Tripulante influencer: jovem revela curiosidades do trabalho em iates de luxo

10/06/2023

Trabalhar a bordo de grandes barcos de luxo garante momentos incríveis, mas também a responsabilidade de manter o iate perfeito para os passageiros. É isso o que mostra Emery Wallerich, uma tripulante influencer que faz sucesso nas redes.

Tripulante de iates há mais de quatro anos, Emery já conheceu vários lugares do mundo, andou a cavalo nas Bahamas e até nadou com tubarões. Apesar das vivências incríveis, a garota não deixa de mostrar aos seus seguidores todos os lados dessa história — que nem sempre são recheados de luxo.

Emery é uma jovem de 26 anos, natural de Seattle, em Washington, nos Estados Unidos. Contudo, já faz quatro anos que ela se mudou para a Flórida, também no país americano. A verdade é que Emery passa por muitos países diferentes enquanto trabalha em iates.

 

Com mais de 700 mil seguidores no TikTok, sua rede social com mais acessos, a tripulante influencer também faz sucesso no Instagram, mostrando curiosidades sobre seu trabalho, rotina e todas as experiências que uma vida em alto-mar proporcionam a ela.

Mas, e como ela conseguiu esse “trabalho dos sonhos”? Emery contou à equipe de NÁUTICA que começou a trabalhar em iates quando tinha apenas 22 anos, depois de se formar na Oregon State University.

 

“Uma amiga nossa da família trabalhava como tripulante de superiates e contou à minha mãe o que ela fazia. Minha mãe ficou muito animada para compartilhar comigo e uma semana depois recebi minhas certificações”, conta.

A mãe de Emery, aliás, foi uma das grandes incentivadoras para que a menina se aventurasse na área. “Ela sempre quis que experimentássemos o máximo possível do mundo enquanto éramos jovens”, conta Emery.


E não demorou para que a garota começasse a, de fato, a fazer isso. Logo em sua primeira experiência, Emery foi de Seattle ao Canadá em um hidroavião.

Nunca pensei que empregos como este existissem e lá estava eu observando as baleias jubarte saltando e as baleias orca migrando, enquanto dirigíamos para nosso próximo destino – Emery Wallerich, tripulante influencer

Tripulante influencer é sucesso nas redes

Com a vida de tripulante influencer, são os chamados “vídeos curtos” que mais chamam atenção nas redes sociais. É por meio deles que a garota mostra seu dia a dia dentro das embarcações, conta curiosidades e tira dúvidas de seguidores.

@thatyachtiegirl You can hear our chandelier hanging on for dear life lol I definitely get sea sick if I’m working in a cabin in conditions like this but I have yet to yak in my 4 and a half years (knock on wood) #yachtie #thatyachtiegirl #stewardess #deckhand #yachtjob #myjob ♬ original sound – 🌻 – Scar 🌻


Não é difícil imaginar que muitos deles acreditam que a melhor parte do trabalho de Emery é viajar pelo mundo. E ela confirma essa tese, mas ressalta que “a melhor parte de trabalhar em um iate não é apenas a viagem, mas também o número de culturas diferentes que você conhece.”

Em um de seus vídeos, a jovem conta que, somente no ano de 2022, ela passou por mais de dez países. Por outro lado, Emery não deixa de mostrar que o trabalho também inclui grandes responsabilidades.

@thatyachtiegirl Covering up a YACHT 🤍⚓️ #yachtie #juststewit #thatyachtiegirl #myjob #belowdeck #stewardess #deckhand ♬ FUCK IT – xryce


“Este brinquedo multimilionário não é algo que você possa negligenciar. Entre a pintura, madeira, metal, motores, sistemas elétricos etc, muita coisa pode dar errado. Se você não cumprir suas responsabilidades, pode perder o emprego e ganhar uma má reputação, o que pode ser perigoso”, afirma.

 

Além disso, o trabalho também priva a tripulante influencer de coisas que fariam muitas pessoas desistirem da profissão. Emery está sempre perdendo aniversários, casamentos e feriados junto da família e dos amigos, por estar constantemente viajando.

Experiências memoráveis da vida de tripulante

Apesar dessas dificuldades, os problemas parecem ficar de lado quando a tripulante influencer conta sobre sua experiência mais memorável em alto-mar, nas Bahamas. Emery conta que, neste lugar, viveu uma cena digna de filme.

 

“Depois de deixarmos os passageiros do charter, ancoramos entre algumas ilhas nas Bahamas esperando por uma janela climática. Então pegamos o barco menor e fomos a um local secreto, onde você pode nadar com arraias selvagens — o que foi incrível por si só. Mas, quando voltamos para o iate principal, havia um grupo de golfinhos selvagens ao nosso redor. Eu e meu companheiro pulamos e nadamos com eles e seus bebês ao pôr do sol.”

Tripulante influencer revela planos para o futuro

Emery já passou por muitos países nesses quatro anos de profissão, em muitos iates diferentes. É de se imaginar que seja difícil eleger um país ou iate favorito, mas ela tem suas escolhas.

 

Por incrível que pareça, sua embarcação favorita é uma em que ela nunca trabalhou: o Scout 63 M Hakvoort. “O design dele é lindo e os iates Hakvoort são embarcações tradicionalmente maravilhosamente construídas”, conta a jovem. A tripulante influencer revela também que tem um país com um lugar especial no coração: o Panamá.

 

À equipe de NÁUTICA, Emery revelou que pretende seguir na indústria de iates. “Não fisicamente em um, mas com meu próprio negócio, que está por vir”, adianta ela, dando pistas sobre uma mudança na carreira em breve.

 

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    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

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    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

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    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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