Em praia de Florianópolis, turista tenta recuperar batatinha “roubada” por quati; assista

Símbolo da Ilha do Campeche, animal foi inserido na região no século passado e agora toma conta do local

24/01/2024

Se você está pensando em conhecer as águas azuis da Ilha do Campeche, em Santa Catarina, é melhor se preparar: o local é dominado por uma espécie um tanto quanto diferente para essa região do estado: os quatis. Um turista que visitava o local sentiu, na prática, as consequências de “invadir” o território desses mamíferos, e precisou correr atrás de suas batatinhas, levadas por um deles areia a dentro.

O turista bem que tenta pegar seu lanche de volta, mas o animal de focinho comprido, orelhas redondinhas e rabo listrado é, além de fofo, ligeiro, e não facilita a vida do visitante, que precisa suar para recuperar as batatinhas — se ele conseguiu ou não, ainda é um mistério.

O flagra da corrida atrás da batatinha roubada pelo quati. Foto: Instagram @floripamilgrau / Reprodução

 


A verdade é que quem conhece bem a Ilha do Campeche já vai até o local com a devida preparação para não ter nenhum alimento — ou objeto — “furtado” pelos quatis. Nos comentários da publicação do vídeo, na página “Floripa Mil Grau” no Instagram, há até quem sugira que os turistas “lembrem-se de levar frutas para deixar para eles.”

 

O que não faltam, também, são outras vítimas do animal, que engana pela aparência fofa. Entre os relatos está o da Ana Paula: “já fui roubada por eles, uma maminha recheada com queijo” e o da Raquel: “na Ilha, deu bobeira eles levam até a sua bolsa.”


Quatis são tradicionais mas não naturais da região

Apesar de serem muito comuns na Ilha do Campeche, os quatis, na verdade, não são naturais dessa região. Há muitas teorias populares que envolvem a chegada dos animais até a praia.

 

Uma delas, por exemplo, diz que os quatis foram levados décadas atrás ao local para combater a proliferação de cobras. Mas a teoria mais aceita é a compartilhada pelo geógrafo Aracidio de Freitas Barbosa Neto.

 

Ao NSC Total, Aracidio afirmou que “foram inseridos alguns animais no período do clube de caça, na década de 1940. O destaque é o quati, que perdura até os dias atuais.”

Apesar de moradores locais relatarem a extensa presença do animal na Ilha do Campeche, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) diz não ser possível precisar a quantidade de animais que vivem atualmente no local.

Pela falta de predadores naturais e oferta abundante de comida, o descontrole populacional da espécie é evidente. Estima-se que a densidade da população de quatis na Ilha seja quase o dobro da população em áreas continentais, onde a espécie é nativa– mencionou o Iphan através de redes sociais

As consequências da presença do animal em uma região fora de sua zona natural traz consequências — principalmente pela interação que os quatis tem, justamente, com os humanos.

 

A batatinha foi apenas mais uma vítima do animal que, ainda de acordo com o Iphan, deixou de caçar e buscar alimento na mata e passou a pedir ou roubar comida dos visitantes, uma vez que os turistas criaram o hábito de alimentá-los com frequência.

Dar comida aos quatis favorece o aumento populacional, que desequilibra ainda mais o frágil ecossistema e provoca situações de stress no animal, ocasionando constantes disputas por território e alimento– complementa o Iphan

Por fim, caso a ideia seja visitar a Ilha do Campeche, é melhor tomar cuidado: apesar de cativantes, os quatis também são bravos e podem até morder. E, fica a dica: não alimente os quatis!

 

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