Vida a bordo: britânica mostra como um narrowboat é sua casa flutuante nos canais de Londres
Michaela Cordes faz sucesso no TikTok compartilhando seu lifestyle nômade a bordo da embarcação estreita


Michaela Cordes tem feito sucesso em seu TikTok mostrando como é levar a vida a bordo de um narrowboat — sua casa flutuante. A britânica vive na embarcação ao lado de seu marido, Marlon Cordes, e sua cachorrinha, Mabli, navegando pelos canais de Londres enquanto compartilha com o público seu lifesyle nômade.
Argolândia: continente desaparecido há mais de 150 milhões de anos é descoberto por geólogos
Garanta seu ingresso para o Foz Internacional Boat Show com 20% de desconto
Inscreva-se no Canal Náutica no Youtube
As vias fluviais britânicas foram essenciais durante a Revolução Industrial do Reino Unido, quando as estradas estavam apenas começando a existir. Hoje, esse sistema é mais utilizado como forma de lazer pelos londrinos. Michaela, no entanto, foi além, e faz dos canais o quintal de sua casa.


Com paisagens mudando quase que diariamente, ela, seu marido e Mabli vivem na embarcação Swan Goddess (Deusa Cisne, em português), há mais de dois anos. Os dois são artesãos, e o ateliê para suas obras pode ser no barco ou onde quer que a embarcação ancore.


Entre dias frios, ensolarados ou chuvosos, Michaela não esconde que tem grande afeição pela natureza, assim como também mostra que nem tudo a bordo é um mar de rosas. Com tanto tempo navegando por aí, sem lugar fixo, algumas dificuldades podem surgir.


Uma delas, compartilhada pela britânica, diz respeito às correspondências do casal. Segundo ela, as encomendas de suprimentos dos dois são feitas com três meses de antecedência, e retiradas quando voltam para a marina.
Tenho que planejar e organizar muito bem as entregas de lã para o meu negócio e quaisquer outras compras que façamos online– diz Michaela em sua conta do TikTok
E para manobrar o barco de 60 pés nos canais estreitos? Segundo Michela, essa missão fica com Marlon, que, aparentemente, já está habituado. A britânica compartilha em sua conta que “existem alguns pontos chamados de ‘buracos sinuosos’ no canal, onde só há espaço para virar um barco estreito. Eles geralmente são marcados nos mapas e rotas dos velejadores.”
Sempre me surpreende a elegância e a rapidez com que Marlon dança com a Deusa Cisne para virá-la no canal estreito– comenta a britânica
Como é a vida a bordo da Deusa Cisne por dentro
Apesar de ser uma casa flutuante, o narrowboat de 60 pés é, por dentro, como uma casa “comum”. Ao entrar no barco, o primeiro cômodo avistado é a cozinha. Bem equipado, o local conta com armários de madeira, fogão, pia, uma série de utensílios e até máquina de lavar.
@michaela.cordes Welcome on the Swan Goddess, my floating home! #narrowboatlife #slowliving #narrowboattiktok #narrowboatliving #canalboat #narrowboats #narrowboatinterior #canalboatliving #tinyhome #smallspaces #floatinghome #offgridliving #alternativelifestyle #hometour #boattour #myhappyplace❤️ ♬ original sound – Michaela
Seguindo adiante, há uma espécie de “portal”, feito com galhos secos decorados, que marcam o fim da cozinha e o início da sala de estar. Por lá, há uma mesa também de madeira no centro, com sofás ao redor e muitos itens decorativos — casa de artesãos.


Logo a seguir vem a sala de TV, que tem em frente ao aparelho um outro sofá, além de uma estante com mais decorações e o que parece ser o ateliê de Michela, com espaço para o armazenamento de seus materiais e uma lareira.


Apesar do barco ser estreito como um típico narrowboat, o banheiro do casal que vem logo após o ateliê é espaçoso e tem até box. A pia conta com tampo em formato de L, valorizando ainda mais cada cantinho do espaço disponível.


Seguindo em frente se chega ao quarto, com cama de casal e até uma “varanda privativa”. Todos os cômodos passam um ar de aconchego, principalmente pelas cores neutras e os itens decorativos do casal. Os ambientes, além disso, são bem iluminados, graças à luz natural que entra pelas muitas janelas do barco.
E aí, curtiu a ideia de, literalmente, ter uma vida a bordo?
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina




