Tubarões brincam? Estudo flagra predadores interagindo com brinquedos em aquário
Uma cena rara: tubarões “brincando” por entre aros coloridos, empurrando tubos com o focinho e até “batendo” em objetos com a cauda. Embora as imagens pareçam retiradas de uma espécie de aquário recreativo, elas fazem parte de um experimento científico real.
Assista: equipe de remo interrompe uma das provas mais difíceis do mundo para salvar tartaruga
Em rara aparição, sapo com aparência celestial é fotografado no sul da Índia
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Um estudo publicado na revista Applied Animal Behaviour Science observou que tubarões interagem espontaneamente com objetos que não têm função alimentar — um comportamento que foi interpretado por pesquisadores como uma forma de brincadeira. Assista:
Ver esta publicação no Instagram
O experimento foi realizado no Cabrillo Marine Aquarium, na Califórnia, com 13 animais de quatro espécies: tubarões-cornudos (Heterodontus francisci), tubarões-inchados (Cephaloscyllium ventriosum), tubarões-leopardo (Triakis semifasciata) e uma raia-da-califórnia (Caliraja inornata).
Durante 12 semanas, antes e depois da alimentação dos animais, os cientistas colocaram semanalmente no tanque objetos como lulas de plástico, aros e tubos, registrando tudo em vídeo.
As imagens mostram os animais atravessando os aros, empurrando os objetos, mordiscando-os e fazendo movimentos semelhantes aos usados na caça, mas sem uma presa envolvida. O detalhe mais curioso é que as interações aumentavam após os tubarões terem sido alimentados. Isso indica que eles não agiam motivados pela fome, reforçando a percepção dos pesquisadores de eles estarem, de fato, brincando.
Embora os autores vissem o comportamento como “brincadeira”, o termo foi retirado do artigo final a pedido dos revisores. Isso porque o estudo não mediu critérios essenciais para essa classificação, como a ativação de circuitos de recompensa, indicadores fisiológicos de prazer, níveis de estresse dos animais ou a distinção clara entre a brincadeira e a simples exploração de objetos novos.


Diante das limitações, os próprios pesquisadores concordaram que não havia base experimental suficiente para sustentar tecnicamente o uso do termo.
Se você me perguntar casualmente, é isso que pensamos que eles estavam fazendo. Pensamos que eles estavam brincando, e acho que se fizéssemos um estudo mais rigoroso, provaríamos que eles estão brincando– disse Patrick Sun, professor de ecologia da Universidade Biola e coautor do estudo
Já Autumn Smith, ecologista de tubarões da Universidade Biola, na Califórnia, e principal autora do estudo, reforçou que grande parte das pesquisas envolvendo tubarões ainda se concentra na predação. “Ainda sabemos muito pouco sobre o comportamento social, a comunicação, a cognição, a navegação, as rotinas diárias e, claro, as brincadeiras”, detalhou ao National Geographic.


Elisabetta Palagi, etóloga da Universidade de Pisa (que não participou do estudo), destacou ao veículo que a motivação dos tubarões pelos objetos parece diminuir com o tempo. Para ela, isso indica um comportamento exploratório: após investigarem os itens e perceberem que não oferecem nada além, os animais perdem o interesse.
Embora o estudo não prove que tubarões brincam no mesmo sentido que cães ou golfinhos, mostra que eles são mais curiosos, ativos e cognitivamente complexos do que se imaginava. De quebra, ainda sugere que, longe de serem apenas predadores automáticos, esses animais também exploram o mundo ao seu redor — às vezes, aparentemente, só por diversão.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Salão catarinense acontecerá de 2 a 5 de julho, na Marina Itajaí. Ingressos já estão disponíveis com 30% off para o leitor NÁUTICA
Time brasileiro finalizou empatado na 12ª colocação do ranking geral, ao lado do time suíço. Próxima etapa acontece em Nova York
Famosa na costa de Bangladesh, a embarcação artesanal chama atenção pelo formado arqueado do casco, que lembra uma lua crescente
Testamos o maior barco em fibra de vidro produzido em série no Brasil, a Ferretti FY1000 — com cinco suítes e flybridge de 55 m² — fabricada pelo Grupo Okean em Santa Catarina. Uma embarcação que combina conforto, desempenho e a exclusividade de um iate de alto padrão
Com quase 6 metros de envergadura, fêmea surpreendeu equipe do Projeto Mantas do Brasil em Itanhaém, na Baixada Santista




