Estação Polar Tara: a embarcação feita para sobreviver ao gelo extremo do Ártico
Projeto da francesa Tara Ocean Foundation pode levar até 18 pessoas em seus mais de 400 m². Conheça!


Considerado o “ar-condicionado” do planeta, o Oceano Ártico é fundamental para o equilíbrio climático global. A região ainda é alvo de tensões geopolíticas, já que detém alto valor em recursos naturais. Nesse cenário, organizações que buscam levar ao mundo sua importância para a vida na Terra são essenciais. É o caso da francesa Tara Ocean Foundation, que neste ano poderá contar com a Estação Polar Tara para ajudar nessa missão.
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Esse laboratório flutuante de 416 toneladas, capaz de sobreviver às temperaturas congelantes do Ártico, pode levar até 18 pessoas em seus mais de 400 m² — são 26 metros de comprimento e 16 metros de largura.


Apesar disso, a tripulação é selecionada, limitada a climatologistas, biólogos, físicos, glaciologistas, oceanógrafos, médicos e jornalistas de todo o mundo. Afinal, a ideia é clara: acelerar a pesquisa sobre clima e biodiversidade, uma vez que o Ártico, assim como a Amazônia, está perigosamente próximo do ponto de não retorno — ou seja, o limite crítico, quando o ecossistema sofre danos irreversíveis.


Para isso, esses especialistas terão a tranquilidade de permear pelo ambiente gélido em um casco de alumínio reforçado, resistente ao gelo e à abrasão. A estrutura é capaz de enfrentar pressões extremas — já que passará 90% do tempo presa no gelo, avançando aproximadamente 10 km por dia —, como temperaturas de até –52 °C.


São 130m³ de combustível HVO e uma autonomia de 500 dias, um dos grandes destaques da embarcação. Ao National Geographic, Martin Vancoppenolle, diretor de pesquisa do CNRS, explicou que “a estação Tara poderá permanecer no mesmo local por pelo menos um ano inteiro”, a um custo muito menor do que outros navios que operam na região.
Isso nos permitirá repetir os ciclos sazonais de estudo da evolução do gelo marinho por dez, vinte, talvez mais, trinta anos– acrescentou Vancoppenolle
Outro grande ponto forte da embarcação é o “poço lunar”, um tubo de 1,60 metro de diâmetro que permite que os instrumentos sejam implantados diretamente do navio na água — ou no gelo.


De acordo com a fundação, a estação pretende levar cientistas do mundo todo em várias expedições sucessivas, com duração de 14 meses cada. A embarcação passou recentemente por diversos testes de deriva no Ártico, em preparação para sua primeira expedição oficial, agendada para o verão de 2026. Vale ressaltar que trata-se de um projeto em parceria com o arquiteto francês Olivier Petit e a empresa de engenharia Mauric.
O sucessor de um projeto antigo
Essa base científica flutuante é mais um passo de um projeto que começou muito antes, em 2003, com o veleiro Tara. A embarcação foi idealizada por Jean-Louis Etienne e, posteriormente, passou pelas mãos do velejador Peter Blake, assassinado no Amapá em 2001, enquanto fazia uma expedição pela Amazônia.


Pensando em dar continuidade ao trabalho de Blake em prol da proteção dos oceanos, a associação projetou o Tara para navegar em regiões polares. Sua primeira aventura no gelo foi em 2004, com uma expedição à Groenlândia. O barco ainda visitou o Ártico em 2006.
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