamente com os principais brokers e revendas do país.

Confira as fotos da cerimônia de inauguração da Marinas do Atlântico

 

Confira as fotos de quem esteve no encontro!

 

 

Novo polo náutico de Angra

Localizada em um dos cenários mais deslumbrantes da Costa Verde, na Baía do Pontal, a Marinas do Atlântico nasce com o DNA da excelência. Totalmente abrigada e com fácil acesso pela Rodovia Rio-Santos, a marina oferece infraestrutura completa e de padrão internacional — tornando-se o novo point náutico da região de Angra dos Reis.

Nova Marinas do Atlântico. Foto: Victor Santos/ Revista Nátuica

O espaço conta com 140 vagas molhadas, calado de 3 metros, para barcos de 50 a 120 pés; pátio de serviço com 4.200 m², preparado para atender embarcações de grande porte e travel lift com capacidade para 240 toneladas, além de posto de combustível náutico e terrestre.

Nova Marinas do Atlântico. Foto: Victor Santos/ Revista Nátuica

A nova Marinas do Atlântico ainda tem estacionamento coberto e descoberto. No quesito serviços, o lugar oferece lazer e comodidade por meio de lojas, oficinas, restaurantes, acomodações e outras opções diversas. O ambiente também receberá, em breve, uma farmácia.

Nova Marinas do Atlântico. Foto: Victor Santos/ Revista Nátuica

Todos os flutuantes instalados contam com transformadores e geradores dedicados, garantindo energia estável e segurança elétrica de alto padrão.

Com informações de Bárbara Mattana, enviada especial a Angra dos Reis


Salão de Usados NÁUTICA

O evento promete ser uma experiência completa para quem quer viver o mar em todas as suas formas. Durante quatro dias, os visitantes podem participar de test-drives, experimentando diferentes embarcações, comparando modelos e descobrindo qual barco combina melhor com seu estilo, sentindo na prática a emoção de navegar.

 

Além da experiência a bordo, o evento oferece momentos de sunset e networking, com música ao vivo, circuito de palestras do NÁUTICA Talks, aulas de motonauta e arrais e workshop de nós durante todos os dias de salão — perfeito para encontros entre compradores, vendedores e formadores de opinião do mercado náutico.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Tudo isso acontece na nova Marinas do Atlântico, totalmente abrigada e com fácil acesso pela Rodovia Rio-Santos. A programação também valoriza a gastronomia à beira-mar, com uma praça gastronômica e restaurante da marina que combinam boa comida, a brisa do mar e vistas de tirar o fôlego.

 

Para completar a experiência, visitantes encontram ativações exclusivas e atrações projetadas para celebrar o prazer de navegar. É a oportunidade de conhecer marcas, brindar o verão e vivenciar o verdadeiro espírito náutico.

 

Anote aí!

Quando: De 20 a 23 de novembro de 2025;
Onde: Marinas do Atlântico, em Angra dos Reis (RJ);
Horário: das 10h às 20h;
Saiba mais no site oficial do evento;
Faça seu credenciamento gratuito!

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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