Marina pública: infraestrutura estratégica para o desenvolvimento do turismo náutico

Bianca Colepicolo comenta sobre modelos de infraestruturas marítimas e analisa vantagens de parcerias

15/07/2025
Foto: Pilat666/ Envato

Uma marina pública é uma infraestrutura náutica instalada em área sob domínio público — geralmente terrenos de marinha ou áreas da União, como espelhos d’água e orlas marítimas ou fluviais — que oferece serviços de apoio ao turismo e à navegação de forma acessível, regulada e sustentável.

Diferentemente de empreendimentos privados exclusivos, as marinas públicas são planejadas para democratizar o acesso à navegação, impulsionar a economia local e ordenar o uso múltiplo das águas.

Bahia Marina. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Ao contrário do que o nome “pública” possa sugerir, os serviços oferecidos pela marina não são gratuitos. Trata-se de um equipamento público com gestão regulada, que cobra pelas vagas, manutenção, abastecimento e demais serviços — assim como ocorre em aeroportos ou terminais rodoviários.

Marina da Glória. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

A marina pública funciona, na prática, como um “hotel” para embarcações de turistas, com estrutura para acolher com segurança e conforto os navegadores em trânsito ou ancoragem temporária.

Serviços Oferecidos por uma Marina Pública

As marinas públicas podem ser multiescalas, com diferentes portes e complexidades, mas em geral oferecem:

  • Vagas molhadas e secas para embarcações de pequeno e médio porte;
  • Rampa pública de acesso ao mar (ou rio);
  • Abastecimento de combustível e água potável;
  • Coleta seletiva de resíduos e descarte de efluentes (sistema de pump out);
  • Oficinas e serviços de manutenção;
  • Guarda e vigilância;
  • Lojas de conveniência náutica;
  • Sanitários, vestiários e duchas;
  • Espaço para atividades esportivas e educacionais (vela, remo, canoa, etc.);
  • Atendimento turístico e agendamento de passeios náuticos regulados.

Em modelos mais avançados, pode incluir também escolas náuticas, coworkings e pontos de embarque integrados a rotas turísticas.

Instalação de Marina Pública: PMI e PPP

Para viabilizar a instalação de marinas públicas com padrão de excelência e sustentabilidade, o poder público pode recorrer a dois instrumentos fundamentais:

PMI – Procedimento de Manifestação de Interesse

Permite que empresas apresentem estudos técnicos, econômicos e jurídicos para a implantação da marina em área pública. A partir desses estudos, o município ou Estado estrutura uma futura concessão, mantendo o domínio público da área e atraindo investimento privado com base em viabilidade comprovada.

PPP – Parceria Público-Privada

A PPP, nos moldes da Lei Federal nº 11.079/2004, possibilita a delegação da construção, operação e manutenção da marina ao setor privado, com prazos entre 10 e 35 anos. A remuneração pode vir exclusivamente da exploração da infraestrutura (concessão comum) ou ser complementada com contraprestação pública (concessão administrativa), dependendo da política pública e do retorno esperado.

Vantagens para o Turismo e Desenvolvimento Local

  • Ordenamento do uso náutico: evita a ocupação desorganizada de orlas e espelhos d’água;
  • Democratização do acesso ao mar: com rampas públicas, vagas acessíveis e serviços para embarcações de passeio;
  • Geração de emprego e renda: oficinas, restaurantes, guias náuticos, instrutores, comércio de peças e equipamentos;
  • Estímulo ao turismo náutico: passeios regulares, roteiros integrados, eventos e esportes aquáticos;
  • Valorização imobiliária e urbanística: requalificação de áreas portuárias e subutilizadas;
  • Integração regional: conectando marinas por rotas náuticas e aumentando a permanência do turista na região.
Foto: sam741002/ Envato

Marinas públicas bem planejadas são instrumentos potentes de política urbana, ambiental e turística. Ao atrair investimentos via PMI e PPP, os municípios brasileiros podem transformar suas orlas em polos de desenvolvimento sustentável, com acesso regulado, uso múltiplo das águas e respeito à vocação local.

 

Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Ventura aposta em motores de popa no Salvador Boat Show 2026

    Com três lanchas expostas, estaleiro adapta motorização e mira consumidores que desejam trocar de embarcação

    Yamaha oferece seguro grátis para barcos com motores da marca no Salvador Boat Show

    Iniciativa contempla embarcações novas comercializadas por estaleiros parceiros: Azov, Ventura e NX Boats

    Azov estreia Z440 HT na água durante o Salvador Boat Show 2026

    Com quatro embarcações expostas, estaleiro aposta no espaço de convivência da Z440 para conquistar público baiano

    Schaefer Yachts marca presença no Salvador Boat Show 2026 com a maior lancha do evento

    Destaque do estaleiro catarinense, Schaefer 770 divide as águas da Bahia Marina com outros três modelos da linha flybridge

    Cerimônia de abertura marca início oficial do 3º Salvador Boat Show

    Com a presença do prefeito Bruno Reis e de autoridades, solenidade destacou crescimento de 8% do evento e potencial econômico na Bahia