Pet a bordo? Levar os animais para o barco é possível, mas exige cuidados

O Brasil é um dos países com o maior número de animais de estimação no mundo — e muitos deles frequentam o mar. Veja dicas para levá-los em segurança

10/02/2026
Ter um pet no barco é ter também uma grande responsabilidade. Foto: wirestock / Envato

Navegar solo é uma aventura, mas em companhia o prazer de estar na água é compartilhado — e não necessariamente só entre humanos. Não é de hoje que os pets fazem parte das famílias e que o sinônimo de companheirismo de cães e gatos vai além das paredes de um lar. O mar também pode ser o quintal desses animais e uma coisa é certa: a companhia deles não se compara a nenhuma outra.

O Brasil constantemente aparece entre os países com o maior número de animais de estimação em todo o mundo. Embora os dados variem por fontes ou métodos de cálculo, estimativas recentes apontam que o país soma mais de 150 milhões de animais, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, respectivamente.

Foto: spencerpa440 / Envato

Desse número, não se sabe quantos pets frequentam barcos, mas levando em conta o apego dos brasileiros pelos animais, essa é certamente uma cifra que não para de subir.

Os benefícios de ter um pet no barco

Além da companhia de um amigo fiel — seja ele cão ou gato —, ter um animalzinho a bordo pode trazer outros benefícios para tutores viajantes. Um bom exemplo se aplica aos cachorros, que naturalmente atuam também como verdadeiros seguranças noturnos.

Foto: Nattanartp / Envato

Estudos apontam ainda que a convivência com animais reduz o estresse, a ansiedade e até a pressão arterial. A bordo, onde o isolamento pode ser maior, o pet ajuda a regular o humor, aliviar a tensão e manter o bem-estar psicológico do dono, especialmente em longas travessias.

 

Além disso, os pets ajudam a criar e manter rotinas dentro do barco. Os passeios, a alimentação, as brincadeiras e até os processos de higiene acabam sendo partes de uma estrutura diária, o que deixa tudo mais organizado — além de servir como um convite para se movimentar.

Ter um pet a bordo é bom — e com cuidados, é melhor ainda

Apesar dos benefícios, ter um pet a bordo é também uma grande responsabilidade. Trata-se de mais uma vida, que depende dos cuidados do seu responsável para ter tanto passeios curtos quanto viagens longas seguras. Por isso, NÁUTICA separou, a seguir, algumas dicas importantes e valiosas sobre os cuidados necessários para levar o seu bichinho no barco. Confira:

Antes da partida

Para não pôr o animal em risco, algumas medidas precisam ser tomadas antes mesmo de embarcar. Uma delas é verificar se o bicho enjoa ou se gosta de água. Convém, também, comprar um colete salva-vidas apropriado para o pet e equipar o barco com alguns acessórios de segurança, como telas nos guarda-mancebos e piso antiderrapante no convés.

Foto: Farknot / Envato

Cachorros de pele clara, como alguns das raças bull terrier, vão precisar de protetor solar nas partes com pouco ou nenhum pelo, como ponta das orelhas, focinho e barriga. Gatos brancos de pelagem curta, também. Existem produtos específicos para animais em pet shops, mas um bom protetor para uso humano, com pouco ou nenhum perfume, resolve.

 

Ensinar o animal a voltar a bordo sozinho também é essencial e fará total diferença caso ele caia na água — o que nos leva à próxima dica.

Cuidado com a água

Evitar que o animal caia na água é fundamental, ainda que ele saiba nadar. Segundo a veterinária Cibele Nahas, inclusive, tanto cães quanto gatos detém essa habilidade, embora nem todos gostem.

Foto: esindeniz / Envato

Gatos, por exemplo, geralmente detestam se molhar. Já entre os cachorros, há raças que têm ótima relação com o mar (como labradores e goldens) e outras que nadam apenas por pura necessidade.

Medidas de higiene vão muito além da limpeza

Antes de colocar um pet no barco, um dos cuidados básicos é checar se as unhas estão aparadas. Isso vai evitar que o animal — seja ele cão ou gato — se enrosque nos cabos soltos no convés e, eventualmente, venha a cair na água por causa disso. O corte também ajuda a evitar riscos no barco.

Foto: cynoclub / Envato

Procure checar se o animal não tem machucados, porque qualquer ferimento pode piorar em contato com a água salgada do mar. Outro cuidado essencial é com as orelhas, já que cães são muito sujeitos a otites (inflamações que afetam o ouvido). Antes de entrar na água com eles, não é má ideia proteger os ouvidos com algodão.

 

Aliás, depois do banho de mar, é fundamental banhar o animal novamente com água doce e, de preferência, com xampu neutro. Os gatos exigem cuidados mais simples nesse sentido: basta escová-los a cada dois dias e cortar suas unhas com frequência.

Seu barco está preparado?

Assim como os passageiros humanos, os animais também precisam ter um canto só para eles dentro do barco. Uma área externa com sombra, de preferência no mesmo local onde ficará a água de beber do animal (que deve ser bem fresca) é essencial.

 

Procure preparar ainda uma área protegida dos respingos, do vento e do frio, para o caso de mau tempo ou de travessias mais longas. Um cantinho confortável e tranquilo dentro da cabine também é bem-vindo. Gatos precisam de uma caixa com areia para suas necessidades. Cães, no mínimo, de um jornal ou tapete higiênico especial.

Cachorro ou gato?

Escolher entre um cão ou gato para ter a bordo de um barco segue a mesma lógica da terra firme: depende apenas da afinidade do dono com um bicho ou outro, já que ambos se adaptam bem à rotina náutica.

 

Em linhas gerais, contudo, os cães são mais fáceis de serem treinados e educados sobre os procedimentos a bordo. Por outro lado, exigem mais atenção, fazem mais sujeira e podem dar trabalho, dependendo do tamanho — tanto do bicho quanto da embarcação.


Já os gatos são mais limpos, higiênicos, bem mais silenciosos e se adaptam bem em qualquer espaço, mesmo os pequenos. Em contrapartida, não gostam de água e podem se perder facilmente nos desembarques, uma vez que precisam de referência fixa para se situar e achar o caminho de volta para casa.

 

Seja lá qual for a sua escolha, saiba que ter um pet no barco terá ônus e bônus, e é responsabilidade do tutor garantir que o animal tenha a melhor experiência a bordo.

 

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