Tubarões brincam? Estudo flagra predadores interagindo com brinquedos em aquário

Experimento intrigou pesquisadores, dividiu opiniões e revelou comportamento inusitado desses animais

15/01/2026
Foto: Autumn Smith / Instagram @natgeo / Reprodução

Uma cena rara: tubarões “brincando” por entre aros coloridos, empurrando tubos com o focinho e até “batendo” em objetos com a cauda. Embora as imagens pareçam retiradas de uma espécie de aquário recreativo, elas fazem parte de um experimento científico real.

Um estudo publicado na revista Applied Animal Behaviour Science observou que tubarões interagem espontaneamente com objetos que não têm função alimentar — um comportamento que foi interpretado por pesquisadores como uma forma de brincadeira. Assista:

 

 

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O experimento foi realizado no Cabrillo Marine Aquarium, na Califórnia, com 13 animais de quatro espécies: tubarões-cornudos (Heterodontus francisci), tubarões-inchados (Cephaloscyllium ventriosum), tubarões-leopardo (Triakis semifasciata) e uma raia-da-califórnia (Caliraja inornata).

 

Durante 12 semanas, antes e depois da alimentação dos animais, os cientistas colocaram semanalmente no tanque objetos como lulas de plástico, aros e tubos, registrando tudo em vídeo.


As imagens mostram os animais atravessando os aros, empurrando os objetos, mordiscando-os e fazendo movimentos semelhantes aos usados na caça, mas sem uma presa envolvida. O detalhe mais curioso é que as interações aumentavam após os tubarões terem sido alimentados. Isso indica que eles não agiam motivados pela fome, reforçando a percepção dos pesquisadores de eles estarem, de fato, brincando.

 

Embora os autores vissem o comportamento como “brincadeira”, o termo foi retirado do artigo final a pedido dos revisores. Isso porque o estudo não mediu critérios essenciais para essa classificação, como a ativação de circuitos de recompensa, indicadores fisiológicos de prazer, níveis de estresse dos animais ou a distinção clara entre a brincadeira e a simples exploração de objetos novos.

Foto: Autumn Smith / Instagram @natgeo / Reprodução

Diante das limitações, os próprios pesquisadores concordaram que não havia base experimental suficiente para sustentar tecnicamente o uso do termo.

Se você me perguntar casualmente, é isso que pensamos que eles estavam fazendo. Pensamos que eles estavam brincando, e acho que se fizéssemos um estudo mais rigoroso, provaríamos que eles estão brincando– disse Patrick Sun, professor de ecologia da Universidade Biola e coautor do estudo

Já Autumn Smith, ecologista de tubarões da Universidade Biola, na Califórnia, e principal autora do estudo, reforçou que grande parte das pesquisas envolvendo tubarões ainda se concentra na predação. “Ainda sabemos muito pouco sobre o comportamento social, a comunicação, a cognição, a navegação, as rotinas diárias e, claro, as brincadeiras”, detalhou ao National Geographic.

Foto: Autumn Smith / Instagram @natgeo / Reprodução

Elisabetta Palagi, etóloga da Universidade de Pisa (que não participou do estudo), destacou ao veículo que a motivação dos tubarões pelos objetos parece diminuir com o tempo. Para ela, isso indica um comportamento exploratório: após investigarem os itens e perceberem que não oferecem nada além, os animais perdem o interesse.

 

Embora o estudo não prove que tubarões brincam no mesmo sentido que cães ou golfinhos, mostra que eles são mais curiosos, ativos e cognitivamente complexos do que se imaginava. De quebra, ainda sugere que, longe de serem apenas predadores automáticos, esses animais também exploram o mundo ao seu redor — às vezes, aparentemente, só por diversão.

 

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