Referência em turismo náutico, Itajaí tem águas ideais para navegar; conheça 3 destinos
Palco do Marina Itajaí Boat Show, cidade dispõe de pontos fortes para navegação tanto para navegadores iniciantes quanto para os mais experientes


Faltam poucos dias para o Marina Itajaí Boat Show atracar em águas itajaienses. Sucesso em 2023 e ainda maior em 2024, o salão promete fazer jus à cidade reconhecida por lei federal como a Capital da Construção Naval e do Turismo Náutico. E, se é referência em turismo, tem lugar para navegar! Por isso, NÁUTICA separou três lugares em Itajaí para aproveitar a paisagem a bordo.
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Referência na indústria náutica brasileira, a cidade de Itajaí fica localizada no litoral centro norte catarinense, na margem direita da foz do rio Itajaí-Açu. Aliás, a origem do nome do rio vem do tupi, e foi adotado pelos índios que ocuparam a Praia de Cabeçudas — que entra para essa lista como um bônus.


Considerada a principal praia de Itajaí, a Praia de Cabeçudas é, consequentemente, a mais movimentada — o que não é um ponto necessariamente negativo já que, assim, o local dispõe de ampla infraestrutura. A praia possui águas calmas, ideal para passeios de barco em família. Se a ideia for atracar por lá, o passeio ainda rende uma visita ao Farol de Cabeçudas, onde um mirante permite observar grande parte da cidade.
Conheça 3 lugares para navegar em Itajaí
Rio Itajaí-Açu
O rio Itajaí-Açu se mostra o palco ideal para um passeio de barco repleto de paisagens, tranquilidade e até cultura, já que suas águas passam por pontos importantes da cidade catarinense, como o Porto de Itajaí e os Molhes da Barra.


O rio ainda é um ótimo lugar para a prática da pesca esportiva e passeios entre amigos, já que é possível parar em diversos pontos para nadar, fazer piqueniques ou simplesmente relaxar nas margens. Ao navegar por suas águas, a paisagem oscila entre a vista do centro da cidade e a natureza viva, com direito à transição das águas fluviais para as marítimas do Oceano Atlântico, na área da Barra do Rio.
Baía Afonso Wippel
Para quem está começando a contar as primeiras milhas na água e deseja fazer um passeio sem sustos, a Baía Afonso Wippel é uma ótima escolha. Além da paisagem que mistura vegetação com belas águas, o local é rico em biodiversidade, e guarda em seu território diversas espécies de peixes e aves.


A programação na Baía pode ir além da navegação, e se estender para outras atividades em suas proximidades como mergulho, pesca e esportes aquáticos. Tudo isso com segurança, uma vez que o local é considerado seguro para navegação, com poucas áreas de risco e boa sinalização marítima.
Ilha feia (só no nome)
Para os navegadores mais experientes, as ilhas de Itajaí podem ser exploradas de barco e reservam verdadeiros refúgios para quem busca fugir do agito dos locais mais movimentados da cidade.


Uma delas é a Ilha Feia que, apesar do nome, de feia não tem nada. Próxima a Balneário Camboriú — mas acessível a partir de Itajaí –, a ilha é ideal para um dia todo de exploração. Isso porque, por lá, é possível avistar espécies marinhas, corais, praticar esportes aquáticos e até pescar. A Ilha Feia tem ainda trilhas e pontos para a prática de mergulho livre.
Um pouco mais afastadas, as ilhas das Cabras e do Arvoredo são outros dois pontos interessantes para se chegar de barco partindo de Itajaí. Preservadas pela natureza, as ilhas apresentam águas límpidas e boas oportunidades para a prática de mergulho, com possibilidade de avistamento de espécies marinhas.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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