Pesquisas apontam ostras e vieiras como soluções naturais de combate ao aquecimento global
Cientistas veem como esperança a quantidade de carbono sequestrado por bivalves durante a vida útil; entenda


Com a aceleração das mudanças climáticas e da acidificação dos oceanos, a busca por estratégias eficazes para mitigar o aquecimento global tem sido intensificada. Pesquisas recentes identificaram em ostras e vieiras (tipos de moluscos bivalves) uma capacidade notável de atuar como sumidouros de carbono por simplesmente removerem dióxido de carbono (CO₂ ou gás carbônico) da água e, dessa forma, ajudar a estabilizar as temperaturas do planeta, onde esse gás é um dos grandes vilões.
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Um estudo publicado no Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia dos EUA, em setembro de 2025, posiciona a ostreicultura como uma solução inteligente e natural para diminuir o gás carbônico da atmosfera.


A pesquisa observou que fazendas de ostras-do-pacífico (Crassostrea gigas) aceleram a bomba biológica marinha. O processo, segundo o próprio estudo, sequestra o carbono da atmosfera para o oceano através do aumento da produção de matéria orgânica e sua posterior deposição em sedimentos.
Em outras palavras, é como se as ostras fossem filtros que limpam o excesso de carbono da água, transformando um gás que esquenta o planeta e acidifica o mar em matéria sólida (corpo e concha) e em sedimentos que ficam guardados no fundo do oceano.


Outro dado revelado pelo estudo é que o carbono líquido sequestrado pelas ostras é 2,39 vezes maior do que o carbono armazenado em suas conchas. Além da ajuda no combate ao aquecimento global, a prática fortalece a segurança alimentar ao oferecer uma fonte de proteína de baixo impacto ambiental.
Complementando essa visão, uma análise global publicada na revista científica iScience, em fevereiro de 2026, revela o crescimento robusto desse setor. Entre 2010 e 2022, a produção global de moluscos bivalves cultivados aumentou 53%, o que gerou um salto de 42% na remoção líquida de carbono do oceano, atingindo 1,29 milhão de toneladas anuais.
Nesse cenário, as vieiras e ostras foram apontadas como os tipos de bivalves com o maior potencial de remoção de gás carbônico da atmosfera. Diferente do mexilhão-canivete, por exemplo, que gera bastante carbono devido à alta respiração.


A eficiência da “tecnologia natural” que ostras e vieiras carregam é comparável ao sequestro de carbono de 0,28 a 0,32 milhão de hectares de reflorestamento anual, segundo a análise. O valor desse serviço ambiental é estimado em aproximadamente US$ 493 milhões por ano, com base em mercados de créditos de carbono, também de acordo com a própria pesquisa.
Apesar dos benefícios, os pesquisadores ressaltam que a gestão das conchas desses bivalves precisa ser estudada para maximizar os benefícios de sequestro de carbono. Isso porque a incineração delas libera muito carbono para a atmosfera — e por isso o aconselhado é evitar a queima.


A solução seria reutilizar as conchas como suplementos agrícolas, na construção civil ou no tratamento de água. Dessa forma, o material seria aproveitado sem impactar a atmosfera negativamente com gases de efeito estufa.
Por fim, o estudo também sugere que, no futuro, as ostras e vieiras passem por um processo de melhoramento genético a fim de liberar ainda menos CO₂ durante sua vida útil, sem impactar a eficiência alimentar.


São por estudos como estes que a criação de bivalves como ostras tem se mostrado uma estratégia inteligente para preservar recursos naturais, produzir alimentos e, de quebra, ainda mitigar os impactos do aquecimento global contra um dos principais gases de efeito estufa: o gás carbônico.
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