Com festa, NX Boats lança seu maior barco nas águas de Miami
O ano de 2024 promete ficar marcado na história da NX Boats. Prestes a completar 10 anos de existência, o estaleiro pernambucano tem muitos motivos para celebrar. Tanto é que a marca organizou uma festa para lançar a NX 50 Invictus, seu maior barco, nos Estados Unidos.
NX Boats desembarca nos EUA com sua maior lancha, a NX 50 Invictus
Brasília Boat Show terá presença da NX Boats com lancha de luxo assinada pela Pininfarina
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Com a presença de convidados especiais, o lançamento da lancha de 50 pés aconteceu em 31 de julho, no ambiente sofisticado da Casa Neos, em Miami.
A vista para o Rio Miami e a bela tarde de verão embalaram a celebração do estaleiro — que promete chegar, até o final do ano, à marca de 100 barcos entregues no país norte-americano.


“É um marco muito importante para nós”, comentou Jonas Moura, CEO da NX Boats. “Quisemos fazer um investimento não apenas para vender barcos, mas construir nossa marca nos Estados Unidos e trazer uma boa experiência para o cliente”.
Há três anos, a empresa decidiu navegar em novas águas e abriu uma filial em território norte-americano. Embora enxuta, é definida por Harlan Iff, responsável pela operação, como bastante sólida e cheia de potencial.
Estamos crescendo como aconteceu no Brasil. A NX começou pequena e hoje nos tornamos uma potência náutica– Hallan Iff, responsável pela operação internacional


NX Boats levou diferenciais a Miami
Com design marcante e boa oferta de espaço, a NX 50 Invictus inevitavelmente atrai olhares. Quem caiu em sua graça, inclusive, é Steve, um convidado do evento de lançamento em Miami que adquiriu, ao lado da companheira, uma unidade da lancha.
“Eu tenho procurado o barco certo para nós e não tem outro no mercado que se configure dessa forma”, afirmou, à NÁUTICA. “É algo muito único”.


Além do conforto garantido pela ampla boca de 4,05 metros, outros recursos que chamaram a atenção de Steve envolvem o layout — que permite a integração entre o interior e exterior do barco –, o acesso à proa, espaço na popa e desempenho com velocidade durante a navegação.
São esses e outros atrativos que, segundo Felipe Guedes, responsável pela operação comercial da NX Boats, diferenciam a NX 50 Invictus dos demais barcos nos Estados Unidos.
A cada ano tivemos um crescimento e hoje estamos aqui em Miami, um mercado tão competitivo, praticamente um berço náutico mundial -Felipe Guedes, da NX Boats
Além do grande destaque, o evento também contou com a presença das lanchas NX 50, NX 400 HT e NX 370.


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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




