A corrosão atacou o barco? Saiba como tratar
Confira as dicas da Revista Náutica de como combater o problema da embarcação corroída — inclusive no motor


Suponhamos que você não tenha seguido as nossas últimas dicas de como proteger o barco da ferrugem e agora sua embarcação esteja sofrendo com a corrosão. Calma! Não se desespere — mesmo que o cenário seja desanimador, ainda há o que ser feito para salvá-la.
Quanto dura um anodo? Saiba o momento de trocar o anodo de sacrífico
Como lavar o jet? Confira dicas para cuidar da sua moto aquática
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Prepare o sabão, separe uma boa quantidade de água e alguns produtos especiais, porque eles serão essenciais nessa batalha contra a corrosão.
Como tratar a corrosão do barco
No aço inox
Em partes feitas com aço inox (guardamancebos, cunhos, escadinhas e ferragens em geral), use um gel decapante, à base de ácido nítrico, que elimina rapidamente o óxido do inox. Algumas marcas recomendadas são Avesta e Amazônia.


Primeiro, lave bem a peça com água e sabão. Depois, dilua o gel em um recipiente, com um pouco d’água. Em seguida, aplique a solução e deixe-a agir por cerca de 15 minutos.
Por fim, esfregue com sabão e enxágue com água corrente. Pronto: o metal voltará a brilhar. Mas, para protegê-lo contra futuros pontos de oxidação, use cera náutica polidora com frequência.
No alumínio
Em tese, o alumínio naval anodizado, usado em cascos de barcos, só corrói se sofrer avarias ou pancadas. Mas, se isso acontecer, basta polir a área e reaplicar a camada de tinta protetora, encontrada em lojas de tintas convencionais.


Já os alumínios que não são específicos para barcos, mas bastante usados em mastros, retrancas, vigias e outras peças de convés, devem receber tinta protetora antes de irem para a água. E, se a corrosão aparecer, basta repetir o processo do alumínio naval.
No bronze
Por causa do custo mais alto, o uso de bronze nos barcos é raro. Geralmente, limita-se aos hélices e a algumas ferragens nos veleiros, como o corpo de esticadores.
Nos dois casos, para eliminar a corrosão e trazer de volta o aspecto original das peças, basta usar um polidor convencional, como Kaol ou Brasso, ambos feitos à base de querosene e amônia. Hélices são mais vulneráveis, porque, afinal, vivem dentro d’água — e pontos de ferrugem comprometem o seu rendimento.
Aqui também enferruja
Tanto o diesel quanto a gasolina contêm substâncias que podem oxidar os bicos injetores dos motores dos barcos que ficam muito tempo parados — e isso poucos donos sabem.
Apesar de soar estranho, o principal responsável pela corrosão nas partes internas de um motor pode ser o próprio combustível usado para acioná-lo. Como é um líquido higroscópico — ou seja, com tendência a absorver a umidade do ar — , ele acolhe naturalmente a água do meio ambiente.


Nos tanques dos barcos que não navegam com muita frequência, o efeito da mistura do enxofre com a água costuma ser drástico: cria-se um ácido altamente corrosivo, que, como se não bastasse, ainda desenvolve colônias de micro-organismos — a chamada borra — , acelerando ainda mais a oxidação de alguns componentes internos do motor.
É a ferrugem que não se vê. E, por isso mesmo, a pior de todas. Até porque afeta um componente vital nos barcos a motor — o próprio motor! Com a gasolina não é diferente.
Com um dos maiores percentuais de etanol do mundo (30% desde 2025), a gasolina brasileira é problemática para barcos. O álcool absorve umidade e faz o combustível se degradar mais rápido no tanque, danificando o motor. A gasolina adulterada em alguns postos agrava ainda mais o problema.
O resultado, também neste caso, costuma ser catastrófico, porque as impurezas, tanto no diesel quanto na gasolina, corroem e comprometem os bicos injetores dos motores. E, ao menor sinal de corrosão no corpo cilíndrico das válvulas injetoras e na agulha (responsável pelo controle da vazão do combustível), os sinais negativos serão imediatamente sentidos — sobretudo no bolso do dono do barco.


Primeiro, haverá consumo excessivo, pois o combustível não queimará de maneira correta. Ao mesmo tempo, o desempenho ficará mais fraco. E, em seguida, a tendência é todos os bicos enferrujarem, obstruindo o fluxo do combustível e impedindo o motor de funcionar.
Felizmente, é possível evitar esse tipo de prejuízo: basta optar por postos de reconhecida qualidade e jamais deixar o combustível parado dentro do tanque do barco por mais de dois meses — ou até quatro, se o combustível usado for a gasolina Poddium ou o diesel Verana, ambos da Petrobras.


É que todo tanque tem uma saída de respiro, por onde entra a umidade. Por isso, aconselha-se ligar o motor cerca de uma vez por semana ou, se o barco for ficar parado por algum tempo, esvaziar todo o combustível do tanque e guardá-lo vazio. Vale o esforço, porque ferrugem nos bicos injetores é um problema e tanto.
Dica NÁUTICA
Qualquer supermercado tem a solução mais simples para a ferrugem. Para tirar manchas de ferrugem dos cunhos de aço inox, o que deixa qualquer barco com aparência de velho e mal cuidado, a maneira mais simples e fácil é com Semorim, um produto à base de ácido oxálico, encontrado em qualquer supermercado.


A aplicação não requer nenhuma técnica especial, exceto luvas e óculos. Dá para fazer o serviço em poucos minutos. Pingue algumas gotas e espalhe com uma esponja macia (não use nada áspero, porque pode manchar ou riscar a peça), esfregando até cobrir toda a área a ser limpa. O efeito é imediato.
Em seguida, lave com água e sabão. Pronto! Mas, se a mancha não sair, repita mais uma vez o processo. Com os cunhos já sem ferrugem, use então cera náutica, a mesma usada para polir os cascos, porque ela servirá para conservar o brilho e proteger contra a corrosão.
No lugar do Semorim, pode-se, também, usar limpadores para metais cromados (bem mais caros e só encontrados em lojas náuticas), ou massa de polir número 2, misturada com sabão de coco. Ambos fazem o mesmo efeito. Mas, com Semorim, é mais fácil, rápido e barato.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Em Nazaré, durante etapa da WSL Wave Challenge, Michelle des Bouillons encarou uma onda do tamanho de um prédio de sete andares
Modelo ao estilo “semichato” é uma das grandes novidades do estaleiro, que apresentará ainda outras 8 embarcações no evento
O australiano Eric Marsh é o participante mais velho da Mini Globe Race, regata que teve parada em Recife, no Brasil, em fevereiro
Iniciativa de conservação que soma mais de 35 anos recebeu a honraria no ITB Earth Award, uma das premiações mais prestigiadas do setor
Pedro Bittencourt, dono do estaleiro Pointter Mar, embora totalmente cego, participou de cada etapa da contrução da nova Pointter 155 Easy Ride. Salão será de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória




