Eclipse lunar chama atenção para a influência da Lua na navegação

Fenômeno pôde ser visto no Brasil na madrugada desta sexta-feira (28); embora o eclipse não altere o mar, as fases lunares têm impacto direto nas marés, correntes e navegação noturna

28/08/2026
Imagem ilustrativa. Foto: olga2626 / Envato

O céu chamou atenção na madrugada desta sexta-feira (28), quando um eclipse lunar parcial profundo pôde ser observado em todo o Brasil. O fenômeno aconteceu durante a Lua cheia e obscureceu 96,2% do disco lunar, criando a aparência de um eclipse quase total, segundo o Observatório Nacional.

Pelo horário de Brasília, o eclipse começou na fase penumbral às 22h24 de quinta-feira (27). A fase parcial, mais perceptível a olho nu, teve início às 23h34, e o ponto máximo ocorreu à 1h13 desta sexta-feira, quando a maior parte da Lua ficou encoberta pela sombra da Terra. Veja o registro feito pelo fotógrafo Rodolfo Bührer em Curitiba (PR).

 


Ao contrário dos eclipses solares, o eclipse lunar pôde ser observado sem filtros especiais. A visibilidade, no entanto, dependeu das condições do tempo em cada região.

O eclipse muda alguma coisa no mar?

O eclipse em si não altera a navegação de forma relevante. Ele não provoca, sozinho, uma maré excepcional nem muda vento, ondas ou correntes por causa do escurecimento da Lua.

 

Para quem estava no mar durante o fenômeno, o efeito mais direto foi visual. Durante o auge do eclipse, a Lua perdeu brilho por algumas horas, reduzindo a iluminação natural em navegações noturnas, fundeios, aproximações de costa, deslocamentos em canais ou permanência em áreas com pouca luz artificial.

 

Ou seja: o ponto de atenção para a náutica não é exatamente o eclipse, mas a fase lunar em que ele ocorreu.

Lua cheia e marés mais fortes

Eclipses lunares sempre acontecem na Lua cheia, quando Sol, Terra e Lua estão alinhados. Esse alinhamento também está associado às chamadas marés de sizígia, que ocorrem na Lua cheia e na Lua nova.

 

 

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Na prática, são períodos em que a diferença entre maré alta e maré baixa tende a ser maior. Isso pode significar preamares mais altas, baixa-mares mais baixas e correntes de maré mais intensas, dependendo da região.

 

Para navegadores, essa variação merece atenção em situações como entrada e saída de barras, travessia de canais, aproximação de marinas, uso de rampas, fundeio e navegação em áreas rasas.

Onde isso pesa mais para quem navega

Em locais com pouca profundidade, uma baixa-mar mais acentuada pode expor bancos de areia, pedras, lama ou obstáculos. Em canais, rios e bocas de baía, a corrente de maré pode ganhar força e dificultar manobras, especialmente para embarcações menores.

Imagem ilustrativa. Foto: wirestock / Envato

No fundeio, a variação maior do nível da água também deve ser considerada. É preciso calcular bem a profundidade, o comprimento da amarra e o raio de giro, levando em conta que a embarcação pode estar em uma condição na hora da ancoragem e em outra algumas horas depois.

 

Em píeres fixos e marinas expostas à maré, a atenção vale para cabos, defensas, passarelas, rampas e altura da embarcação em relação ao cais.

Lua cheia ajuda, mas exige planejamento

A Lua cheia costuma favorecer a navegação noturna porque aumenta a visibilidade natural. Em travessias, velejadas à noite ou pernoites fundeados, o luar ajuda a perceber contornos da costa, outras embarcações e referências no entorno.


No eclipse desta madrugada, essa vantagem foi parcialmente reduzida durante o período de maior escurecimento. Ainda assim, o fator mais importante segue sendo o planejamento: consultar a tábua de marés, observar previsão de vento e ondas, avaliar corrente local e redobrar atenção em trechos rasos ou abrigos com grande variação de nível.

Lua nova: maré forte e noite escura

A Lua nova também gera marés de sizígia, mas com uma diferença importante para a navegação: à noite, há pouca ou nenhuma iluminação natural. Isso aumenta a dependência de instrumentos, luzes de navegação, carta eletrônica, radar, AIS, lanterna e referências costeiras.

 

Por isso, tanto Lua cheia quanto Lua nova merecem atenção náutica. A primeira costuma iluminar melhor a noite, mas pode vir acompanhada de maior amplitude de maré. A segunda combina maré forte com menor visibilidade.

Quarto crescente e quarto minguante

Nas fases de quarto crescente e quarto minguante, Sol e Lua formam um ângulo aproximado de 90 graus em relação à Terra. Nesse caso, os efeitos gravitacionais se compensam parcialmente, resultando nas chamadas marés de quadratura, com menor amplitude.

 

Para a navegação, isso costuma significar variações menos extremas de nível e correntes de maré mais moderadas. Ainda assim, a tábua de marés continua indispensável, porque vento, pressão atmosférica, relevo costeiro e características locais também interferem nas condições reais.

Atenção além do céu

O eclipse lunar desta madrugada foi um espetáculo astronômico, mas também serve como lembrete para quem navega: a Lua não influencia apenas a paisagem. Suas fases fazem parte da rotina de planejamento no mar.

 

Antes de sair, vale conferir não só o céu, mas também horário de maré, corrente, profundidade, vento, ondulação e visibilidade. Na náutica, olhar para cima ajuda — mas navegar bem depende, principalmente, de entender o que acontece na água.

 

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