Tartaruga gigante de quase 2 metros pode ter vivido com humanos na Amazônia

Cientistas analisaram fóssil encontrado em área de garimpo e nomearam o animal em homenagem a personagem de Stephen King

20/03/2024
Imagem ilustrativa

Um pedaço de fóssil encontrado em uma área de garimpo de Rondônia revelou que tartarugas gigantes podem ter habitado os grandes rios da região Amazônica há cerca de 40 mil anos. Segundo os pesquisadores, os animais possuíam carapaças com cerca de 1,80 metro, tamanho médio de um homem adulto.

A novidade, publicada na revista científica The Royal Society neste mês, indica que esses super cágados podem ter convivido com os primeiros seres humanos a habitar a região — embora essa possibilidade ainda seja objeto de discussão.

 

Os restos do animal consistem apenas em um pedaço de mandíbula, achado por garimpeiros em uma área do Rio Madeira, na capital Porto Velho. Devido à pequena amostra, cientistas não têm certeza sobre a idade da tartaruga, mas a estimativa usa como base os sedimentos da localização do fóssil.

Foto: Divulgação. As letras (a), (b) e (c) representam, respectivamente, fotografias, contornos e representações 3D da tartaruga gigante, a Peltocephalus maturin. A letra (d) indica a representação 3D da Pe. dumerilianus, para efeitos de comparação. A imagem foi extraída do artigo científico.

Ao que tudo indica, o Peltocephalus maturin — nome científico do animal — foi o último dos cágados gigantes amazônicos e desapareceu no final da Era do Gelo, também chamada de período Pleistoceno.

Está entre as maiores tartarugas de água doce já encontradas. Esta descoberta apresenta a mais recente ocorrência conhecida de tartarugas gigantes de água doce, sugerindo a coexistência com os primeiros habitantes humanos na Amazônia- aponta o estudo.

Indícios observados

Os restos de madeira carbonizada encontrados nas camadas mais baixas do garimpo, estudados pelos pesquisadores, datam de uma época entre 46 mil e 21 mil anos atrás. Porém, a datação feita a partir do osso da tartaruga gigante sugere algo diferente: o animal teria vivido entre 14 mil e 9 mil anos atrás.

 

Essa segunda faixa vai de encontro à chegada dos ancestrais dos povos indígenas à região amazônica, mas os cientistas suspeitam que o estado de preservação do fóssil e as condições ambientais do entorno estejam “rejuvenescendo” a amostra de forma enganosa.

 

Pesquisadores também especulam se há uma relação entre o desaparecimento da tartaruga gigante com a chegada do homem à região, já que há registros de que outros cágados de grande porte foram extintos conforme o avanço da ocupação humana. Mas, por ora, não há dados que comprovem a coexistência com os maturin ou a participação deles na alimentação dos povos antigos.

Nome curioso

O tamanho da tartaruga gigante foi estimado com base em sua poderosa mandíbula, que, por si só, mede quase 30 centímetros.


Os detalhes anatômicos do animal permitem sua classificação como membro do gênero Peltocephalus, o mesmo de uma espécie que vive até hoje no Norte do país: a Pe. dumerilianus – ou tartaruga-de-cabeça-grande-do-amazonas -, com a qual a maturin foi comparada.

 

Já a segunda parte do nome desse animal recém-descoberto contou com a criatividade dos cientistas que o estudaram. “Maturin” refere-se à tartaruga gigante que vomitou o universo nas histórias de Stephen King. O autor conhecido por seus thrillers, por sua vez, se inspirou no personagem Stephen Maturin, um médico e naturalista que conhece tartarugas gigantes nos romances de Patrick O’Brian.

 

Em tempos mais remotos, tartarugas ainda maiores ocuparam a Terra, como a Stupendemys geographica, cuja carapaça se aproximava dos três metros de comprimento. Ela desapareceu por volta de 5 milhões de anos atrás.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Homem nada mais de 100 metros sem respirar em lago congelado e quebra dois recordes

    Aos 52 anos, experiente nadador suíço acumula títulos e já deteve outro recorde mundial; confira

    Resorts 'no meio do nada' oferecem de natação com cavalos a plantio de recifes

    Ultraluxuosos, estabelecimentos cercados por belas águas buscam se diferenciar com passeios extravagantes; conheça 5 deles

    Búzios ganhará Centro de Desenvolvimento da Vela após parceria de ICAB e CBVela

    Parceria inédita prevê treinos das equipes jovem e principal, clínicas, uma escola de vela e projeto social para fomento do esporte na região

    Tubarão mais rápido dos oceanos é filmado no litoral de São Paulo; assista

    Conhecido como tubarão-mako, animal que pode atingir até 70 km/h foi flagrado próximo à Ilhabela

    Pinguim aparece em praia de Cabo Frio (RJ), surpreende banhistas e levanta dúvida: é normal?

    Apesar de ter sido visto navegando tranquilamente no mar transparente da região, presença do animal em águas brasileiras levantou questionamentos