Esculturas bordadas: artista francesa reproduz formas, texturas e cores dos corais

Por: Redação -
07/12/2023

O trabalho da artista francesa Aude Bourgine é centrado no seu amor pelo meio ambiente e em um sentimento de culpa pela impotência diante do que a humanidade casou ao mundo natural. É isso que a encoraja a desenvolver formas de despertar a admiração para os seres vivos, e mais especificamente para os nossos mares. Sua arte, onírica e meticulosa, é sua maneira de abordar essas preocupações, comunicando a urgência de uma mudança em nossas atitudes e práticas.

Suas obras testemunham trágicas transformações, ao mesmo tempo em que transmitem a paixão pelo oceano, este mundo repleto de poesia. A abordagem da artista pretende ser uma ponte entre a ciência e as emoções, colocando o espectador no centro de cenografias imersivas, como mundos subaquáticos fantásticos e visões premonitórias perturbadoras — histórias distópicas nas quais os muitos dramas do nosso tempo se desenrolam.

Suas obras poéticas, compostas essencialmente de esculturas nas quais se misturam materiais reciclados e matéria orgânica recolhida, são feitos majoritariamente de têxteis pela variedade dos materiais, texturas e cores.

 

Durante 4 anos, Bourgine se dedicou à coleção Pulmões dos Oceanos, que ganhou repercussão no mundo todo. Usando tecidos, miçangas, lantejoulas e bordados, a artista criou dezenas de esculturas que imitam as formas únicas, texturas intrincadas e cores fortes de corais vivos, em um minucioso trabalho que representa a grande variedade desses animais.

Envoltos em redomas de vidro, eles são protegidos dos danos causados pelas mãos das pessoas e testemunhos da vulnerabilidade de nossos ecossistemas em perigo. Por trás de suas formas coloridas e alegres, Bourgine espera que despertem nosso sentimento de admiração pela natureza e o desejo de protegê-la.

 

Se não mudarmos rapidamente nossa relação com o meio ambiente, os oceanos estarão mortos até 2050 – Aude Bourgine

 

“Seu desaparecimento acarretará um desastroso desequilíbrio em todos os níveis: ecológico, climático e humano. Devemos estar atentos a esta causa universal, que diz respeito a cada um de nós.”

 

 

Os recifes de coral estão morrendo em todo o mundo devido à acidificação dos oceanos, mineração de corais, poluição, pesca excessiva, escavação de canais e outras atividades humanas não controladas. Muitos cientistas alertaram que a própria existência de recifes de coral estará em grande perigo, a menos que intensifiquemos nossos esforços para protegê-los.

Com suas criações únicas, em que cada peça expressa formas, cores e texturas diferentes, com detalhes tão perfeitos quanto a natureza, a artista assume seu compromisso de nos convencer de que podemos agir juntos.

 

Depois, ela investiu na série Recifes de Corais – Últimas Espécies, uma instalação que assumiu a forma de um grande recife de coral feito com tecidos recuperados, rendas e lãs em tons beges e brancos. O branqueamento dos corais — sinônimo de seu declínio, quase morte — é resultado dos excessos humanos, é o grito de alerta desses animais em apuros.

 

 

A artista transpôs essa urgência para o espaço expositivo e, enquanto montava com paciência cada detalhe, crianças e adultos acompanharam seu processo criativo, investindo ao lado dela na defesa de nossa biodiversidade.

 

A série Naturezas Mortas resultou em uma exposição concorrida. Uma coleção de dejetos lançados no mar foi recuperada pela artista, decorada e apresentada em altares, como vestígios de escavações arqueológicas, resquícios de civilizações desaparecidas, esculturas com toques pós-apocalípticos. Uma crítica e tanto à quantidade de lixo que vai parar no mar.

A extensão do trabalho de Aude Bourgine alcançou a moda. Uma Odisséia Submarina foi projetada e produzida para a marca Hermès. Cinco instalações ocuparam as vitrines da loja no Dubai Mall para revelar os segredos dos mares, com referências às histórias de Júlio Verne, em particular Viagem ao Centro da Terra e Vinte Mil Léguas Submarinas, para abordar o viver debaixo d’água, uma utopia antiga e ainda relevante — uma viagem que leva ao coração do desconhecido.

 

O propósito? “Criar encantamento, traduzir o maravilhoso, dar toda a sua força ao valor onírico do oceano, para fazer querer conhecê-lo melhor, protegê-lo melhor”, disse a artista.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    SailGP: Mubadala Brazil anuncia retorno de Kahena Kunze a 3 etapas do fim da temporada

    Brasileira bicampeã olímpica deixa time dinamarquês para assumir o posto de Estrategista da equipe verde e amarela. Veja a nova formação

    Virada Náutica 2026 promove encontro de barcos e jets na Represa de Guarapiranga

    Ação acontece no dia 20 de setembro, na Marina Fibramar, e reúne embarcações dos participantes em um grande comboio pela represa

    Náutica Talks terá Raphael Garcia e programação diária no São Paulo Boat Show 2026

    Jovem que refez a travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul falará sobre jornada a remo; agenda ainda traz temas como vela, baleias, mergulho, motores, segurança, meteorologia e barcos autônomos

    Sessa Marine apresentará novidades nas linhas F42 e F48 e prévia da F60 no São Paulo Boat Show

    Estaleiro levará quatro barcos ao maior evento náutico da América Latina; evento vai de 24 a 29 de setembro

    Pontoons avançam no Brasil e aparecem entre apostas do São Paulo Boat Show

    Com espaço, conforto e apelo familiar, pontoons ganham visibilidade no mercado brasileiro de lazer náutico