Nova espécie de raia-manta é descoberta e recebe nome inspirado na cosmologia indígena

15/08/2025

Depois de 15 anos confundindo pesquisadores, uma nova espécie de raia-manta foi finalmente confirmada. Trata-se da Mobula yarae, a terceira do grupo, ao lado das Mobula alfrediMobula birostris. O animal, encontrado no México, nos Estados Unidos e no Brasil, recebeu o nome em homenagem à Iara, personagem da cosmologia indígena conhecida por ser meio mulher e meio peixe.

A espécie vive exclusivamente no Oceano Atlântico. Em águas brasileiras, o animal foi encontrado em Ilha Comprida (SP), Natal (RN) e Fernando de Noronha (PE), conforme informações da Universidade de São Paulo (USP).

Mobula yarae. Foto: Stefani Zanella/ All Angle/ Acervo Projeto Mantas do Brasil

Sua descoberta passa diretamente pelo trabalho de Andrea Marshall, cofundadora da instituição americana Marine Megafauna Foundation (MMF) e principal pesquisadora envolvida na busca. Foi ela que, em 2009, comprovou a existência da Mobula birostris, segunda espécie de raia-manta — já suspeitando da existência de uma terceira.

15 anos de buscas

Os sinais da nova espécie de raia-manta começaram a aparecer no mar do México, cerca de um ano após a primeira descoberta. “Levei seis anos para diferenciar as duas primeiras espécies e, àquela altura, eu as conhecia de cor e salteado”, destacou a pesquisadora em comunicado.

 

Já no Brasil, entre 2009 e 2010, ao analisar fotos de mantas feitas pela pesquisadora Ana Paula Balboni Coelho, Andrea novamente se deparou com a possível nova espécie — embora a imagem não fosse suficiente para sustentar sua tese.


A pesquisa começou a evoluir somente anos depois, em 2017, a partir da análise de uma raia-manta que foi encontrada morta na Flórida, nos EUA. Na ocasião, os cientistas puderam analisar mais de perto a Mobula yarae, que revelou uma série de características diferentes das outras raias, visíveis, especialmente, no desenho na parte superior do corpo, na cor do rosto, nas guelras e até no tamanho. Veja:

Arraias-manta: Mobula alfredi (a, d), Mobula birostris (b, e) e Mobula yarae (d, f). Foto: Leo Francini (a); Guy Stevens | Manta Trust (b, e); Rawany Porfilho (c); Mauricio Andrade (d); e Nayara Bucair (f) / MMF/ Reprodução

Ainda assim, o anúncio oficial da descoberta aconteceu somente em julho deste ano, com um artigo publicado na revista Environmental Biology of Fishes.

Espécie ameaçada

Em 2024, Andrea sofreu um grave acidente vascular cerebral e se afastou de suas atividades científicas. O bastão foi passado para Nayara Bucair, doutora pelo Instituto Oceanográfico (IO) da USP e primeira autora do artigo.

Mobula yarae. Foto: Stefani Zanella/ All Angle/ Acervo Projeto Mantas do Brasil

Ela, por sua vez, destaca a ameaça que as raia-mantas sofrem atualmente: “Desenvolvimento costeiro, poluição por produtos químicos/orgânicos, detritos marinhos, plástico e microplástico, emaranhamento, atropelamento por embarcações e o impacto das alterações climáticas nos ecossistemas marinhos e costeiros representam outras ameaças iminentes para as móbulas”.

 

De acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), todas as móbulas estão atualmente listadas nas categorias de ameaçadas de extinção.

 

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