Equipe replicou barco de 4 mil anos com base em escritos sumérios de tábua exposta em museu

Especialistas criaram réplica da embarcação comum na Idade do Bronze, nos anos 2100 a.C, e a testaram na água

22/07/2024
Foto: Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi / Divulgação

Uma equipe composta por arqueólogos, antropólogos e engenheiros resolveu usar escritos sumérios encontrados em antiga tábua de argila para replicar um barco da Idade do Bronze — cerca de 2100 anos a.C. A ideia não só deu certo, como conseguiu levar a embarcação para a água.

O material que norteou os especialistas é originário da cidade suméria de Girsu, construída pelos antigos sumérios, responsáveis pela invenção da escrita, dos primeiros códigos legais e detentora de muitos avanços tecnológicos, como a medição de tempo.

Foto: Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi / Divulgação

Através da espécie de “lista” dos materiais necessários para a construção da embarcação, com base em ilustrações do período e com a ajuda de construtores navais, a equipe saiu em busca de itens autênticos para a construção do barco milenar.

Foto: Emily Harris / Museu Nacional Zayed / Divulgação

Esse, inclusive, foi um dos passos mais desafiadores enfrentados pelos especialistas, uma vez que a lista incluía materiais como fibra de palmeira, pelo de cabra, juncos, quatro tipos de madeira, couro, esteiras de folhas de palmeira e decks de nervuras de palmeira, óleo de linhaça, óleo de gergelim e betume.


O processo de construção

Para construir a embarcação de mais de 4 mil anos foram usadas ferramentas manuais, deixando de lado as técnicas modernas. O casco externo da embarcação levou nada menos que 15 toneladas de juncos encharcados e despojados de suas folhas, antes de serem esmagados e amarrados em longos feixes com corda feita de fibra de palmeira.

Nós projetamos o navio usando uma combinação de evidências textuais, iconográficas e arqueológicas da região– Peter Magee, diretor do Museu Nacional Zayed, em entrevista à Newsweek

O pelo de cabra, presente na “receita” para a construção da embarcação, foi usado para a fabricação da vela do barco, que alcançou 127 kg e exigiu uma força-tarefa de mais de 20 pessoas para içá-la. Outro número que chamou atenção no processo de construção foi o de tentativas para chegar ao betume perfeito para impermeabilização: mais de 100.

Foto: Emily Harris / Museu Nacional Zayed / Divulgação

No final, tudo deu certo e, em uma viagem de cinco dias e 92 km pela costa de Abu Dhabi, o “Magan”, de 18 metros de comprimento, foi testado e aprovado pela equipe. “Quando rebocamos o barco do píer pela primeira vez, fomos muito cuidadosos. Não há pregos, parafusos, nem metal algum. Então, eu estava com medo de danificá-lo”, lembra Marwan Abdullah Al-Marzouqi, um dos capitães do navio.

Quando começamos a navegar, logo percebi que era uma estrutura muito forte. Fiquei surpreso com a forma como algo tão pesado conseguia se mover tão suavemente no mar– destacou Marwan 

Agora armazenado em um hangar, o Magan aguarda a conclusão das obras do Museu Nacional Zayed, na Ilha Saadiyat, em Abu Dhabi, para em breve integrar o acervo da instituição. O intuito é levar aos visitantes a história marítima do Golfo Pérsico e as conexões culturais possibilitadas graças à navegação.

 

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