Estudo da USP revela que litoral de São Paulo tem 20 centímetros de elevação do nível do mar

Para conter avanço, prefeituras de regiões litorâneas planejam barreiras submersas, muros e preservação da vegetação

21/01/2024
Foto: Praia de Santos, São Paulo

Mais um capítulo das consequências do aquecimento global foi escrito, dessa vez, no litoral paulista. Segundo estudo do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), o mar sofreu uma elevação de, pelo menos, 20 centímetros na região litorânea de São Paulo, desde os anos 1950 — no início da série histórica.

O resultado não surpreende, visto que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já havia alertado sobre a possibilidade. Além disso, em novembro de 2023, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que a cidade de Santos pode perder até 5% de sua área habitável até 2050.

Foto: Praia da Enseada no Guarujá, São Paulo

Segundo o estudo realizado pela USP, a elevação do nível do mar tem um culpado muito conhecido: o aquecimento global. Por conta dele, a temperatura dos oceanos tem aumentado e, consequentemente, causando o derretimento das geleiras e mantos de gelo em regiões montanhosas, como na Antártica.

Sendo assim, a frequência e intensidade dos eventos extremos no litoral — como as inundações — também aumentam, de acordo com o levantamento do IPCC. Vale ressaltar que 18% da população brasileira vive em regiões costeiras, que seriam justamente os lugares mais afetados por esse problema.

Ação das prefeituras contra a elevação do nível do mar

É de se imaginar que as prefeituras de regiões litorâneas não ficarão de braços cruzados diante deste avanço. Seja com muros, barreiras submersas ou preservação da vegetação, algumas cidades já trabalham contra a elevação do nível do mar desde 2016, como é o caso de Santos, no litoral sul de São Paulo.

Foto: Praia de Santos, São Paulo

A Prefeitura de Santos diz ter sido pioneira em criar um Plano Municipal de Mudanças Climáticas, sendo escolhida em 2018 para implementar o projeto-piloto junto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na instalação de 49 geobags (barreiras submersas) na Ponta da Praia, bairro da cidade. Além disso, a administração conta ter várias parcerias e projetos para evitar que a cidade inunde.

 

Enquanto isso, as prefeituras de Guarujá e Mongaguá, ambas no litoral sul, apostam, respectivamente, na preservação da vegetação e na estratégia de construir muros para conter o avanço da elevação do nível do mar no litoral. As prefeituras de Praia Grande e Caraguatatuba — essa última, no litoral norte — disseram que, até o momento, não foi necessário nenhuma intervenção desse porte.

Ações das prefeituras podem ser problemáticas para a natureza

Apesar das boas intenções, a implementação de certas estratégias podem ser problemáticas para a natureza. Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da cátedra Unesco para sustentabilidade no oceano, explicou ao portal Metrópoles acreditar que toda intervenção humana no ambiente marinho leva a alguma alteração.

Foto: Praia de Santos, São Paulo

Praias com muros levam à extinção local de espécies. Quando se cria essas obras, os ambientes costeiros e manguezais ficam aprisionados no meio do caminho– Alexander Turra, em entrevista ao Metrópoles

Para Turra, a melhor maneira de evitar as consequências da elevação do nível do mar no litoral paulista — e também no contexto geral — seria realizar o planejamento do uso do território. Ou seja, não ocupar as áreas onde estão previstas inundações ou alagamentos.

Foto: Praia de São Sebastião, Ilhabela, São Paulo

Por fim, o especialista da USP ressaltou que o ser humano vem promovendo as mudanças climáticas há mais de 200 anos, e aponta que, com o forte agravamento nos últimos tempos, serão necessárias ações em médio e longo prazo para a situação ser revertida. Afinal, 20 centímetros de água não sobem do dia para a noite.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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