Você sabe por que usamos “nós” em vez de quilômetros na navegação?

Para responder, é preciso fazer uma viagem ao passado até meados do século 17, quando nasceu um engenhoso aparelho chamado de "barquinha"

15/01/2026
Foto: imagesourcecurated / Envato

Se você vive o mundo náutico ou apenas gosta de mergulhar nesse assunto, certamente já se deparou com o termo “nós” para medir a velocidade das embarcações. E se o que veio à sua mente ao ouvir essa palavra pela primeira vez foi uma espécie de corda entrelaçada, saiba que a associação não só faz sentido como está no cerne do surgimento dessa unidade de medida.

Em meados do século 17, quando partes do corpo ainda eram, muitas vezes, a melhor fonte para medir distâncias — a exemplo dos pés, palmos e polegadas —, surgiu no mar um meio engenhoso de se medir a velocidade: a barquinha.

Exemplo de uma barquinha. Foto: Lokilech / Wikimedia Commons / Reprodução

Esse antigo aparelho consistia em um carretel, em que a corda enrolada a ele apresentava nós espaçados de forma regular a cada uma milha. Embora a definição padronizada de uma milha só tenha sido oficialmente definida como 1,85 quilômetro em 1929, pela Organização Hidrográfica Internacional (OHI), ela existia já naquela época como conceito.

 

A ponta da corda desse carretel trazia uma espécie de uma pequena âncora de madeira, com formato triangular. O marinheiro, então, jogava essa âncora ao mar, e ela permanecia flutuando.

Foto: Jean-Pierre Bazard / Wikimedia Commons / Reprodução

O arrasto puxava a corda do carretel para fora do barco, a levando para a água. O marinheiro, por sua vez, acionava o cronômetro da época: uma ampulheta, que equivalia a cerca de 28 segundos no relógio. Em seguida, ele começava a contar a quantidade de nós que passava por suas mãos com destino a água até que o tempo se esgotasse.

 

Assim, na prática, cada nó equivalia à velocidade em milhas náuticas por hora que aquele barco estava navegando.

Foto: Samuel de Champlain / WikimediaCommons / Reprodução

A imagem acima é uma página de um tratado náutico dos séculos 17-18, que mostra como os marinheiros calculavam a navegação antes dos instrumentos modernos. Nela, a barquinha aparece ao lado de uma tabela, que relaciona a velocidade em nós com o tempo de navegação e o rumo seguido, permitindo estimar a distância percorrida e, assim, calcular a posição aproximada do navio no mar.

 

A tabela tem os seguintes cabeçalhos:

  • Heures: horas;
  • Nœuds: nós;
  • Brasses: braças (medida de comprimento / profundidade);
  • Routes / Rumbs: rumo / direção do navio;
  • Cap au Nord / Nordet / Nordest etc.: “rumo ao norte”, “rumo ao noroeste”, etc.

Assim, ela relaciona: tempo de navegação + velocidade do navio + distância percorrida + rumo seguido. Desse modo, o cálculo à direita apresenta anotações de quantas horas foram navegadas, a velocidade em que essas horas foram percorridas e para qual rumo, dando uma noção da distância percorrida naquela direção.

 

Isso permitia ao navegador fazer o que se chama de estima: calcular sua posição aproximada sem instrumentos tecnológicos, apenas com tempo, velocidade e direção.

As milhas náuticas

A milha náutica surgiu da necessidade de um padrão universal de medida para a navegação, já que unidades tradicionais como palmos, pés, polegadas e jardas variavam bastante entre países e regiões.

 

Para resolver esse problema, navegadores e estudiosos recorreram à própria geometria da Terra. Eles observaram que, ao percorrer um meridiano — a linha imaginária que liga o Polo Norte ao Polo Sul —, um minuto de arco de latitude correspondia a uma distância praticamente constante ao longo da superfície do planeta.

Foto: biletskiy / Envato

Com base nisso, a circunferência da Terra foi dividida em 360 graus, e cada grau em 60 minutos, de modo que a milha náutica passou a ser definida como o comprimento de um desses minutos de arco de latitude.

 

Essa definição liga diretamente a unidade de medida à forma do planeta, o que torna a milha náutica especialmente adequada para a navegação e para a leitura de cartas náuticas, que são construídas justamente a partir de coordenadas geográficas.

 

Já o nó é a unidade usada para medir a velocidade no mar e corresponde a uma milha náutica por hora. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), um nó equivale a cerca de 1,15 milha terrestre por hora ou aproximadamente 1,85 quilômetro por hora — conversão que ajuda a traduzir os números da navegação para quem está mais acostumado às medidas usadas em terra firme.

 

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