Giorgio Armani exibe megaiate projetado do casco ao interior por ele mesmo

Por: Redação -
25/01/2021

Giorgio Armani não dispensa tendências de moda em nenhum âmbito de sua vida, e seus barcos são um exemplo claríssimo disso. Isso, porque o designer é um verdadeiro apreciador náutico. Ele possui mais de uma embarcação, e a principal, o megaiate Main, tem 65 metros de comprimento (213 pés) e foi construída pelo estaleiro italiano Codecasa.

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O megaiate já chama atenção pela cor, um verde escuro. Mas os destaques não param por aí! Ele foi inteiro projetado pelo próprio estilista, do casco ao interior, e levou 30 meses para ser construído. Acomoda até 12 convidados em 8 camarotes, sendo 6 suítes. Ainda possui um lounge e uma série de espreguiçadeiras giratórias para quem apostar no banho de sol, todas situadas no terraço principal. “Coloquei tudo o que considero importante no mar e, ao mesmo tempo, introduzindo um conceito de casa. Eu projetei não apenas áreas de banho de sol e de jantar, mas também as partes onde as pessoas realmente moram, as partes mais privadas”, explicou o estilista.

A construção do casco se deu em aço de alta resistência e a superestrutura, em alumínio. Armani conta que existe um motivo para a coloração esverdeada: “Pintar Main de verde foi uma escolha feita para camuflá-la. O mar raramente é o que chamaríamos de azul. É verde, ou azul escuro, ou turquesa, onde há fundos rasos e grandes barcos não podem atracar. O verde camufla o barco no mar, por isso não parece muito chamativo”.

Uma das características básicas no design é a elegância como um requisito. “Eu queria que Main tivesse uma aparência forte e compacta, e não sobrecarregada com tinta branca deslumbrante que pode ser vista à distância. Nesses casos, as pessoas dizem: ‘Oh, esse é o barco de fulano de tal'”. Ele também minimizou o brilho da luz refletida internamente. “Tive a ideia de criar anteparas desde o convés de navegação até o flybridge. Eles evitam que a forte luz do sol no mar, refletida na água, entre com violência, dando ao interior uma aparência abafada”.

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Dois pedidos de Armani, em especial, foram mais difíceis de realizar. O primeiro foi pensar em uma forma das venezianas e janelas correrem em linha contínua ao longo do barco. A ideia era dar a sensação de que o Main não possui paredes, possibilitando a vista panorâmica de qualquer lugar no barco. A segunda era criar um piso no convés que pudesse conectar o salão inferior ao superior, criando o efeito de uma ampla sala de estar. E é por isso que essa área se tornou o coração do navio: ele conta que “esse piso estende-se por quase toda a superfície do convés principal e tem duas áreas distintas, incluindo a sala de estar e lareira. Existem dois sofás personalizados da Armani Casa separados por banquetas e mesas de centro. Há uma mesa central feita de bétula, e almofadas macias em vez de cadeiras. A varanda fica na popa e possui área para refeições”.

Ainda na decoração, a simplicidade era o pedido principal. A inspiração foi, principalmente, os barcos militares — práticos e com espaço otimizado. No interior, a madeira natural domina os pisos, venezianas, escadas e anteparas pelo barco. No salão do convés principal há uma lareira (elétrica, é claro, respeitando as leis de segurança do mar) e a cozinha é decorada com vidro acetinado retro laqueado. As suítes são enriquecidas com mármore e a maioria dos móveis é da divisão de interiores da Armani Casa. O barco tem um cinema, piscina aquecida e academia coberta.

Além de tudo, ainda está equipado com estabilizadores, que visam aumentar o conforto quando ancorado, especialmente em águas agitadas. É alimentado por 2 motores a diesel Caterpillar, de de 2 479 hp.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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