3 Mulheres, um veleiro precário e a travessia do Atlântico Norte viraram filme
Documentário retrata a impressionante jornada a bordo de um catamarã de madeira com mastro feito de poste; veja onde assistir


Travessias, por si só, são impressionantes. Se jogar oceano adentro e ter no horizonte apenas o azul do mar por dias não é para qualquer um. E a jornada de três jovens mulheres que foram de barco dos Estados Unidos aos Açores é de deixar qualquer um de boca aberta. O trio navegou pelo Atlântico Norte num veleiro precário, sem motor e com um mastro feito de poste — e esse é só o começo.
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As protagonistas dessa história, que aconteceu na vida real em 2022, são a dominicana Alizé Jireh, à época com 22 anos, a dinamarquesa Laerke Heilmann, de 35, e a americana Kiana Weltzien, de 26 — que é quase brasileira, já que passou a infância toda no Brasil.
Batizada de “Women & The Wind”, a travessia que também dá nome ao documentário que a retrata foi apresentada pela primeira vez no Brasil em 31 de maio, no icônico Cine Belas Artes, em São Paulo.
A obra ainda será exibida no REAG Belas Artes (SP) em 21 de julho, com apresentação pela capitã Kiana — as entradas custam R$ 22,50. Interessados ainda podem assistir o filme online até 27 de julho através da campanha “30 dias no Mar“, que celebra os 3 anos da travessia. Veja o trailer:
Women & The Wind: barco modesto, história espetacular
Alizé, que também é cineasta, registrou com as próprias mãos uma história que dispensou roteiro — literalmente. Os acontecimentos marcantes não vieram de ideias anotadas na ponta do lápis, mas da força da natureza que, inclusive, não deu trégua ao trio.


O grupo partiu rumo aos Açores, um arquipélago no meio do Oceano Atlântico, em plena temporada de furacões. Não à toa, precisou superar seus limites para enfrentar ondas que ultrapassaram os 5 metros de altura, ventos acima dos 80 km/h e tempestades insanas que duraram dez dias, fazendo do barco uma extensão do mar.


A embarcação, aliás, chama atenção pela simplicidade — que chega a assustar. Sem motor, com velas feitas de frágeis tecidos de algodão que se estendem no mastro adaptado de um poste de rua, o veleiro catamarã ganha as águas com a experiência de meio século.


Feito pelas mãos de um carpinteiro, o “Mara Noka”, como é chamado, é também a casa de Kiana há quase 10 anos, quando ela deixou o trabalho como corretora de imóveis, em Miami, para virar gente do mar.
Sua simplicidade reflete o estilo de vida de sua capitã que, quando a bordo, tem num balde o seu chuveiro e na pesca o próprio alimento, que vem a ser preparado em um fogareiro à carvão, ao ar-livre, no deque de tábuas do barco — ou na modesta cabine.


Kiana vive com cerca de R$ 1.000 por mês, dinheiro que ela faz escrevendo artigos para revistas, onde fala sobre seu estilo de vida. Vale destacar que 50% do valor total arrecadado pelo filme é convertido para a Women & The Wild Foundation, que apoia projetos e aventuras de alto risco comandados por mulheres.
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