Celeiro de oportunidades: Ventura atraca em Itajaí com otimismo e produtos variados

04/07/2025

Falta de opções nunca foi problema para o estoque da Ventura. No Marina Itajaí Boat Show 2025, a marca trouxe cinco barcos e um arsenal de produtos para seu estande, com destaque para um clássico renomado do estaleiro: a V400 Crossover.

Maior lancha da empresa em exposição no evento, a embarcação vem sendo a queridinha de visitação do público, conforme Marco Garcia, diretor comercial do estaleiro, contou à NÁUTICA. Com 40 pés, ela ostenta duas cabines fechadas com porta e um belo espaço na proa para aproveitar o sol.

Marco Garcia, diretor comercial da Ventura. Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica

Mas nem só das grandes lanchas vive a Ventura. Tido como o barco de entrada mais vendido da categoria no Brasil — segundo a marca — a V195 Comfort já rendeu negócio na terceira edição do Boat Show de Itajaí.

Itajaí é um celeiro de oportunidades. Uma cidade que está totalmente pulsante em relação ao comércio– elogiou Garcia

“A região de Santa Catarina — do litoral, que vai de Itajaí até Florianópolis — tem muita construção, o mercado está muito sólido. Tem muita área de navegação, muita marina. Estar aqui é muito importante para rever os amigos, fazer novos negócios e buscar novos revendedores na região”, completa.

V400 Crossover. Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica

Por isso, o clima no estande da Ventura — que tem barcos na água e no seco — é de otimismo. Marco Garcia tem certeza que os números deste ano irão superar 2024.

Os estandes melhoraram. Todos nós fizemos estande mais elaborados, pensando em receber melhor o nosso consumidor– disse o diretor comercial

Para todos os gostos

De barcos de entrada a bicicleta elétrica, a Ventura atracou na Marina Itajaí com o que tem de melhor. A começar pela V250, de proa aberta com motor de centro rabeta; V265, primeira lancha com cabine da categoria, teto rígido e motor de centro; e duas 30 pés: uma modelo Crossover e outra, Day Cruiser.

V400 Crossover, V300 Crossover e V300 Day Cruiser. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
V300 Day Cruiser. Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica

O primeiro jet elétrico do mundo também está presente: o Jet Ventura Orca, que dispensa o uso de combustível e gera zero emissões de poluentes. Por fim, a linha de ATVs, com três modelos de quadriciclos, e a bike elétrica Brat — importada da Volvo e revendida pela Ventura na América Latina — dão as caras.

V265, jet elétrico Orca e V250, no estande da Ventura no Marina Itajaí Boat Show 2025. Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica
Linha de ATVs no estande da Ventura. Foto: Rivo Biehl/ Revista Náutica

Para completar a experiência Ventura, os visitantes podem aproveitar o simulador de atracação chamado Helm Master, cedido pela Yamaha. “Quem visitar, vai conhecer, poder simular, brincar… as crianças vão adorar e os adultos vão se divertir”, aposta Garcia.


Marina Itajaí Boat Show 2025

Celebrado em um dos principais polos da indústria náutica brasileira, o Marina Itajaí Boat Show 2025 traz atrativos para todos os gostos. Nas embarcações, os modelos vão dos jets aos grandes iates, passando por veleiros e lanchas de pequeno, médio e grande porte.

 

Quem busca por motores, o coração dos barcos, encontra quatro das principais marcas do setor reunidas: Yanmar, Yamaha, Hidea e Volvo Penta.

Foto: Victor Santos/Revista Náutica

Inovação da edição 2025, o evento terá o primeiro shopping náutico 100% flutuante do Brasil, montado sobre a Baía Afonso Wippel. Além dele, uma segunda área de shopping, na área seca, vai reunir uma ampla variedade de empresas apresentando acessórios e serviços para embarcações.

 

Enfatizando que o lifestyle náutico vai muito além dos barcos, o evento tem ainda uma série de empreendimentos de luxo sendo apresentados, bem como dois carrões: um DBX707, SUV da Aston Martin, e o Artura, superesportivo híbrido da McLaren.

 

Anote aí!
Quando: De 3 a 6 de julho de 2025
Horário: Quinta e sexta-feira, das 14h às 21h; sábado, das 11h às 21h; domingo, das 11h às 20h.
Onde: Marina Itajaí (Av. Carlos Ely Castro, 100, Centro, Itajaí-SC)
Mais informações: site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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