Empresa angolana de cabos submarinos investe na vela oceânica e estreita laços com o Brasil

Por: Redação -
13/07/2017

De acordo com o mapa atualizado da consultoria TeleGeography, há cerca de 300 cabos submarinos espalhados pelo mundo, interligando países e continentes. Alguns deles levam a assinatura da multinacional de telecomunicações Angola Cables, empresa fundada em 2009 que mantém um escritório em Fortaleza e planeja inaugurar, também na capital cearense, um data center — o qual, por sua vez, estará conectado a dois cabos submarinos de fibra óptica, o SACS (South Atlantic Cable System) e o Monet.

Com investimento superior a US$ 130 milhões, o SACS ligará a Angola ao Brasil ao longo de 6 mil km de distância, dispondo de mais de 40 Tbps (terabytes por segundo) de capacidade. Já o Monet, com extensão de 10,5 mil km, ligará Santos, no litoral paulista, a Miami, nos Estados Unidos, passando por Fortaleza e oferecendo mais de 28 Tbps de capacidade inicial, ao custo de US$ 170 milhões. Assim, serão integrados nessa operação três continentes (África, América do Sul e América do Norte) e abertas novas possibilidades de comunicação de voz e dados, para além dos satélites.

Mápa-mundi com rotas de cabos submarinos da empresa Angola Cables a partir da África

Segundo António Nunes, CEO global da Angola Cables, cabos submarinos têm vida útil de 25 anos e são mais eficazes que os satélites, inclusive para efeito de troca, já que sai mais barato produzir um equipamento novo. “Nossos empreendimentos têm como objetivo criar rotas novas e inovadoras”, filosofa ele, que esteve em Ilhabela para participar da abertura da Semana de Vela, correndo a Regata de Alcatrazes por Boreste — Marinha do Brasil, a bordo do Mussulo 40.

O barco, que é comandado pelo angolano radicado no Brasil José Guilherme Pereira Caldas, velejador e neurocirurgião, conta em Ilhabela com uma equipe formada por seis tripulantes, incluindo o skipper baiano Leonardo Chicourel, que disputou, no início do ano, a regata transatlântica Cape2Rio 2017, na qual o time foi o primeiro colocado na categoria Double Hand e quebrou o recorde da classe, terminando a prova após 16 dias, 14 horas 22 minutos e 12 segundos.

António Nunes, CEO global da Angola Cables (à esq.), e José Guilherme Pereira Caldas, comandante do Mussulo 40, no píer do Yacht Club Ilhabela

Aliás, a Angola Cables está cada vez mais conectada à vela de competição oceânica e sonha patrocinar um barco da Volvo Ocean Race, a maior regata de volta ao mundo. “Por ser um evento mundial, para nós, desperta um interesse muito grande, porque somos uma empresa com referências mundiais. Nosso negócio é feito com ligações intercontinentais e a VOR faz as pontes intercontinentais”, avalia o executivo, ressaltando que, por enquanto, a empresa aposta no estreitamento de laços com o Brasil. “Nesse sentido, participar da Semana de Vela de Ilhabela tem total sinergia e representatividade com nossos negócios, já que o esporte está intimamente ligado à travessia de mares e oceanos”, explica.

Voltando aos negócios, o objetivo da Angola Cables é transformar tanto Angola, na África, quanto o Brasil, no continente sul-americano, em hubs (pontos de conexão) das telecomunicações. “Quando estiver concluído”, projeta António, “o Monet irá beneficiar os usuários das telecomunicações em território brasileiro, que passarão a ter rotas alternativas para o acesso aos Estados Unidos e, por esta via, a outros centros de consumo e produção de conteúdos, como Europa e Ásia”. Já o SACS, completa o CEO, por ser “o primeiro cabo do tipo transatlântico sul, é a menina dos olhos da empresa”. Mas a ideia central é “abrir a infraestrutura para todos os agentes do mercado”, possibilitando a exploração das novas oportunidades de negócios de maneira abrangente. “O data center terá ‘n’ empresas usando este espaço como um centro de alocação de dados”, reforça.

Projeto do Data Center da Angola Cables em Fortaleza, que deverá ser inaugurado ano que vem

No sábado, dia anterior à regata de abertura da Semana de Vela de Ilhabela, NÁUTICA acompanhou um treinamento do Team Angola Cables pelas águas da região. Ernani Paciornik, presidente do Grupo NÁUTICA, visitou o Mussulo 40, onde conheceu pessoalmente o executivo da empresa de telecomunicações angolana e o comandante do barco, além de tomar conhecimento dos planos da Angola Cables para o Brasil. E, naturalmente, desejou-lhe boa sorte, tanto nos negócios quanto na raia, onde ele também participaria da Regata de Alcatrazes por Boreste — Marinha do Brasil, a bordo do trimarã Barracuda.

Independentemente de qualquer resultado, porém, António Nunes estava contente por desfrutar as belezas da ilha mais bela do Brasil a bordo de um veleiro. “Meu signo é aquário. Portanto, já nasci dentro d’água!”, brincou ele, dizendo que sempre teve barco (atualmente, possui um veleiro e uma lancha). “Sou muito suspeito ao nível do mar! Não sei viver sem o mar nem a água. É o que me tranquiliza”, afirmou.

Ernani Paciornik, presidente do Grupo NÁUTICA, durante encontro com a equipe do Team Angola Cables na Semana de Vela

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