Tal pai, tal filha: lição de Amyr à Tamara Klink sobre navegação
Neste Dia dos Pais, relembre o principal ensinamento que Amyr Klink transmitiu à filha Tamara e que ajudou a formar uma das maiores navegadoras brasileiras da atualidade


Bem que disseram que filho de peixe, peixinho é. Uma das filhas gêmeas de Amyr Klink, navegador e escritor premiado, é Tamara Klink, que há alguns anos provou beber da mesma fonte de inspiração do pai. Ele foi o primeiro a atravessar o Oceano Atlântico a remo. Ela, a primeira brasileira a invernar sozinha no Ártico. Apesar dos desafios diferentes, pai e filha compartilham a mesma paixão pelo mar, mostrando que o amor pela navegação também pode atravessar gerações.
Planejamento, coragem e humildade: veja lições de Amyr Klink
Há 42 anos, Amyr Klink partiu a remo em jornada solo de 100 dias entre céu e mar
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Neste Dia dos Pais, a Revista NÁUTICA relembra um dos principais ensinamentos que Amyr compartilhou com Tamara quando ela decidiu seguir seus passos e construir a própria trajetória na navegação.


Em 2024, Amyr Klink participou do NÁUTICA Talks para relembrar os 40 anos da histórica travessia do Atlântico Sul a remo — saga que vai virar filme. Durante a palestra, falou muito além da expedição e compartilhou histórias sobre a criação das filhas, incluindo uma lição que marcou o início da carreira solo de Tamara no mar.


O ensinamento surgiu quando ela pediu emprestado o premiado veleiro Paratii 2 para realizar sua primeira volta ao mundo em solitário. O pedido foi recusado imediatamente, por um motivo que só quem conhece profundamente a vida no mar poderia explicar.


Amyr contou que, se entregasse o barco “pronto na bandeja”, correria o risco de perder tanto a embarcação quanto a própria filha. Não era uma questão de orgulho ou falta de confiança, mas da convicção de que ninguém aprende a navegar sem enfrentar os próprios desafios.
No mar, a gente tem que construir o próprio caminho, não herdar as coisas. Não tem como ser esperto ou malandro-disse Amyr Klink
Em vez de entregar um barco totalmente preparado e testado, Amyr fez questão de que Tamara aprendesse, desde o início, em uma embarcação mais simples. Assim nasceu a primeira grande expedição solo da navegadora: a bordo do Sardinha-2, um veleiro de apenas 10 metros de comprimento.


Tamara Klink morou no Sardinha-2 por três anos e acumulou experiências e alguns títulos no período. Entre eles, o de brasileira mais jovem a cruzar o Atlântico em solitário, o de primeira brasileira a atravessar sozinha o Círculo Polar Ártico e o de primeira mulher a passar o inverno no Ártico novamente em solitário, presa no mar congelado da Groenlândia por oito meses. A experiência deu a Tamara conhecimentos que nenhum barco “pronto na bandeja” poderia oferecer.
Ela aprendeu tudo que não sabia sobre navegação, sobre a vida no Ártico, sobre manutenção e eu não tenho mais autoridade moral para dizer ‘volta, minha filha’. A gente fica preocupado, mas esse exercício de contaminar a família com as coisas que a gente gosta de fazer é muito gratificante-contou Amyr Klink
Mais do que inspirar a própria família, os Klink despertam o interesse de milhares de pessoas pela navegação. As histórias vividas no mar deram origem a livros, séries, filmes e documentários que conquistaram o público e transformaram pai e filha em referências para diferentes gerações de aventureiros.


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