Especialistas destacam vocação do Brasil para incremento da indústria naval

Painel "Indústria Náutica e Naval: Geração de Emprego e Renda" foi apresentado nesta quinta-feira (17) no Fórum Internacional Náutico da ANB, em Salvador

Por: Redação -
18/09/2026
Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

O painel Indústria Náutica e Naval: Geração de Emprego e Renda, mediado por Marcelo Sacramento, reuniu visões complementares sobre inovação, operação industrial e gestão pública. “Nosso objetivo é entender na prática quais são os gargalos e as oportunidades para que a indústria náutica e naval se torne um vetor de desenvolvimento econômico e social”, ressaltou o mediador ao abrir os trabalhos.

Na área de inovação, o executivo de Novos Negócios do SENAI CIMATEC MAR, Miguel Andrade Filho, apresentou informações sobre o novo campus dedicado à economia do mar, que será instalado através do acordo assinado com a Codeba para a criação de um laboratório de pesquisa e monitoramento de operações para estender a produção em plataformas do Pré-Sal na Baía de Todos os Santos, que inicialmente se esgotaria em 2032.

Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

Já o diretor da Enseada Paraguaçu, Mário Moura, apresentou um panorama sobre a indústria naval, com exemplos do crescimento nos Estados, na Coreia do Sul e na China. Sobre o Brasil, ele ressaltou a construção de quatro grandes estaleiros, nos últimos 15 anos para atender demandas da Petrobras de 17 plataformas já encomendadas até 2030.

Mário Moura (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

Conforme ele, há muito potencial de crescimento da indústria. Só para se ter uma ideia, a Petrobras hoje sofre uma pressão muito grande para renovação da sua frota de navios de apoio offshore, principalmente pelas questões de emissão de carbono. “Então hoje existe um plano para a construção de 250 novas  embarçadores de apoio da Petrobras”, ressaltou.

Mila Paes (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (SEMDEC) de Salvador,  Mila Paes, propôs olhar o mar como plataforma econômica. Citou três cases de sucesso de cidades que apostaram na economia do mar e já colhem bons frutos:

  • Itajaí, que investiu em turismo e indústria naval e tem maior volume de exportação;
  • Angra dos Reis, que combinou turismo náutico, pesca e manutenção; e
  • La Rochelle, na França, que há 40 anos criou uma marina pública, um salão náutico internacional e introduziu educação náutica nas escolas municipais para a formação da cultura do mar para novas gerações, tornando-se assim uma exportadora de inovação.

O presidente da Associação Náutica Brasileira (ACATMAR), Leandro “Mané” Ferrari, mostrou porque Santa Catarina se tornou um dos maiores polos náuticos do país, provando que barco não é luxo. “O estado saltou de 94 para mais de mil empresas náuticas em uma década, crescimento de 3.200%. Cada barco gera de 4 empregos diretos a 8 indiretos. Devemos considerar que um barco não sai de uma fábrica, mas de indústrias”. Ele frisou, ainda, que atualmente a economia do mar sustenta 8,5% dos empregos formais no estado.

Leandro “Mané” Ferrari (em pé). Foto: Márcia Luz/ Revista Náutica

O diretor de Acompanhamento e Desenvolvimento de Empreendimentos na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE), vinculado à Superintendência de Desenvolvimento e Monitoramento de Empreendimentos (SUDEM), Marcelo Sampaio Oliveira, destacou o potencial da Baía de Todos os Santos para desenvolver a indústria naval e o setor marítimo.

 

Segundo ele, é preciso entender a grande cadeia que sustenta a economia do mar, onde um aspecto impacta o outro, e por isso é necessário fortalecê-la com políticas públicas integradas. Os instrumentos de fomento — incentivo, crédito e qualificação — precisam operar como uma única política de desenvolvimento.

O palestrante ressaltou também a importância de mapear as vocações naturais para explorar melhor as capacidades de cada mercado com potencial para a indústria, lembrando que desenvolvimento sustentável é cuidar de pessoas e que o empresariado também precisa apoiar essa cadeia. Para o futuro, no ciclo 2026-2030, o painelista frisou que os esforços devem estar concentrados em qualificação com inclusão, diversificação internacional e transição verde e digital.

Salvador Boat Show 2026

A agenda de conteúdo náutico também seguirá em Salvador ainda este ano. De 5 a 8 de novembro, a Bahia Marina recebe a 3ª edição do Salvador Boat Show, maior evento náutico da Bahia. Realizado na Baía de Todos-os-Santos, o salão reunirá embarcações, marcas, equipamentos e serviços ligados à navegação, aproximando o público de negócios, turismo náutico, lazer, inovação e experiências no mar.

 

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